Eletros entram na vitrine e mudam a lógica da venda
Linha branca e eletroportáteis ampliam o tíquete, ancoram a visita e exigem do lojista um novo repertório de atendimento
Publicado em 3 de julho de 2026 | 08:37 |Por: Julia Magalhães

O número diz muito: a linha branca cresceu 17% em 2024, o melhor desempenho do setor na última década, segundo balanço da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) –, e o movimento não arrefeceu. Em 2025, o segmento de móveis e eletrodomésticos acumulou alta de 4,5% no varejo brasileiro, de acordo com o IBGE, enquanto a consultoria IMARC Group projeta que o mercado de eletrodomésticos no País deve saltar de US$ 13 bilhões em 2025 para US$ 16,8 bilhões até 2034.
Para o lojista que trabalha com cozinha, esses dados não são apenas contexto – são oportunidade. Quem entra na loja para comprar uma cozinha está, quase sempre, também decidindo sobre fogão, cooktop, forno e geladeira. A questão é se essa decisão vai acontecer dentro da sua loja ou em outro lugar.
Colocar eletros na vitrine não é apenas ampliar o mix. É mudar a lógica da visita. Um fogão ou uma geladeira bem expostos funcionam como âncora: despertam interesse, prolongam a permanência e abrem conversa. A composição por cena com cozinha montada com móveis, eletros integrados e detalhes de uso, ajuda o consumidor a visualizar o conjunto e torna a decisão mais natural. Quando o produto está isolado, ele compete por preço. Quando está ambientado, ele compete por desejo.
Mas para vender bem, é preciso entender o que se está vendendo. Boa parte dos consumidores que chega ao ponto de venda – especialmente quem está montando a primeira casa ou fazendo o primeiro upgrade – não sabe distinguir um fogão convencional de um cooktop, nem o que significa mega chama, full glass ou tripla chama. É exatamente aí que o lojista faz diferença.
O que está no produto e como explicar
Fogão e cooktop respondem a necessidades parecidas, mas com lógicas diferentes. O fogão convencional é uma peça única: queimadores, forno e estrutura integrados. O cooktop é embutido na bancada e trabalha junto com um forno separado, geralmente de embutir. Essa segunda opção domina a estética das cozinhas moduladas e planejadas contemporâneas justamente porque some no projeto. A cozinha se funde com a sala de estar, exigindo que os eletros sejam visualmente harmoniosos com o mobiliário, como aponta a agência de tendências WGSN.
Tripla chama e mega chama são recursos de potência. O queimador tripla chama tem três anéis concêntricos de fogo, o que distribui o calor de forma mais uniforme e acelera o preparo em panelas de maior diâmetro. Mega chama é a versão de alta potência para quem cozinha em volume. Para famílias maiores, esse atributo é argumento direto de venda.
Full glass é o nome comercial para o painel frontal inteiramente em vidro temperado. Além do apelo estético – visual limpo, leitura de produto premium – o vidro é mais fácil de limpar do que o aço com relevos e reforça a percepção de sofisticação no ponto de venda. É um recurso de design que o vendedor pode traduzir de forma direta.
Forno com revestimento limpa fácil significa superfície interna antiaderente que facilita a remoção de gordura e resíduo sem precisar de produtos abrasivos. Prateleiras autodeslizantes permitem retirar o que está no forno sem apoiar o braço na borda quente – detalhe de ergonomia que, quando demonstrado, costuma convencer. Lâmpada blindada protege o iluminador interno de respingos e variações de temperatura, aumentando a durabilidade.
As medidas importam mais do que parecem. Um fogão padrão tem 50 cm de largura, mas há modelos de 55 e 60 cm – e um centímetro a mais pode inviabilizar o encaixe numa cozinha já projetada. O lojista precisa ter essa conversa antes de fechar o pedido, não depois. Perguntar pelo projeto, conferir a abertura prevista e indicar o modelo certo evita troca, insatisfação e perda de indicação.
A geladeira segue a mesma lógica dimensional. French door, side by side, bottom freezer – cada formato pressupõe uma abertura diferente. E a questão não é só o tamanho: é saber para quantas pessoas é a casa, qual é a rotina de compras e se há espaço para que a porta abra sem bater no balcão ou na ilha. Essas perguntas, feitas no início do atendimento, mostram preparo e constroem confiança. Entre 2022 e 2025, o segmento de refrigeradores registrou alta de 35%, segundo dados da NielsenIQ – o que indica que o consumidor está renovando e atualizando esse equipamento com mais frequência do que no passado.
Os eletrodomésticos de menor porte, como air fryers, conquistaram definitivamente as cozinhas brasileiras. A air fryer deixou de ser novidade e se tornou item de lista. Para o lojista, ela funciona bem como produto de impulso na composição: não substitui fogão nem forno, mas complementa a rotina de quem cozinha no dia a dia e está disposto a gastar um pouco mais para facilitar a vida. Apresentada junto com o fogão ou com a cozinha, eleva o tíquete sem exigir argumento longo.
Exposição que converte
A ordem da vitrine importa. Eletros expostos por categoria – todos os fogões juntos, todas as geladeiras juntas – estimulam comparação de preço. Eletros expostos por composição – fogão, cooktop e geladeira dentro de uma cena de cozinha montada – estimulam identificação. O consumidor que se vê no ambiente não pergunta primeiro quanto custa: pergunta se cabe na cozinha dele.
A comparação de benefícios funciona bem como segundo passo, depois que o produto já despertou interesse. Ter um quadro simples na exposição com os diferenciais de cada modelo em linguagem direta, não em ficha técnica, ajuda o vendedor e empodera o consumidor que pesquisou antes de chegar. O lojista que domina os atributos do produto, sabe fazer as perguntas certas e monta a vitrine com lógica de composição não está apenas vendendo eletro. Está vendendo a cozinha completa – e transformando uma categoria que costuma ser tratada como complemento no principal motivo de uma venda maior.
Itachef, da Itatiaia, une design sofisticado e custo-benefício
O argumento comercial do Itachef, destaque da linha eletros Itatiaia começa na vitrine. A frente full glass em vidro temperado e o painel frontal integrado à mesa inox criam uma leitura visual que remete a produtos de categorias superiores. Segundo o diretor comercial da empresa, Matheus Bernardi Barboza, a versatilidade do modelo permite boa performance em diferentes perfis de cozinha e faixas de renda. “É um produto que gera desejo no ponto de venda e transmite inovação ao consumidor”, afirma.
Por dentro, o fogão com cinco bocas reúne forno amplo com revestimento limpa fácil, lâmpada blindada e prateleiras deslizante e autodeslizante. O acendimento automático na mesa e o top control – com os controles posicionados na superfície, e não no painel frontal – completam uma proposta centrada na praticidade do uso diário. A mesa em aço inox ergonômica e as trempes robustas reforçam a percepção de durabilidade que, segundo Barboza, está entre os critérios que mais pesam na decisão de compra.
Para o lojista, a estratégia sugerida é a exposição em ambiente montado. Segundo o executivo, a combinação do Itachef com a Cozinha Lumina da própria Itatiaia forma um conjunto voltado a quem valoriza design e modernidade – e eleva o ticket sem depender de desconto.

