Confiança no varejo oscila e mantém cautela

Confiança no varejo mostra cenário misto em março, com ICC em 88,1 pontos e queda no ICOM, refletindo incerteza e crédito restrito

Publicado em 13 de abril de 2026 | 07:57 |Por: Julia Magalhães

A confiança no varejo voltou a oscilar em março e reforçou um ambiente de cautela para o comércio, especialmente no segmento de móveis. Os indicadores do período revelam um cenário misto: enquanto o consumidor demonstrou leve melhora nas expectativas, empresários e varejistas mantiveram uma percepção mais conservadora diante das condições atuais.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) avançou 2,0 pontos, alcançando 88,1 pontos após duas quedas consecutivas. O resultado foi impulsionado exclusivamente pelo componente de expectativas, que subiu 3,4 pontos. Em contrapartida, o Índice de Situação Atual recuou 0,3 ponto, sinalizando que a percepção sobre o presente ainda segue pressionada.

Segundo a economista do FGV IBRE, Anna Carolina Gouveia, a melhora está associada à redução do pessimismo das famílias. O movimento reflete fatores como emprego, renda, inflação e juros. Entre os destaques, o indicador de situação financeira futura da família avançou 6,5 pontos. Já o indicador de compras previstas de bens duráveis — diretamente ligado ao setor moveleiro — teve alta de 1,1 ponto, indicando uma demanda ainda dependente das condições de crédito.

Confiança no varejo

Em sentido oposto, a confiança no varejo medida pelo Índice de Confiança do Comércio (ICOM) recuou 2,7 pontos em março, atingindo 84,6 pontos. Trata-se da segunda queda consecutiva do indicador, puxada principalmente pela piora nas expectativas.

O Índice de Expectativas do Comércio caiu 4,4 pontos, atingindo o menor nível desde setembro de 2025. De acordo com a economista do FGV IBRE, Geórgia Veloso, o resultado indica aumento do pessimismo em relação aos próximos meses, sobretudo quanto à tendência dos negócios.

O indicador que mede essa percepção recuou 5,7 pontos e acumula três quedas seguidas. Além disso, as perspectivas de vendas para os próximos três meses também perderam força, com retração de 2,9 pontos.

No campo atual, o cenário também mostrou enfraquecimento. O Índice de Situação Atual do comércio caiu 0,8 ponto, com destaque para o indicador de demanda, que atingiu o menor nível desde 2020. O dado reforça a leitura de que o consumo ainda não acompanha o desempenho do mercado de trabalho.

Ambiente de incerteza

A confiança no varejo também é impactada pelo ambiente macroeconômico. A prévia do Índice de Confiança Empresarial (ICE) indicou queda de 0,4 ponto em março, novamente influenciada pela piora nas expectativas. O Índice de Expectativas Empresariais recuou 1,1 ponto, enquanto o indicador de situação atual registrou leve alta.

O movimento sugere estabilidade no presente, mas com projeções mais cautelosas para os próximos meses. Ao mesmo tempo, o Indicador de Incerteza da Economia avançou 3,6 pontos na prévia do mês.

Esse aumento está relacionado ao cenário internacional, marcado por tensões geopolíticas, além da maior dispersão nas expectativas econômicas. O volume de notícias sobre o tema também contribuiu para elevar o indicador.

Diante desse contexto, o varejo de móveis segue operando em um ambiente sensível. Embora haja sinais de melhora na percepção do consumidor, a combinação de crédito restrito, endividamento das famílias e incerteza econômica ainda limita uma recuperação mais consistente.

Assim, março reforça a necessidade de equilíbrio na estratégia do setor. A confiança no varejo aponta espaço para estímulo à demanda, mas também exige atenção às condições de mercado no curto prazo.

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