Lojista 429
39 Móbile Lojista 429 | Junho 2026 | Ano XLIV exigem reorganização com recursos que nem sempre estão disponíveis. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), a cadeia do mobiliário reúne mais de 22,8 mil empresas, formadas em sua ampla maioria por companhias de menor porte, com menor capacidade de absorver variações abruptas de custo. No Paraná, o pano de fundo é um polo que depende de regularidade de produção e retenção de mão de obra. O presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Arapongas (Sima), José Lopes Aquino, avalia que a NR-1 pode ter efeito positivo ao colocar o tema em evidência. “O cuidar do ambiente de trabalho estará agora mais em evidência pelo ajuste da NR-1, gerando maior conscientização de todos, podendo melhorar o absenteísmo, o turnover e, por consequência, esperamos, a produtividade”, diz. O Sima representa uma base sindical de 42 cidades, mais de mil indústrias e aproximadamente 20 mil empregos diretos. O Iemi registra 199 unidades produtoras emArapongas em 2023, considerando apenas empresas com empregados formalizados; a estimativa do Sima chega a 400, porque inclui também pequenas operações familiares, especialmente na linha de poltronas, que não registram trabalhadores. O polo fatura acima de R$ 5 bilhões por ano e exporta cerca de 12% da produção para aproximadamente 60 países. É uma estrutura que depende de linha de produção funcionando com regularidade, turnos previsíveis e mão de obra retida. Segundo o Iemi, o Paraná empregava 40.182 trabalhadores diretos no segmento de móveis e colchões em 2025, e a mão de obra representa 19,9% do custo total de produção da indústria. Além disso, segundo o relatório Brasil Móveis 2024, da mesma instituição, 91,7% das empresas do segmento operam em turno único de oito horas diárias. Para quem trabalha seis dias nesse regime, a redução para cinco dias exigiria redistribuir horas alongando o turno ou contratar mais trabalhadores, o que torna qualquer mudança de escala um ajuste de grande impacto operacional. “Somos contra o fim da escala 6x1, pois isso encarecerá muito a produção das indústrias de móveis, que são, em sua grande maioria, pequenas e médias empresas”, afirma Aquino. A preocupação se estende à cadeia. Na indústria, o impacto é direto. Segundo nota técnica do Ipea publicada em fevereiro de 2026 com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2023, 97,7% dos trabalhadores da fabricação de móveis têm jornada contratual acima de 40 horas semanais, um dos percentuais mais altos entre os setores analisados, com aumento estimado de 9,71% no custo por hora trabalhada. No varejo, o efeito também aparece com força. Um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), em parceria com a FIA Business School, projeta queda de 5,5% na geração de riqueza para pequenas lojas de móveis e eletrodomésticos em caso de implantação imediata. Para o professor Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e responsável pela pesquisa, a explicação é estrutural: nas pequenas operações do segmento, 60% da geração de valor depende do fator trabalho e apenas 40% do capital. “Com a redução dos dias trabalhados, a loja perde horas de balcão, sendo obrigada a aumentar o quadro de funcionários para manter a loja aberta e o atendimento com a mesma qualidade”, explica. Saúde mental no trabalho: o que antes era pauta de RH agora integra a matriz de risco das empresas Adobe Stock
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