Fornecedoras comentam medidas dos EUA para o aço
Presidente Donald Trump, impõe taxação de 25% para importações de aço e alumínio para os Estados Unidos; fornecedoras comentam
Publicado em 14 de março de 2025 | 08:00 |Por: Thiago Rodrigo

As medidas tarifárias dos Estados Unidos contra a importação de aço do Brasil não impacta o segmento segundo a maioria das empresas consultadas nesta reportagem. O custo do aço, principal componente do aramado, não prejudicará o preço de venda dos aramados das empresas, talvez no aço inox. Em corrediças e dobradiças, há quem diz que gera efeito por conta da instabilidade do produto no globo.
As tarifas de 25% começaram a ser aplicadas no dia 12 de março sobre todas as exportações de aço e alumínio para os Estados Unidos, sem exceções ou isenções. O Brasil é um dos maiores exportadores de aço para o país. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), essa taxa terá impacto forte na indústria siderúrgica brasileira, mas pouco efeito na economia (0,01%), embora com perda de US$ 1,5 bilhão em exportações.
No setor moveleiro, o gerente da fabricante de aramados, Ivo Cansan, conta que o aço carbono é fabricado totalmente no Brasil e que o aço inox tem a interferência do mercado externo. “Porém, temos também a necessidade de um valor agregado de mão de obra, maquinário e acabamento alto, desta forma o impacto das grandes variações tem seu custo diluído mais facilmente”, opina Cansan.
Para Rodrigo Copat, gerente da Masutti Copat, a questão deve, em um primeiro momento, favorecer o mercado interno, pois deverá sobrar mercadoria reduzindo o preço a curto prazo. Posterior a isso, deverá ocorrer uma redução da produção por parte das siderúrgicas.
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“De certa forma, para o mercado interno, penso que não será prejudicado. Mas parece que as siderúrgicas brasileiras é que serão mais prejudicadas. Aproveito para destacar que não sou economista, apenas a opinião de um empreendedor”, avalia.
Já a Schmitt, segundo Eduardo Cavassola, analista de marketing, adota estratégias eficazes para minimizar os efeitos do custo do aço por meio de inovações tecnológicas e otimização de processos, garantindo a competitividade e a qualidade de seus produtos.
“Em relação às medidas tarifárias dos Estados Unidos contra a importação de aço do Brasil, a empresa não enxerga esse cenário como um obstáculo para suas operações. Ela acompanha atentamente os desdobramentos dessa questão e adota medidas estratégicas para neutralizar qualquer impacto”, diz o analista de marketing.
A empresa segue focada no aprimoramento contínuo de suas operações, mantendo a qualidade e a competitividade de seus produtos no mercado global. A gestão eficiente de custos e o fortalecimento das parcerias comerciais são prioridades da marca, assegurando a continuidade do crescimento e do sucesso da empresa.
Aço para corrediças e dobradiças
O aço é um dos principais componentes das corrediças e dobradiças e sua variação de preço pode influenciar os custos de produção. Para Andreza Finzetto Ferreira, arquiteta e consultora da Blum, é muito cedo para dimensionar o impacto nos preços à luz das medidas protecionistas previamente anunciadas. “A tendência é como sempre, o mercado se adaptar às regras do jogo. No entanto, a Blum segue investindo em tecnologia e inovação para manter a competitividade no mercado”, assinala.
Para Luciano Lovison Sartori, gerente nacional de vendas da Unidade Componentes para Móveis da Soprano, as medidas tarifárias dos Estados Unidos sobre a importação de aço do Brasil certamente afetam o setor, pois geram instabilidade no mercado global de aço.
“A maior parte das corrediças e dobradiças vendidas no Brasil são importadas da China. Embora essas tarifas não resultem diretamente em aumento de tributos no Brasil, elas podem influenciar os custos globais da matéria-prima, o que pode levar a reajustes de preços no mercado brasileiro”, opina.
Só que além disso, mesmo o custo do aço sendo um dos fatores que influenciam o preço de venda, há outras variáveis com impacto ainda mais volátil, como o frete marítimo e as oscilações cambiais do dólar, aponta Sartori. “Nos últimos anos, o aumento do custo do frete marítimo teve um impacto mais significativo do que o próprio custo do aço”, diz.