IA no varejo amplia produtividade e reduz desperdícios

Pesquisa aponta que a IA no varejo melhora a previsão de demanda, reduz desperdícios e pode elevar a produtividade das empresas em mais de 20%

Publicado em 7 de julho de 2026 | 08:04 |Por: Julia Magalhães

A IA no varejo deixou de ser uma aposta para se tornar uma ferramenta estratégica na operação das empresas. Ao integrar análise de dados e automação, a tecnologia contribui para decisões mais precisas sobre estoques, investimentos em marketing e gestão financeira, fatores que impactam diretamente a rentabilidade e a experiência do consumidor.

Em um cenário de margens pressionadas e comportamento de compra em constante mudança, a adoção de soluções baseadas em inteligência artificial vem ganhando espaço entre empresas de diferentes portes. A proposta vai além da digitalização de processos: trata-se de utilizar dados para reduzir desperdícios, antecipar demandas e tornar as operações mais eficientes.

Esse movimento é refletido em um estudo global realizado pela Zebra Technologies em parceria com a Oxford Economics. A pesquisa aponta que a modernização dos fluxos de trabalho apoiada por inteligência artificial proporciona aumento superior a 20% na produtividade em setores como manufatura, transporte e logística. Entre as empresas participantes, a melhoria operacional também resultou em crescimento de 21% na satisfação dos clientes. Além disso, otimizações na gestão de estoques podem acrescentar até 1,8 ponto percentual à receita e à lucratividade.

Nas pequenas e médias empresas, os ganhos financeiros também aparecem de forma expressiva. Segundo levantamento da ActiveCampaign, microvarejistas que utilizam algoritmos em atividades como automação de marketing e gestão de fornecedores economizam, em média, R$ 25 mil por ano. A substituição de processos manuais libera cerca de 50 horas mensais das equipes, permitindo que esse tempo seja direcionado ao relacionamento com os consumidores.

Outro levantamento, divulgado pela Microsoft, mostra que 77% dos tomadores de decisão identificam melhorias na qualidade das entregas após a adoção da inteligência artificial, enquanto 76% observam aumento na produtividade.

Segundo o CEO da Higge, Emerson Larizza, o foco dos empresários deve estar nos resultados gerados pela tecnologia, e não em seu funcionamento técnico. “Não estamos falando de tecnologia pela tecnologia ou de robôs que substituem o feeling humano. O varejista não quer saber como o algoritmo funciona por dentro; ele está interessado em quanto a margem foi salva no fim do mês. A IA efetiva é aquela que prevê a demanda para que o produto não falte, reduz o desperdício de mídia e traz o cliente certo para a loja com uma oferta que faça sentido para o bolso dele.”

IA no varejo

Entre os principais desafios enfrentados pelo varejo está o equilíbrio entre oferta e demanda. Erros de previsão podem resultar em excesso de estoque, perda de vendas e redução das margens.

Relatórios do Boston Consulting Group (BCG) mostram que empresas que utilizam inteligência artificial conseguem reduzir em até 20% os erros nas previsões de demanda. O relatório The State of Fashion reforça essa tendência ao apontar que a gestão de estoques e a preservação das margens figuram entre as principais prioridades para 45% dos líderes do setor.

A tecnologia também vem alterando as estratégias de aquisição de clientes. Pesquisa da Spring Scale Global aponta que mais da metade das vendas digitais sofre influência direta de recomendações ou campanhas otimizadas por inteligência artificial. O estudo também mostra que campanhas apoiadas por algoritmos para identificar novos públicos podem elevar em até 12% as vendas incrementais.

Para Larizza, a inteligência artificial ajuda a tornar os investimentos em marketing mais eficientes ao direcionar recursos para os canais e momentos de maior potencial de conversão. “Muitos varejistas estão com altos investimentos para disputar o mesmo cliente nos mesmos canais de mídia, elevando o custo de aquisição a patamares insustentáveis. A IA entra justamente para cortar esse desperdício, onde analisa o histórico de compras, entende os picos de consumo e avisa quando e onde colocar a verba de marketing. Se a empresa usa os dados para fazer a oferta certa na hora em que o cliente tem a real intenção de comprar, a conversão acontece de forma natural.”

Com a evolução das ferramentas de análise de dados, a inteligência artificial tende a ocupar papel crescente nas decisões do varejo. A combinação entre previsão de demanda, gestão de estoques e otimização das estratégias comerciais reforça a tecnologia como um recurso voltado à eficiência operacional e ao aumento da competitividade das empresas.

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