Frente full glass, painel integrado à mesa inox e trempes robustas definem o Itachef, destaque da linha eletros Itatiaia para 2026 | Crédito: Divulgação Itatiaia
Agile Up, da Atlas, renova portfólio com acabamento refinado
O Agile Up chega ao varejo como a aposta mais sofisticada de uma renovação ampla no portfólio de fogões da Atlas. Com puxador em alumínio escovado, versões com mesa de vidro, queimadores reforçados e modelos com tripla chama, a linha é voltada a um consumidor que busca mais design e funcionalidade sem sair de uma faixa de preço acessível.
A renovação faz parte de um investimento de mais de R$ 30 milhões para modernizar o portfólio da marca e ampliar sua competitividade no varejo. Ao lado do Agile Up, chegam ao mercado as linhas Coliseum, Mônaco e Milão – cada uma com posicionamento distinto por perfil de consumidor e região.
A Milão, por exemplo, foi desenvolvida com foco no Norte e Nordeste, com ênfase em robustez e economia e versões com mega chama, forno com melhor retenção de calor e pés altos. Já a Mônaco, uma das principais linhas da Atlas nas categorias de entrada e intermediária, ganhou facelift, nova cor Titanium e versões com mesa de vidro e grades individuais.
Para o lojista, a renovação amplia as opções de composição por ticket e perfil de uso, com produtos que a marca posiciona como alternativas para diferentes faixas de consumo dentro de uma mesma cozinha planejada.

Mesa de vidro, puxador em alumínio escovado e queimadores reforçados compõem o Agile Up, linha mais sofisticada da renovação de portfólio da Atlas | Crédito: Divulgação Atlas
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