Fornecedores 358
17 JUNHO 2026 além da funcionalidade, eles represen- tam estilo de vida, pertencimento e memória afetiva.” Essa mudança de percepção acompa- nha uma transformação maior vivida pelo próprio setor. Em um mercado historicamente orientado por produto, preço e operação, a comunicação pas- sou a ocupar um papel estratégico na construção de marca e na relação com varejo e consumidor final. E Juliana viu essa mudança de perto quando reassumiu a operação da DJ em um momento de forte evolução digital do mercado. O primeiro desafio nessa retomada foi justamente o e-commerce da empresa – uma experiência que ela define como intensa e decisiva para aprofundar a leitura sobre comportamento de con- sumo no segmento moveleiro. Mais do que performance, o ambiente digital trouxe uma proximidade maior com o consumidor e uma nova capacidade de leitura estratégica. “Conseguimos ouvir mais o consumidor, entender dores, acompanhar tendências e transformar dados em estratégia.” Mais tarde, ao assumir toda a gestão de marketing da DJ, Juliana passou a atuar de forma mais integrada entre marca, cultura e relacionamento. Hoje, diz acreditar mais em construção coleti- va do que em controle. A defesa por uma atuação mais colaborativa aparece também na forma como Juliana descreve a relação entre marketing e as demais áreas da indús- tria. Em vez de um setor isolado, ela vê a comunicação como parte da estratégia de crescimento da empresa. “Quando as pessoas entendem o propósito das ações e percebem impacto real nos re- sultados, o marketing deixa de ser visto apenas como comunicação e passa a ser entendido como parte da estratégia de crescimento da empresa.” Essa integração ganhou força justamente em um dos momentos mais simbólicos da trajetória recente da DJ: a conquista do primeiro lugar em presença digital no Prêmio TopMóbile 2025. Para a gestora, o reconhecimento veio quando a em- presa deixou de tratar presença digital apenas como frequência de postagens e passou a trabalhar posicionamento de forma consistente. Segundo ela, o reco- nhecimento aconteceu quando a marca conseguiu criar uma conexão afetiva com o mercado. “Conseguimos transcender a ‘presença digital’ técnica e transformá-la em uma presença de marca afetiva no dia a dia do mercado.” Dentro de uma indústria B2B, Juliana reconhece que equilibrar comunicação para lojistas e consumidor final exige estratégias diferentes, mas acredita que existe um ponto em comum entre os dois públicos: confiança. “O cliente final quer inspiração, estética, desejo e soluções para o seu lar. O lojista, por sua vez, precisa de segurança comer- cial, inteligência de produto, relaciona- mento e rentabilidade.” Na prática, a estratégia busca fortale- cer valor nas duas pontas da cadeia. “Nossa estratégia consiste em nutrir o desejo no consumidor final para gerar demanda na ponta, enquanto entregamos dados e suporte para que o varejista sinta orgulho e segurança em nos ter na loja.” MATERNIDADE E LIDERANÇA Parte importante dessa visão mais humanizada sobre liderança surgiu justamente durante a pausa na carreira para a maternidade. Juliana afirma que a experiência transformou completa- mente sua forma de enxergar produti- vidade, gestão e relações profissionais. “Entendi que produzir bem não tem a ver com estar ocupada o tempo todo, mas sim com agir com intenção, foco e equilíbrio”, diz. A maternidade também trouxe novas habilidades para lidar com pressão, mudanças e gestão de pessoas. “Aprendi a lidar melhor com pressão, imprevistos e tomada de decisão rápida. Mas principalmente, aprendi sobre sensibilidade.” Hoje, essa percepção influencia dire- tamente sua forma de liderar equipes. “O portfólio faz parte de grandes negócios, mas o que realmente faz uma marca se destacar é a sua essência e como ela constrói suas relações ao longo do tempo. Pois para mim, o cliente sempre deverá estar ao centro do nosso negócio” Juliana Fernandes Romero Correia “Consigo enxergar pessoas além dos cargos e entender que resultados sustentáveis acontecem quando existe conexão, escuta e confiança dentro das equipes.” Atuando em um setor ainda predominantemente masculi- no, Juliana acredita que sua trajetória reforçou a importância de unir firmeza e sensibilidade na liderança. Ela tam- bém defende que ambientes diversos tendem a gerar decisões mais criativas e sustentáveis. Ao falar para o futuro, Juliana diz que busca fortalecer uma comunicação mais verdadeira e próxima das pessoas. “Mais do que métricas, o legado que quero deixar na DJ é o de uma marca viva, que se conecta de forma verda- deira com as pessoas e que expressa em cada detalhe.” Para mulheres que desejam ocupar posições de liderança na indústria, Juliana deixa uma mensagem direta: “Seja honesta e gentil com a sua jorna- da, ocupem os espaços sem tentar se moldar a formatos antigos. Nossa visão e nossa sensibilidade são forças de mercado fundamentais. Entendam que a autenticidade é uma forma de poder, e o mundo corporativo precisa dessa nossa perspectiva.”
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