Acidentes de trabalho em marcenarias levantam debate sobre proteção previdenciária
Acidentes de trabalho em marcenarias: jovem marceneiro morreu em marcenaria paulista; sem registro em carteira e sem contribuição social, profissionais e suas famílias podem ficar desempregados financeiramente
Publicado em 22 de abril de 2026 | 08:00 | Por: Thiago Rodrigo

Uma tragédia ocorrida no ano passado, em uma marcenaria na cidade de Sorocaba (SP), levanta a importância do debate sobre segurança no trabalho e planejamento previdenciário para marceneiros, além da prevenção em acidentes de trabalho em marcenarias.
O jovem Ryan Thiago Antunes de Oliveira, de apenas 18 anos, morreu no seu primeiro dia de trabalho, após ser atingido por uma pilha de placas de madeira (MDF). Ryan ficou três meses internado e faleceu em setembro de 2025.
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O caso chamou a atenção por vários indícios de negligência. A empresa não registrou o ocorrido como acidente de trabalho. Ryan também não tinha registro em carteira de trabalho e atuava de maneira informal. O caso é investigado pela Polícia Civil.
Esse acidente ilustra uma triste realidade do País: jovens de até 34 anos concentram 33,63% das mortes por acidentes de trabalho, segundo o Ministério do Trabalho (MT). Em 2025, mais de 1,6 mil pessoas morreram vítimas de acidentes de trabalho, ainda segundo dados oficiais.
Especialista afirma: INSS não é inimigo, mas aliado dos marceneiros
Natã Trentini é CEO da Trentini Assessoria Previdenciária, atuando no setor há mais de 10 anos. Ele explica que jovens trabalhadores têm negligenciado sua proteção na hora de trabalhar, o que coloca em risco além de sua saúde as finanças pessoais:
“O trabalho informal tem um custo alto quando as pessoas se acidentam ou adoecem. Tem sido comum ver jovens trabalhadores que não querem contribuir ao INSS, nem mesmo pagando a contribuição mínima, como MEI.
Essa contribuição, que hoje é de cerca de R$80 por mês, já é suficiente para pagar a essa pessoa um salário-mínimo, em caso de doença ou acidente de trabalho. Ainda assim, muitas pessoas não querem pagar e só descobrem que cometeram um erro quando ficam sem renda nenhuma”, comenta.
Pensão por Morte e Aposentadoria podem ser fundamentais para as famílias
Natã ainda explica que a contribuição inicial é a mais acessível, mas não significa que os marceneiros devam se contentar com ela. “Eu aconselho fortemente que marceneiros autônomos tenham no mínimo um MEI aberto. Agora, se eles puderem pagar além do valor inicial, é melhor. Isso garante benefícios mais altos. Por exemplo, na pensão por morte. Imagine uma família que dependia do salário de uma pessoa que ganhava R$ 5 mil e agora vai receber apenas um salário-mínimo de pensão. Isso tem um forte impacto no orçamento familiar. Também tem a aposentadoria. É fácil falar que não precisa dela quando se é jovem, mas a idade chega um dia”, reflete.







