Kits Paraná: gestão horizontal, crescimento estruturado
Com novo modelo decisório, fortalecimento do portfólio e avanço consistente nas exportações, Kits Paraná reposiciona marca e consolida nova fase de crescimento
Publicado em 20 de maio de 2026 | 07:44 |Por: Julia Magalhães

Assumir a presidência de uma empresa com quase seis décadas de história exige mais do que continuidade. Exige direção. Quando Evaldo Arruda chegou ao comando da Kits Paraná, em agosto de 2021, o desafio não era apenas administrativo. Tratava-se de redefinir modelo, ritmo e cultura organizacional em um setor cada vez mais pressionado por velocidade, inovação e eficiência.
Com trajetória iniciada em 1989 e passagem por praticamente todos os setores da companhia – da área operacional à diretoria financeira –, Arruda conhecia a estrutura por dentro. A mudança, portanto, não partiu de uma ruptura abrupta, mas da leitura de que o setor exige novas respostas estratégicas e maior capacidade de adaptação. Como ele resume, “aquilo que nos trouxe até aqui não é o que vai nos levar para os próximos 60 anos”.
A principal transformação ocorreu no modelo de gestão. A estrutura vertical deu lugar a um formato horizontal, baseado em autonomia orientada por metas e indicadores. Um grupo de gestores – chamados internamente de “guardiões” – passou a dividir decisões estratégicas e operacionais, cada um responsável por seu orçamento e resultados, acompanhados em reuniões semanais. Nesse contexto, ele defende que “é melhor tomar dez decisões e acertar sete do que tomar duas e acertar uma. Velocidade hoje é fundamental”, sintetizando a lógica do novo momento.
A transição exigiu ajustes culturais. Foram três anos de implementação de métricas, definição de responsabilidades e amadurecimento do modelo. A autonomia concedida às equipes é acompanhada por metas claras e acompanhamento constante. Para Arruda, “sem informação você não vai para lugar nenhum. Trabalhamos com números, objetivos e metas muito bem definidos”.
Kits Paraná: pessoas no centro da estratégia
Se a governança mudou, o eixo estratégico escolhido foi ainda mais estrutural: pessoas. A empresa, que reúne atualmente cerca de 400 colaboradores em suas unidades, passou a investir de forma mais sistemática em integração, reconhecimento e desenvolvimento interno. Na visão do presidente, “nós não criamos empresas de sucesso. Nós desenvolvemos pessoas. E essas pessoas criam empresas de sucesso”.
A valorização interna se traduz em metas compartilhadas, políticas de premiação e maior proximidade entre liderança e equipes. Para o executivo, o maior desafio da indústria hoje não está em tecnologia ou equipamento, mas em atrair e manter talentos. “Equipamento você compra. Processo você aprende. Mas se você não tiver gente que queira estar aqui, nada funciona”, afirma.
Na prática, essa cultura reflete diretamente no relacionamento com o varejo. Atendimento, agilidade na solução de problemas e postura comercial são consequência do ambiente interno. Segundo Arruda, “se a pessoa trabalha feliz aqui, ela transfere isso para o lojista”.

Evaldo Arruda defende cultura baseada em desenvolvimento de pessoas como eixo da nova fase da empresa | Crédito: Divulgação Kits Paraná
Pesquisa orienta reposicionamento
Logo no início da nova fase, a empresa realizou uma pesquisa nacional com mais de 2,2 mil entrevistados entre lojistas e consumidores finais. O diagnóstico mostrou forte relevância junto ao canal de vendas, mas baixo reconhecimento espontâneo entre consumidores.
O dado funcionou como ponto de inflexão. A estratégia passou a priorizar comunicação, fortalecimento de marca e posicionamento mais claro como empresa lançadora de tendências. Nesse processo, “o lojista precisava enxergar a marca como referência em lançamento, não apenas como fornecedora de produto”.
A partir desse direcionamento, marketing e design ganharam protagonismo. A companhia estruturou duas frentes produtivas independentes – a linha popular e a linha alta (Ink Planejados) – com parques fabris separados e propostas distintas, mas complementares.
A lógica é estratégica: tendências desenvolvidas na linha alta podem ser traduzidas, posteriormente, para a linha popular, respeitando escala produtiva, posicionamento e perfil de público. Foi o que ocorreu com a linha Colors, que trouxe opções cromáticas inspiradas no mercado superior para um público mais amplo. Movimento semelhante ocorreu com a linha Caramelo, que antecipou uma direção estética hoje reforçada em feiras nacionais e internacionais. Para ele, “inovação é ponto forte da gente. Sempre vai ter cópia, mas isso não nos desanima”.
Exportação como pilar de equilíbrio
Outro vetor importante de crescimento está na internacionalização. Atualmente, cerca de 30% da produção da Kits Paraná é destinada ao mercado externo, com presença em mais de 30 países, especialmente na América Latina, América Central e África.
A estratégia priorizou diversificação de clientes e consistência de compra, reduzindo dependência de grandes compradores isolados. “Exportação é trabalho de longo prazo. Primeiro vem a confiança, depois a recorrência”, afirma.
Além de ampliar receita, o mercado externo funciona como mecanismo de equilíbrio diante das oscilações do cenário interno, marcado por sazonalidades e impactos macroeconômicos. A diversificação geográfica passou a integrar a lógica estrutural da empresa, não apenas como alternativa pontual.
Crescimento com consistência
Em um ambiente de competição acirrada e mudanças cada vez mais rápidas no mercado, a Kits Paraná aposta na combinação entre agilidade decisória, consistência de portfólio e cultura organizacional sólida para sustentar crescimento.
O posicionamento atual busca unir design, atualização constante de mix e clareza estratégica. A empresa sinaliza que novos lançamentos devem ser apresentados ao longo do ano, mantendo o foco em inovação contínua. Como ele sintetiza, “o ego alto derruba empresas. Quando a equipe ganha, todo mundo cresce junto”.
Mais do que uma reestruturação administrativa, a nova fase da companhia se ancora na ideia de desenvolvimento contínuo – de pessoas, processos e produtos. Em um setor que exige velocidade e adaptação, a gestão horizontal e o investimento em capital humano passam a operar como ativos competitivos.
Para o lojista, a leitura é objetiva: portfólio atualizado, atendimento mais ágil e marca com posicionamento claro. Em um mercado que exige diferenciação, estratégia e coerência interna tornam-se parte essencial da entrega externa.
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