Brazilian Furniture no Salão do Móvel de Milão 2026
Brazilian Furniture leva mais de 70 marcas, designers e novos talentos ao Salão do Móvel de Milão 2026
Publicado em 22 de abril de 2026 | 08:00 |Por: Thiago Rodrigo

Criar e apresentar um produto já não basta. É preciso revelar de onde ele vem, que memória carrega, que solução oferece e que futuro projeta. Em 2026, é a partir dessa compreensão que o Brasil chega ao Salone del Mobile.Milano sob o tema “Conexões”, apresentando o mobiliário brasileiro como resultado do encontro entre indústria, design, território, pesquisa, riqueza material, diversidade cultural e potência produtiva.
Com uma delegação de mais de 70 marcas, designers e novos talentos, o Projeto Setorial Brazilian Furniture — iniciativa da Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) — leva a Milão uma presença organizada em três frentes complementares: exposição comercial; mostra que reúne colaborações entre designers e fabricantes; e exibição de peças premiadas e reconhecidas no 1º Prêmio Design da Movelaria Nacional, que agora ganham o mundo.
Conexões: do Brasil para o mundo
A escolha do tema em 2026 não é apenas uma moldura. Falar em “Conexões”, no contexto do maior evento internacional do setor, é falar de uma rede de saberes, recursos e articulações que hoje define relevância, originalidade e competitividade no mercado global.
“O tema ‘Conexões’ nasceu da percepção de que o valor do design não está concentrado somente na forma final de um produto. Ele está na rede de relações que sustenta essa forma: a origem da matéria, a inteligência produtiva, a cultura que atravessa o projeto, a tecnologia empregada, o storytelling que acompanha a peça e a maneira como tudo isso é apresentado e circula no mercado. Ao escolhermos esse tema, queremos mostrar que o mobiliário brasileiro contemporâneo é, antes de tudo, resultado de encontros”, pontua Cândida Cervieri, diretora-executiva da Abimóvel.
A Matter of Salone: materiais no centro
Não por acaso, o próprio iSaloni chega à sua 64ª edição organizado em torno do conceito “A Matter of Salone”, recolocando a matéria-prima no centro do debate como origem, memória, processo e construção de sentido. É nesse ambiente que o Brasil se apresenta em sintonia com uma questão que atravessa toda a cadeia: como dialogar com o mercado internacional sem diluir as singularidades que tornam sua produção autêntica e reconhecível?
O móvel brasileiro distingue-se justamente pela maneira como traduz, em desenho e materialidade, valores da cultura local, como: convivência, acolhimento, mistura de ritmos, sotaques, biomas, símbolos e referências, uso inteligente e sustentável das matérias-primas nativas, integração entre espaços e abertura ao novo sem ruptura com as tradições. Ou seja, o Brasil tem um patrimônio material e cultural vastíssimo, mas isso só se converte em valor quando passa por desenho, engenharia, curadoria de portfólio, posicionamento e leitura de mercado.
– J Serrano busca reconexão com setor
O que se verá em Milão é, portanto, uma matéria-prima que passa por pesquisa, transformação industrial, desenho, acabamento, ergonomia, funcionalidade e estratégia de mercado. Isso é fundamental. Não se trata de exibir uma individualidade material, mas de revelar processos consistentes de conversão de matéria em produto contemporâneo, competitivo e internacionalmente legível.
É aí que o design brasileiro ganha força: quando mostra que origem e sofisticação não são opostos, mas partes da mesma construção. O resultado é um setor que não busca reconhecimento apenas pela imagem do produto “feito no Brasil”, mas pela consistência de sua diversidade, pela sofisticação de sua linguagem projetual, por sua capacidade de adaptação em um cenário global em transformação… por suas conexões!
“Isso quer dizer que o setor moveleiro no Brasil vem amadurecendo sua compreensão de que competitividade internacional não se constrói apenas com escala ou preço, mas com posicionamento, consistência de linguagem, diferenciação e capacidade de traduzir ativos culturais e produtivos em valor percebido”, reforça Cândida. “‘Conexões’ nos permite, assim, organizar essa visão de país e de setor. Em vez de apresentar o Brasil como um conjunto disperso de marcas e peças, apresentamos um panorama integrado do que temos, somos, criamos e produzimos”, completa.
Identidade brasileira em matéria, repertório, linguagem e produto
Na prática, “Conexões” se manifesta em múltiplas camadas. Está na relação entre materiais e técnicas, quando superfícies e acabamentos são trabalhados não apenas como estética, mas como linguagem. Está também na relação entre designers e fabricantes, como se vê na Mostra Design + Indústria, em que diferentes visões de projeto, referências geográficas e repertórios culturais encontram distintas capacidades produtivas. E está, ainda, nas marcas expositoras, vindas de várias regiões do país, com vocações diversas, mas convergentes em um mesmo objetivo: criar um mobiliário capaz de dialogar com o mundo sem perder sua identidade brasileira.
Há também uma tradução mais sutil, mas igualmente importante: a maneira como os produtos brasileiros lidam com a ideia de convivência. Em boa parte do mobiliário nacional, há uma preocupação muito clara com acolhimento, fluidez entre ambientes, uso inteligente do espaço, conforto aliado à leveza visual e uma relação mais sensorial com a matéria. Isso vale para peças de living, áreas externas, ambientes de cozinha, banho e objetos de decoração. Quando se fala em conexões, fala-se também dessa capacidade de produzir móveis e objetos que articulam espaços, épocas e estilos.
“Esse diálogo é muito natural para o Brasil. O país tem uma cultura material muito forte e extremamente plural. Temos uma relação histórica com madeiras, fibras, pedras, têxteis, couros, barro, cerâmica, entre tantos outros. Mas o mais importante talvez não seja a disponibilidade desses materiais, e sim a capacidade de atribuir sentido a eles por meio do design e da indústria. O conceito do iSaloni neste ano valoriza a matéria-prima como origem e significado; o mobiliário brasileiro responde a isso mostrando que matéria, para nós, nunca foi apenas substância. Ela é também território, memória, técnica, repertório e identidade”, enfatiza mais uma vez a diretora-executiva da Abimóvel.
Expositores brasileiros no Salão do Móvel de Milão
A Exposição de Marcas e Produtos Brasileiros é a principal vitrine do país no iSaloni. Distribuída por três espaços da feira — Espaço Brasil (Pavilhão 03), EuroCucina (Pavilhão 02) e o Salão Internacional do Banho (Pavilhão 10) —, a ação apresenta a brasilidade por meio de materiais, técnicas e propostas que expressam essa pluralidade e a versatilidade do mobiliário contemporâneo criado e produzido no país.








