Mobly avalia proposta de fundadores da Tok&Stok como inviável

Administração da Mobly destaca que oferta de aquisição apresenta descontos significativos e enfrenta resistência de acionistas majoritários

Publicado em 6 de março de 2025 | 08:30 |Por: Júlia Magalhães

A Mobly divulgou, na última terça-feira (4), um novo posicionamento sobre a proposta de oferta pública de aquisição de ações (OPA) recebida da Família Dubrule, dando sequência ao fato relevante anunciado em 1º de março de 2025.

Em reunião do conselho de administração, que contou com a participação da diretoria, foram discutidos os termos da carta de intenções enviada pelos empresários Régis Edouard Alain Dubrule, Ghislaine Thérèse de Vaulx Dubrule e Paul Jean Marie Dubrule, no dia 28 de fevereiro de 2025.

A Família Dubrule é conhecida por ser a fundadora da Tok&Stok, rede de móveis e decoração criada em 1978. Em 2012, venderam 60% da empresa para o grupo Carlyle, mas mantiveram uma participação minoritária. Em novembro de 2024, a Mobly adquiriu 61,11% da Tok&Stok, tornando-se sua controladora. Agora, a Família Dubrule busca reassumir o controle da Tok&Stok ao adquirir a Mobly, revertendo a estrutura atual.

A proposta da Família Dubrule foi simultaneamente enviada ao conselho da companhia e divulgada à imprensa. Entretanto, a administração da Mobly destacou que informações fundamentais, como a justificativa do preço por ação e o significativo desconto proposto, foram amplamente discutidas na mídia sem detalhamento na própria oferta formal encaminhada à empresa.

Régis e Ghislaine Dubrule | Crédito: Divulgação Tock&Stok

Condições e viabilidade da oferta

A administração da Mobly esclareceu que o valor por ação sugerido na proposta representa:

  • Um desconto de 51% em relação ao preço de fechamento do pregão de 28 de fevereiro de 2025 (R$1,39);
  • Uma redução de 53% sobre o preço médio das ações nos últimos 30 pregões (R$1,44);
  • Um desconto ainda mais expressivo de 82% sobre o valor patrimonial das ações em 30 de setembro de 2024 (R$3,87) e de 83% sobre o valor patrimonial de 30 de junho de 2024 (R$4,08), utilizado na última emissão de ações da companhia.

Além disso, a administração ressaltou que:

  • Os termos da proposta não são definitivos nem vinculantes, podendo ser alterados caso a OPA seja formalmente lançada;
  • A efetivação da oferta ainda depende da aprovação dos debenturistas da Tok&Stok, além da exclusão da cláusula de OPA estatutária, que exige oferta pública caso um acionista ultrapasse 20% do capital da companhia;
  • Acionistas representando 40,6% do capital da Mobly já indicaram que não têm interesse em vender suas ações nos termos propostos e votarão contra a mudança estatutária necessária para viabilizar a oferta.

Conclusão e próximos passos da Mobly

Com essas restrições, a administração da Mobly avalia que a proposta da Família Dubrule enfrenta obstáculos significativos para sua concretização, pois a participação mínima desejada pelos proponentes (69,2% do capital social) não seria atingida. Além disso, diferentemente do que foi divulgado na mídia, não há planos para uma nova capitalização da empresa neste momento. A companhia segue focada na execução de sua estratégia e na sinergia gerada pela aquisição da Tok&Stok.

O Conselho de Administração reforçou que analisará qualquer eventual OPA apenas se um edital formal for publicado, respeitando a regulamentação e o estatuto da companhia.

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