Confira situação tarifária dos móveis brasileiros nos EUA

Tarifas dos EUA seguem pressionando exportações de móveis brasileiros, apesar de nova base legal; veja avaliação e posicionamento da Abimóvel

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 | 10:45 |Por: Thiago Rodrigo

As empresas do setor moveleiro brasileiro ainda avaliam com cautela o anúncio recente da sobretaxa global de 15% baseada na Seção 122 da legislação comercial dos Estados Unidos. Embora a Suprema Corte norte-americana tenha declarado ilegal o uso da IEEPA para imposição de tarifas abrangentes, o governo dos EUA adotou novas bases jurídicas para sustentar medidas protecionistas, mantendo um ambiente comercial externo marcado por elevada incerteza.

No caso específico da indústria brasileira de móveis, o entendimento inicial é de que o impacto direto da Seção 122 tende a ser limitado. A maior parte dos móveis de madeira exportados pelo Brasil passou a ser enquadrada como “derivative products de timber e lumber”, permanecendo principalmente sujeita às medidas previstas na Seção 232, associadas a argumentos de segurança nacional.

– Situação Tarifária do Setor de Móveis Brasileiros nos Estados Unidos

A Proclamação de 29 de setembro de 2025 ampliou o escopo da Seção 232 para abranger madeira, produtos derivados e itens transformados que utilizam madeira como insumo relevante. Com isso, móveis de madeira classificados no Capítulo 94 do HTSUS passaram a integrar o alcance da medida e continuam sujeitos à tarifa adicional, atualmente o principal fator tarifário para o setor. Em regra geral, produtos abrangidos pela Seção 232 não acumulam automaticamente com a sobretaxa da Seção 122, exigindo análise individual por código tarifário específico. Permanece, ainda, como elemento de atenção a investigação conduzida sob a Seção 301, que pode resultar na aplicação seletiva de novas tarifas no futuro.

Desde a escalada tarifária iniciada em abril do ano passado, os dados da balança comercial brasileira apontam impacto expressivo nas exportações de móveis para os Estados Unidos. As vendas externas ao mercado americano registraram queda próxima de 25%. Considerando cancelamentos de pedidos, renegociações comerciais e aumento de estoques, o impacto econômico estimado para o setor situa-se entre US$ 70 milhões e US$ 90 milhões. Em alguns meses imediatamente posteriores ao início das medidas, as retrações chegaram a variar entre 22% e 28% na comparação anual.

Abimóvel

Cândida Cervieri diretora-executiva da Abimóvel

Esse cenário levou empresas a promover ajustes operacionais relevantes, incluindo a suspensão temporária de turnos nas companhias mais dependentes do mercado norte-americano. Parte significativa das indústrias também adotou postura mais conservadora nas negociações comerciais. Estima-se que cerca de 30% das tratativas com compradores dos Estados Unidos estejam atualmente em compasso de espera, aguardando maior clareza regulatória sobre o enquadramento tarifário e os desdobramentos da investigação sob a Seção 301. Apesar das avaliações positivas do governo norte-americano quanto ao novo arranjo tarifário, o setor entende que a variável mais relevante no curto prazo continua sendo a Seção 232, que não possui limite temporal definido, ao contrário da sobretaxa da Seção 122, de caráter temporário.

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Nesse contexto, conforme pontua Cândida Cervieri, diretora-executiva da Abimóvel, a entidade, juntamente com seus representantes legais, acompanhará a agenda da visita presidencial brasileira e as discussões bilaterais previstas para março nos Estados Unidos, em articulação com o governo federal. A entidade seguirá contribuindo tecnicamente para o diálogo em torno da previsibilidade regulatória, da segurança jurídica e da avaliação das medidas que impactam a competitividade das exportações de móveis brasileiras.

 

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