Novembro Azul: médico oncologista responde às dúvidas mais comuns sobre a doença

Doença mata milhares de homens todos anos, mas tem alta porcentagem de cura quando diagnosticada nos estágios iniciais

Publicado em 8 de novembro de 2019 | 16:59 |Por: Everton Lima

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que o câncer de próstata é o segundo mais comum no país entre os homens, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma. Só em 2018 foram mais de 68 mil novos casos desse tipo de câncer — 31,7% de todos os novos casos da doença no ano passado (homens).

Ainda no ano passado, mais de 15 mil brasileiros morreram devido a essa enfermidade. Isso significa que 13,4% dos óbitos relacionados ao câncer foram causados pelo câncer de próstata.

Esses números exigiram ações por parte dos governos, sociedade civil e empresas — entre essas ações, está a campanha Novembro Azul.

Entendendo o que é o “Novembro Azul”

Essa ideia surgiu na Austrália, no ano de 2003, quando alguns homens decidiram deixar o bigode crescer no mês de novembro, com o objetivo de chamar a atenção dos outros homens para a campanha. É por isso que em outros países, essa ação se chama Movember, pois é a soma da palavra Moustache (bigode em inglês) mais november.

No entanto, a saúde masculina, principalmente os exames médicos, ainda gera muitas dúvidas — em alguns casos, carregadas de preconceitos. Por isso, conversamos com o Dr. José Maurício Mota, oncologista da Rede D’Or, para esclarecer as principais dúvidas relacionados à doença tema da campanha Novembro Azul.

eMóbile: quais são os sintomas iniciais do câncer de próstata?

Dr. José Maurício Mota: A maior parte dos pacientes com câncer de próstata não tem quaisquer sintomas. Por isso, reforçamos a necessidade de acompanhar com o seu médico a partir dos 40 anos, discutir a respeito dos exames de triagem para o câncer de próstata e assim aumentar as chances de cura. Quando localmente avançado, o câncer de próstata pode causar sintomas locais, entre eles: dificuldade para urinar, sangue na urina, sangue no esperma, ou dor local.

eMóbile: existem fatores/hábitos que contribuem para o surgimento da doença?

Dr. José Maurício Mota: Sim. O principal fator de risco é a idade. Homens com idade mais avançada têm maior risco de desenvolver o câncer de próstata. Histórico familiar também é muito importante, principalmente quando o câncer ocorreu em parentes de primeiro grau (irmãos e pais). Homens afrodescendentes também têm um risco maior. Outros fatores de risco importantes são: dieta rica em gordura animal, pobre em vegetais e obesidade.

eMóbile: como as empresas podem ajudar a conscientizar o seu funcionário sobre o tema?

Dr. José Maurício Mota: Os homens em geral procuram menos o médico e cuidam menos de sua saúde do que as mulheres. As empresas podem ter um papel fundamental em ajudar os funcionários do sexo masculino a tomarem consciência da importância dessa doença, por meio de campanhas educativas, não apenas no Novembro Azul, mas também nos outros meses do ano.

Existe muito tabu a respeito do diagnóstico e do tratamento do câncer de próstata, mas a maior parte se constitui de mitos. Aliás, o homem precisa ser educado e saber que, se detectado em fases iniciais, o câncer de próstata é altamente curável.

eMóbile: Após diagnosticado com a doença, como é o tratamento?

Dr. José Maurício Mota: Homens que tenham o PSA elevado**, ou que tenham um toque retal suspeito podem ser indicados a realizar uma biópsia da próstata, a qual fornece o diagnóstico. Caso seja diagnosticado com um câncer de próstata, a primeira medida é discutir com o seu urologista e com seu oncologista a respeito das opções.

Existem muitas opções disponíveis e nem todos os pacientes precisam tratar imediatamente, já que alguns têm a doença chamada de ‘lenta progressão ou indolente’. Quando decidido pelo tratamento, o padrão-ouro é a realização de cirurgia para retirada da próstata ou a radioterapia.

Essa decisão deve ser tomada em conjunto com o paciente bem-informado. Por isso, cada vez se faz mais necessária uma abordagem multidisciplinar. Repito que o mais importante aqui é reforçar com o paciente e sua família que, quando detectado em fases iniciais, o câncer de próstata pode ser curado com alta taxa de sucesso.

**PSA é sigla para “antígeno prostático específico”. O nível de PSA é medido por meio de exame de sangue.

– Não basta ser bonito, tem que ser bom para a postura

eMóbile: como combater o preconceito relacionado ao exame de toque?

Dr. José Maurício Mota: Existem muitos tabus e mitos relacionados ao exame de toque retal. Ele é realizado por um médico especialista, é minimamente desconfortável e realizado dentro de poucos segundos.

eMóbile: O exame de sangue pode substituir o exame de toque? Qual a diferença entre eles?

Dr. José Maurício Mota: Não. Eles são complementares. O exame de sangue é a medida do PSA – antígeno prostático específico, o qual é uma molécula produzida pelas células do câncer de próstata, mas também pela próstata normal. O que faz diferença aqui é o valor. Quando encontramos altos níveis de PSA, podemos suspeitar de um câncer de próstata. Entretanto, nem todos os casos de câncer de próstata têm elevação do PSA e uma parcela importante de pacientes pode receber o diagnóstico após um toque retal alterado.

 

 


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