Varejo registra pior junho desde a pandemia, aponta ICVA

Segundo o Índice Cielo, o varejo teve queda real de 2,8% em junho. O primeiro semestre foi o mais fraco desde 2020, enquanto o e-commerce seguiu em alta

Publicado em 13 de julho de 2026 | 08:53 |Por: Julia Magalhães

O varejo brasileiro registrou, em junho, o pior desempenho para o mês desde a pandemia de covid-19. Segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), as vendas caíram 2,8% em termos reais na comparação com o mesmo período de 2025, marcando o segundo mês consecutivo de retração mais intensa para o período desde 2020.

O resultado sucede a queda de 3,4% registrada em maio e reforça o enfraquecimento do consumo ao longo do primeiro semestre. Entre janeiro e junho, o varejo acumulou retração real de 2,2%, desempenho inferior ao observado no mesmo período do ano passado, quando a queda foi de 0,7%.

Segundo o vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, Carlos Alves, o cenário reflete os efeitos da inflação sobre o orçamento das famílias. “O desempenho de junho ocorreu em ambiente de inflação relevante para itens de alta recorrência no orçamento das famílias.”

O IPCA-15 avançou 0,41% em junho e acumula alta de 4,80% nos últimos 12 meses, impulsionado principalmente pelos grupos de alimentação, bebidas e habitação.

Varejo em queda

A retração foi registrada em todas as regiões do País. O Sudeste apresentou o pior desempenho, com queda real de 4,5%, seguido pelo Centro-Oeste (-2,6%), Nordeste (-1,4%), Sul (-1,0%) e Norte (-0,3%).

Entre os estados, os melhores resultados foram registrados no Acre (3,7%), Rondônia (2,7%), Minas Gerais (1,4%), Maranhão (0,9%) e Santa Catarina (0,8%). Na outra ponta, São Paulo liderou as perdas, com retração de 6,1%, seguido por Amazonas (-4,1%), Pernambuco (-3,9%), Rio de Janeiro (-3,7%) e Goiás (-3,5%).

O comércio eletrônico manteve desempenho superior ao das lojas físicas. Em junho, as vendas on-line cresceram 9,2% em termos nominais, enquanto o varejo físico avançou 1,0%.

Entre os macrossetores analisados pelo ICVA, Serviços registrou a maior queda real, de 9,1%. Bens duráveis e semiduráveis recuaram 3,4%, enquanto bens não duráveis permaneceram praticamente estáveis, com retração de 0,1%.

Embora os números indiquem um primeiro semestre desafiador para o varejo, indicadores recentes apontam uma leve melhora nas expectativas do mercado para a inflação. No Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (6), os analistas reduziram pela primeira vez em 15 semanas a projeção para o IPCA de 2026, de 5,33% para 5,30%.

A estimativa, porém, continua acima do teto da meta de inflação, enquanto a projeção para a taxa Selic permanece em 14% ao ano, indicando que o ambiente para o consumo ainda deve seguir pressionado nos próximos meses.

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