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41 AGOSTO 2026 Freepik Avanço do EPS no setor está ligado a fatores industriais como redução de custo, leveza e viabilidade produtiva, mas sua presença no colchão diminui o ciclo de vida do produto em seus processos produtivos. O uso é permitido e regulamentado. A Por- taria nº 35/2021 do Inmetro exige que a composição esteja descrita na etiqueta do produto. Ainda assim, a discussão que cresce não é sobre legalidade, mas sobre compreensão. Na prática, o consumidor raramen- te associa o termo “poliestireno expandido” ao isopor, e muitas vezes, sequer percebe sua presen- ça. Embora ler a etiqueta seja uma etapa necessária, compreender o impacto real daqueles componentes é um desafio distinto. “Estamos falando de um material permitido, mas que ainda não é plenamente compreendido por quem compra. O consumidor precisa saber o que está dentro do colchão e como isso pode impactar o uso ao longo do tempo”, afirma Cleriane Lopes Denipoti, diretora-executiva do Instituto Nacional de Estudos do Repouso (Iner). O Instituto, que é criador do selo Pró-Espuma, passou a tratar o tema de forma mais direta com o público. O objetivo é esclarecer não apenas a presença dos mate- riais, mas como eles são avaliados dentro dos critérios de desempe- nho. “Hoje, conseguimos certificar tecnicamente as espumas porque existem ensaios específicos que medem comportamento ao longo do tempo, como deformação, resiliência e fadiga. Materiais como o EPS não atendem aos requisitos técnicos que consideramos ade- quados, como suporte ao corpo, a adaptação anatômica, a distribui- ção de pressão, a estabilidade e a manutenção do conforto ao longo do tempo”, defende Cleriane. A certificação não é obrigatória, trata-se de uma adesão voluntária das indústrias, mas ajuda a entender uma diferença: nem tudo o que compõe o colchão é avaliado sob os mesmos critérios. Enquanto espu- mas são projetadas para adaptação ao corpo e absorção de impacto, o EPS atua como base estrutural. Ele contribui para a sustentação e para o custo final do produto, mas não tem a mesma resposta dinâmica ao uso contínuo. É uma diferença que dificilmente aparece na loja. Na experiência de compra, o que pesa é a sensação imediata. O comportamento ao longo do tempo, quando o colchão é submetido a peso, movimento e uso repetitivo, só se revela depois. “Dependen- do da composição, podem surgir alterações como menor adaptação ao corpo, sensação de rigidez mais acentuada, retenção de calor e até apoio desigual ao longo do uso. Também pode acontecer perda de estabilidade e percepção de “que- bra” na estrutura interna, resultado da diferença de comportamento entre os materiais”, acrescenta Gui- lherme, especialista do Iner. Para fabricantes que optam por não utilizar EPS, o ponto principal está na previsibilidade do desempenho. Para a Colchões Castor, tradicional no setor e com mais de 60 anos de história, o EPS não é uma opção, pois consideram que compromete a qualidade da entrega. “Preço baixo pode ser um fator de decisão, mas o colchão precisa continuar entregan- do desempenho ao longo dos anos. Quando falamos de saúde, postura e qualidade do sono, o critério precisa ir além da primeira impressão. E o principal, o consumidor precisa saber”, afirma Hélio Antônio Silva, diretor da empresa. Outra fábrica, a Luckspuma, consi- dera o material nada adequado para produção. “Nós fabricamos produ- tos que atendam às normas técnicas do setor colchoeiro e não usamos o EPS. É um material rígido usado na composição dos colchões para redu- zir custos de produção. O problema é que este material compromete o suporte, o conforto e o alinhamen- to do corpo. O que vai dentro do colchão importa tanto quanto o que aparece por fora”, diz Anilton Flávio Ribeiro, gestor de negócios. O avanço do EPS no setor está ligado a fatores industriais como re- dução de custo, leveza e viabilidade produtiva. Em um mercado compe- titivo, essas características ajudam a ampliar o acesso ao produto. Mas o colchão, diferente de outros bens, não se esgota na compra. Ele é testado diariamente, ao longo de anos. E é nesse tempo que a composição interna deixa de ser detalhe técnico e passa a influenciar diretamente a experiência. O Iner questiona se o consumidor sabe identificar sua presença e entender o que isso significa no uso real? A resposta, por enquanto – segundo a entidade –, ainda está sendo construída entre etiquetas, testes técnicos e um mercado que começa a falar mais abertamente sobre o que, até pouco tempo, ficava escondido dentro do colchão.

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