Lojista 429

41 Móbile Lojista 429 | Junho 2026 | Ano XLIV advogada trabalhista e previdenciária Priscila Arraes Reino, especialista em doenças ocupacionais e autora do livro Burnout tem lei. Mas Priscila destaca o que está em jogo: “O maior risco não é apenas uma multa. É a empresa não conseguir mostrar que tomou medidas para prevenir o adoecimento dos seus trabalhadores caso surjam afastamentos ou processos judiciais no futuro.” A mudança trazida pela norma é que empresas não podem tratar saúde mental como tema exclusivamente individual. “Antes, muitas faziam isso. Agora, a norma deixa claro que a organização também precisa olhar para fatores do ambiente de trabalho que podem contribuir para o adoecimento. Se ela não avaliou os riscos, não ouviu os trabalhadores e não adotou medidas de prevenção, fica mais difícil demonstrar que fez a sua parte”, diz Priscila. A norma não cria responsabilidade automática sobre todo caso de ansiedade ou depressão, mas aumenta o peso sobre empresas que não estruturaram prevenção. Com 25 anos de atuação na defesa de trabalhadores com doenças ocupacionais, Priscila descreve um padrão nas indústrias que acabam condenadas: sinais de alerta existiam, como aumento de afastamentos, alta rotatividade, queixas sobre excesso de trabalho e conflitos com liderança, mas não houve investigação de causa e correção de rota. “O que costuma fazer diferença não é a quantidade de documentos produzidos, mas a capacidade da empresa de transformar as informações que ela coleta em mudanças reais na organização do trabalho”, afirma. Na prática, evidenciar não é produzir mais papel, é conseguir demonstrar que a empresa enxergou o risco e agiu. O advogado e pesquisador Adriano Januzzi, especialista em riscos psicossociais da Associação Conselheiros TrendsInnovation, traduz o diagnóstico em termos práticos: “Fizeram reunião, mas não há ata. Treinaram, mas não há conteúdo nem avaliação. Mudaram a meta, mas não documentaram o motivo. Sabiam que havia sobrecarga, mas não criaram plano de ação.” No contencioso acidentário, a ausência mais grave é a desconexão entre risco conhecido e providência adotada – quando aparece padrão de afastamentos no mesmo setor ou metas incompatíveis com o quadro disponível, a empresa precisa demonstrar que enxergou e reagiu. Januzzi afirma que o caminho para indústrias de médio porte começa pelo simples bem feito, como mapear quais setores têm maior pressão de prazo, mais horas extras, mais afastamentos e mais conflitos. “Não é apenas cadeira, bancada e postura. É a forma como o trabalho é organizado”, define. A partir daí, montar uma matriz de risco psicossocial por setor e definir medidas concretas, como ajuste de meta, redistribuição de equipe, revisão de escala e canal de registro. “O erro é criar um formulário paralelo que ninguém preenche e que não muda nenhuma decisão”, alerta. Gazin Na Gazin, indicadores de turnover, absenteísmo e clima organizacional são monitorados continuamente para identificar sinais de sobrecarga antes que virem afastamento

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