Finanças pessoais são desafio para o consumidor idoso de móveis

Especialista em assessoria previdenciária acredita que o endividamento do consumidor idoso afetará cada vez mais o mercado moveleiro

Publicado em 10 de março de 2026 | 12:00 |Por: Julia Magalhães

Consumidor idoso já entrou no radar de diferentes setores da economia brasileira, e o mercado de móveis tende a ser um deles nas próximas décadas. A projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que o Brasil terá 75,3 milhões de idosos em 2070. Hoje, esse público já representa cerca de 31,8 milhões de pessoas, segundo levantamento da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

O avanço dessa faixa etária na composição da população amplia o potencial de consumo, mas também impõe desafios objetivos ao varejo. Entre eles, está a limitação de renda. Pesquisa da Serasa realizada com mais de 470 idosos mostra que seis em cada dez entrevistados têm dificuldade para manter o padrão de vida com a renda atual.

Além disso, o estudo aponta que parte relevante desse público tem recorrido ao crédito para equilibrar o orçamento. Mesmo entre aposentados que se consideram financeiramente responsáveis, há registros de contratação de empréstimos e percepção de maior instabilidade financeira. Nesse contexto, o comprometimento da renda pode reduzir o espaço para compras de maior valor, como móveis e itens para a casa.

Para o mercado moveleiro, o dado acende um alerta. Isso porque o envelhecimento da população pode ampliar a importância do consumidor idoso no mercado, mas não elimina o impacto direto das condições financeiras sobre a decisão de compra.

Renda sob pressão

De acordo com o CEO da Trentini Assessoria Previdenciária, Natã Trentini, o endividamento dos aposentados tende a afetar de forma mais visível o varejo nos próximos anos. Segundo ele, móveis costumam exigir desembolso maior e, por isso, dependem de alguma margem financeira disponível por parte do consumidor.

“A gente sabe que um móvel é um bem de maior preço. Em muitos casos, o idoso fará a compra usando um cartão de crédito ou um carnê. Se ele recorreu a um empréstimo consignado antes, terá menos margem para a compra e provavelmente não comprará o móvel”, opina.

Na avaliação de Trentini, o cenário de juros elevados agrava esse processo. Com parte da renda já comprometida por financiamentos e empréstimos, a tendência é que despesas consideradas adiáveis sejam postergadas. Entre elas, entram a troca de mobiliário, reformas e a renovação de ambientes domésticos.

“Estamos em um cenário de juros elevados. Com os consumidores mais endividados, é esperado que o varejo passe a sentir essa pressão de maneira crescente. O ideal é que os idosos busquem a revisão de suas aposentadorias, algo que é possível em muitos casos”, revela.

Natã Trentini, CEO da Trentini Assessoria Previdenciária, avalia que o endividamento do consumidor idoso pode impactar as vendas de móveis | Crédito: divulgação

Consumidor idoso

Segundo o especialista, uma das alternativas para recompor a renda é a revisão de benefícios previdenciários. O procedimento recalcula os valores pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) quando há indícios de que o aposentado recebe menos do que deveria. Em alguns casos, além do reajuste mensal, também há pagamento retroativo referente aos últimos cinco anos.

A possibilidade, segundo Trentini, pode alterar o poder de compra de parte desse público. “Eu acredito que a revisão é a iniciativa que tem mais potencial para contribuir com o poder de compra dessa fatia de consumidores. Nós já vimos isso aqui na Trentini. Idosos que reformaram e mobiliaram suas casas apenas com o dinheiro da revisão, sem depender de crédito”, revela o CEO.

O tema reforça uma discussão que tende a ganhar espaço no setor. De um lado, o consumidor idoso deve se tornar numericamente mais relevante para o mercado de móveis. De outro, a capacidade de consumo dessa parcela da população seguirá condicionada por renda, acesso ao crédito e comprometimento financeiro.

Nesse cenário, o avanço da população idosa no País coloca diante do varejo moveleiro uma equação clara: entender o peso desse público no consumo futuro exigirá observar não só a mudança demográfica, mas também os limites econômicos que hoje já influenciam suas decisões de compra.

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