Varejo perde ritmo em abril e móveis têm maior queda
Varejo cresce 5,4% no acumulado do ano, mas móveis e eletrodomésticos registram a maior retração mensal em abril, diz levantamento da Stone
Publicado em 13 de maio de 2026 | 08:12 |Por: Julia Magalhães

O varejo brasileiro recuou 0,2% em abril na comparação com março, segundo dados do Índice do Varejo Stone (IVS), divulgado pela Stone. Entre os segmentos analisados, móveis e eletrodomésticos registraram a maior queda mensal, com retração de 1,8%, em um cenário ainda pressionado pelo crédito restrito e pelo elevado endividamento das famílias.
Na comparação anual, porém, o setor mantém crescimento de 5,4%, indicando um consumo ainda sustentado em parte pelo mercado de trabalho aquecido.
De acordo com o economista e pesquisador da Stone, Guilherme Freitas, o resultado de abril mostra uma desaceleração após a recuperação observada no mês anterior, mas sem sinalizar uma reversão do cenário de crescimento.
“O resultado de abril mostra uma acomodação após a recuperação observada no mês anterior, mas o consumo segue sustentado. Esse desempenho, no entanto, é desigual entre os segmentos: aqueles mais ligados à renda das famílias continuam avançando, refletindo um mercado de trabalho ainda aquecido, enquanto os mais dependentes de crédito enfrentam maior dificuldade, diante de condições financeiras mais restritivas”, afirma.
Segundo Freitas, o custo elevado do crédito continua afetando principalmente setores de consumo financiado, caso de móveis e eletrodomésticos.
“Mesmo com a renda sustentada, o alto nível de endividamento das famílias e o custo do crédito ainda limitam uma recuperação mais consistente. Com isso, o varejo mantém um quadro de crescimento, porém com resultados mistos e sem mudanças relevantes no cenário macroeconômico mais amplo”, acrescenta.
Móveis em queda
Entre os oito segmentos analisados pelo levantamento, apenas dois registraram crescimento em abril na comparação mensal. O maior avanço ocorreu em combustíveis e lubrificantes, com alta de 2,2%. Na sequência aparecem hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com crescimento de 1,9%.
Nos demais setores, o desempenho foi negativo. O segmento de móveis e eletrodomésticos liderou as perdas do mês, com retração de 1,8%. Também recuaram tecidos, vestuário e calçados (-0,8%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,7%), livros, jornais, revistas e papelaria (-0,5%), artigos farmacêuticos (-0,2%) e material de construção (-0,1%).
O desempenho de móveis reforça o impacto das condições financeiras sobre categorias mais dependentes de parcelamento e crédito ao consumidor. Apesar disso, no acumulado anual, o segmento apresenta estabilidade, com leve queda de 0,1%.
Na comparação anual, o varejo registrou crescimento em seis dos oito segmentos avaliados. Combustíveis e lubrificantes lideraram pelo segundo mês consecutivo, com alta de 14,4%, seguidos por material de construção (7,4%), artigos farmacêuticos (6,4%) e hipermercados e supermercados (6,1%).
Crescimento desigual
Regionalmente, 25 estados apresentaram crescimento anual nas vendas do varejo em abril. Os maiores avanços foram registrados no Acre, com alta de 11,5%, Rio de Janeiro (9,6%), Roraima (8,2%) e Amazonas (7,5%).
As únicas retrações ocorreram em Alagoas (-3,7%) e Rio Grande do Sul (-0,1%). Para Freitas, os dados mostram que a recuperação do varejo segue desigual entre os estados e ainda depende de fatores locais ligados à renda, emprego e crédito.
“Os dados regionais de abril mostram que o crescimento do varejo também se distribui de forma desigual entre os estados. O desempenho é mais forte em regiões como Norte e Sudeste, enquanto outras apresentam avanços mais moderados e, em alguns casos, retração. Essas diferenças refletem dinâmicas locais de renda, mercado de trabalho e acesso ao crédito. De forma geral, o varejo segue em expansão, mas ainda sem uma aceleração suficiente para caracterizar uma recuperação mais consistente e homogênea no País”, avalia.
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