Consumo de móveis deve avançar com força da classe C

O consumo de móveis acompanha mudança no perfil econômico brasileiro, com classe C liderando gastos e Sul retomando protagonismo nacional

Publicado em 28 de maio de 2026 | 08:04 |Por: Julia Magalhães

Consumo de móveis tende a ganhar novo impulso em 2026 diante da mudança no perfil econômico brasileiro. Dados do IPC Maps apontam que a classe C assumirá, pela primeira vez, a liderança do potencial de consumo nacional, concentrando 36,9% de todos os gastos previstos no País ao longo do ano.

Segundo o levantamento, a economia brasileira deve movimentar R$ 8,6 trilhões este ano, com crescimento real estimado em 2,3%. Apesar do avanço considerado tímido, o estudo identifica transformações importantes no comportamento de consumo, especialmente entre as famílias urbanas e economicamente ativas.

Para o mercado moveleiro, o protagonismo da classe C amplia a atenção sobre produtos ligados à casa e ao consumo doméstico. Isso porque a categoria de móveis e artigos do lar seguirá representando parte relevante do orçamento familiar brasileiro, mesmo em um cenário de juros elevados e pressão inflacionária.

O estudo mostra ainda que a classe C está presente em praticamente metade das residências brasileiras, movimentando cerca de R$ 2,6 trilhões em despesas ao longo do ano. Ao mesmo tempo, a classe B perde participação relativa no consumo nacional, refletindo movimentos de migração entre faixas de renda.

Sul em destaque

Outro dado observado com atenção pela cadeia moveleira é a retomada da Região Sul à vice-liderança no mapa de consumo brasileiro. Mesmo com pequena oscilação percentual, a região voltou a ocupar o segundo lugar no ranking nacional, atrás apenas do Sudeste.

A recuperação reforça o peso econômico de uma região historicamente ligada à indústria de móveis e ao varejo especializado. O levantamento aponta ainda que o Sul concentra 18,8% das empresas brasileiras e apresenta uma das maiores médias nacionais de empresas por mil habitantes.

Além disso, o crescimento do emprego formal e a expansão do número de empresas contribuem para fortalecer o consumo urbano. Entre abril de 2025 e abril de 2026, o País registrou crescimento de 10,9% no total de negócios ativos, alcançando 27,7 milhões de empresas.

As microempresas lideraram esse avanço, enquanto os microempreendedores individuais continuam representando a maior parte dos CNPJs ativos no Brasil. O setor de serviços permanece como principal atividade econômica em número de empresas, seguido pelo comércio e pela indústria.

Hábitos domésticos

Embora os gastos com veículos próprios sigam liderando parte importante do orçamento das famílias, os itens ligados à habitação continuam ocupando espaço central no consumo brasileiro. Segundo o IPC Maps, despesas com moradia representam 25,3% dos desembolsos familiares no País.

Na sequência aparecem serviços gerais, alimentação dentro do domicílio, saúde e alimentação fora de casa. Já móveis e artigos do lar, juntamente com eletroeletrônicos, representam 3% do orçamento das famílias brasileiras.

O levantamento também aponta crescimento contínuo da população economicamente ativa e avanço da população idosa, fatores que ajudam a redesenhar hábitos de consumo relacionados ao ambiente doméstico, conforto e funcionalidade dentro das residências.

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