Pesquisa de mercado: como a internet pode ajudá-lo a entender o seu cliente?

De acordo com especialista, os estudos de mercado estão mais acessíveis, graças à internet

Publicado em 3 de setembro de 2019 | 11:11 |Por: Everton Lima

Perguntar ao público o que ele pensa sobre o seu produto pode trazer insights valiosos à empresa. Pelo menos é o que afirma o especialista em pesquisa de mercado online do Opinion Box, Pedro D’Angelo. Para ele, a ação é crucial para traçar estratégias em qualquer negócio.

“Pesquisas de mercado são fontes de dados fundamentais para tomar decisões seguras nas empresas. A partir de informações coletadas, é possível validar ideias de negócio, testar campanhas de marketing, medir a satisfação do consumidor e muito mais”, conta D’Angelo.

Os contatos das suas redes sociais podem não ser as pessoas ideais para opinar, afirma Pedro D’Angelo

O especialista esclarece que, ao contrário do que muita gente imagina, elas não são exclusividades das grandes corporações. “Existia a ideia de que só grandes podiam fazer pesquisas. Entretanto, com o surgimento das plataformas digitais o cenário mudou. Estão cada vez mais acessíveis, práticas e rápidas com a ajuda da tecnologia”, explica.

Contudo, é importante que o empreendedor entenda que fazer uma análise de mercado é muito mais complicado do que simplesmente criar um questionário online e compartilhá-lo em suas redes sociais. “Criar um questionário e divulgá-lo nas redes sociais te traz respostas, mas nem sempre elas podem ser consideradas válidas. Para tomar uma decisão mais drástica, como a validação de um novo produto, por exemplo, os contatos das suas redes sociais podem não ser as pessoas ideais para opinar.”

Para ele, os amigos do Facebook podem dizer aquilo que o empreendedor quer ouvir. “Por serem pessoas que já te conhecem, elas têm um viés de querer que as coisas deem certo no seu negócio. Isto é, podem avaliar de forma equivocada uma ideia cujo público-alvo pensaria diferente. O importante, em toda pesquisa, é encontrar os respondentes certos, de acordo com o objetivo do questionário”, conclui.

Redes sociais ajudam a entender o consumidor

Não é segredo para ninguém que sites como o Facebook e o Google monitoram as atividades dos seus usuários. Esses dados também podem ser usados para entender o consumidor. “As redes sociais são plataformas de relacionamento direto com o consumidor. Desse modo, existem dados que podem ser coletados a partir delas. Por meio de interações com seu público, as empresas podem entender melhor o que eles pensam”, pontua D’Angelo.

O diretor de marketing da Mobly, João Bacarin, explica como a empresa usa esses dados em seus processos de marketing. “Contamos com uma ferramenta especializada de captura de comentários que as indexa aos nossos produtos e até à nossa reputação de SEO no Google. Também temos algoritmos de machine learning que recomendam produtos similares e complementares a clientes que já fizeram algum pedido no site.”

Pesquisa de mercado: análise de dados deve respeitar as leis

No entanto, o empresário precisa ficar atento à privacidade do seu cliente. A advogada Viviana Elizabeth Cenci, especialista em Tributação dos Negócios de Tecnologia e Propriedade Intelectual, ressalta que mudanças importantes devem ser tomadas para respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Entre as novas regras, está a obrigatoriedade de o empresário avisar ao cliente sobre a coleta de dados. Além disso, deve deixar claro a finalidade do uso dessas informações. “A LGPD traz o conceito de consentimento, que é a manifestação livre, informada e inequívoca pela qual o titular concorda com o tratamento de seus dados pessoais para uma finalidade determinada”, pontua. A LGPD deve entrar em vigor a partir de agosto de 2020.

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A advogada conta que esse consentimento pode ser revogado pelo usuário. “O consentimento precisa ser específico, claro e pode ser revogado a qualquer tempo. Quando o consentimento do titular dos dados para o tratamento for obrigatório e a empresa não o possuir estará sujeita às sanções administrativas previstas no artigo 52 da LGPD. Ela pode variar desde advertência e bloqueio de uso dos dados, até multa de R$ 50 milhões por infração”, esclarece.

Multa de R$ 50 milhões pode ser aplicada aos empresários que desrespeitarem a LGPD

Empresários já estão se preparando para lidar com a LGPD

A Mobly, por exemplo, já está se organizando para poder analisar esses dados, de acordo com o que diz a nova legislação, conforme conta o diretor de infraestrutura da marca, Alessandro Sizenando. “Temos um comitê voltado ao tratamento do tema. Esse grupo é composto por profissionais de segurança da informação, advogados e controladores.”

O objetivo principal do Comitê é fazer um levantamento completo dos “gaps” e de ferramentas que podem ser usadas no processo, esclarece. Com isso, Sizenando diz que irão gerar um mapa de trabalho. “Convidamos diversas empresas que atuam na área de segurança e governança para discutir as melhores práticas. E também consultores jurídicos de diversos escritórios para entender os impactos legais”, revela.

Para ele, essa nova postura diante do uso de informações dos clientes não é negativa para o marketing ou pesquisa de mercado. “A Mobly acredita que o uso consciente e responsável dos dados do nosso cliente é uma obrigação. A legislação vem para ratificar essa preocupação que já temos.”

A dra. Viviana concorda e ressalta que a nova legislação não deve atrapalhar o trabalho das empresas e nem a inovação em soluções de marketing e pesquisa de mercado. “Não vejo como a LGPD possa impactar negativamente esses avanços. Essas análises, desde que estejam de acordo com a atividade desenvolvida e proposta pelas ferramentas digitais aos seus usuários e dentro do limite do proposto, permanecem plenamente possíveis”, conclui.

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