Prêmio Salão Design contempla 27 móveis
Em 2026, o Prêmio Salão Design teve 516 projetos inscritos e concedeu 31 reconhecimentos. Produtos serão expostos na Movelsul Brasil, em agosto
Publicado em 23 de julho de 2026 | 07:46 |Por: Julia Magalhães

O Prêmio Salão Design reconheceu 27 projetos de mobiliário em sua 27ª edição. Ao todo, os trabalhos receberam 31 prêmios, menções honrosas e distinções especiais. Os produtos são assinados por profissionais e estudantes de sete estados brasileiros, além do Distrito Federal e da Argentina.
A edição de 2026 recebeu 516 inscrições e selecionou 143 finalistas. Desse grupo, 116 projetos avançaram para a segunda etapa de avaliação, realizada presencialmente nos dias 14 e 15 de julho.
Criado em 1988 pelo Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), o concurso busca aproximar designers e empresas do setor moveleiro. Além disso, funciona como uma vitrine para projetos com potencial produtivo, valor cultural e atenção aos impactos ambientais.
Prêmio Salão Design
Para a diretora do Prêmio Salão Design, Priscila Manfroi, o concurso abre oportunidades em diferentes pontos da cadeia moveleira. “O Prêmio Salão Design transforma criatividade em oportunidade, mostrando, a cada edição, que o mercado está em constante movimento. Para quem cria, é a chance de ver um projeto ganhar reconhecimento. Para a indústria moveleira, é uma fonte de inovação”, afirma.
Segundo Priscila, a premiação também favorece conexões e estimula respostas a questões presentes na produção de móveis. “É um prêmio que inspira, conecta pessoas e aponta soluções reais para demandas como tecnologia e produção em escala, além de valorizar escolhas sustentáveis e influências culturais”, acrescenta.
Os 116 produtos avaliados na etapa presencial serão apresentados durante a 25ª Movelsul Brasil. A feira ocorrerá de 17ª 20 de agosto, em Bento Gonçalves (RS), com visitantes de 39 países já confirmados. A cerimônia de premiação será realizada na quarta-feira (19), em evento para convidados.
Sentar
Na categoria Sentar, o prêmio profissional foi concedido à Coleção Soleta, criada por Gabriel De La Cruz Mota, Diogo Dahia, Sofia Kyrillos e Victor Rodrigues, do De La Cruz, em São Paulo (SP). A coleção utiliza técnicas tradicionais de moldagem do couro, material que assume função estrutural nos encostos da cadeira e do banco.
A Cadeira Pipa recebeu menção honrosa profissional. Desenvolvida por Vinícius Schmidt Motta Vieira, do Estúdio Simbiose, no Rio de Janeiro (RJ), a peça emprega taquaras de bambu agrupadas em sua estrutura. O projeto relaciona sustentabilidade, cultura popular e a forma das pipas.
Entre os estudantes, o prêmio ficou com Tríade, de Marcelo Mandia Martirani, do Istituto Europeo di Design, em São Paulo. O conjunto reúne três bancos geométricos que podem ser empilhados. Quando reunidos, os assentos formam uma estrutura semelhante a um totem.
Aconchegar
O prêmio profissional da categoria Aconchegar foi entregue à Vela, de Andrea Zanocchi, do Andrea Zanocchi Design Studio, para a DonaFlor Mobilia. O produto pode ser utilizado como espreguiçadeira ou convertido em biombo e guarda-sol por meio de um mecanismo integrado.
A Poltrona Kind, criada por Vinicius Siega, de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, recebeu menção honrosa. Sua estrutura metálica delgada sustenta elementos estofados e almofadas soltas, que podem ser organizadas conforme o corpo ou a forma de uso.
Na modalidade estudante, a Poltrona Kaikan conquistou menção honrosa. O projeto foi desenvolvido por Maria Heloísa de Queiroz Rodrigues, Luana Vagula de Vasconcellos Herrerias, Guilherme Ferreira Juvencio, Andressa Schneider Salgueiro e Vítor Zottis Arend, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
Produzida em cambará, a poltrona combina referências da cultura japonesa e brasileira. Sua geometria remete ao origami, enquanto a avaliação destacou aspectos de ergonomia e conforto. Não houve prêmio principal para estudantes nessa categoria.
Socializar
Na categoria Socializar, o Buffet-Bar Entrelaço recebeu o prêmio profissional. Assinado por Julyana Hilgenstieler e Nicole Liz Salvatierra, da Tiie Design, para a Breton, o móvel foi desenvolvido em Curitiba (PR).
O produto aproveita o espaço interno para abrigar um bar doméstico e uma pequena adega. Nas superfícies, lâminas de madeira natural formam padrões inspirados na cestaria.
A menção honrosa profissional foi concedida ao Buffet Palafita, de Felipe Zorzeto, de Brasília (DF). A estrutura modular eleva os compartimentos de armazenamento, facilitando a limpeza. Já o acabamento aplicado em todas as faces permite diferentes posições no ambiente.
O Aparador Pier, de Samuel Teodoro Soares, da Universidade do Estado de Minas Gerais, em Ubá (MG), recebeu menção honrosa estudantil. A construção utiliza poucos componentes, ligados por botões metálicos. A categoria não teve prêmio principal na modalidade estudante.
Trabalhar
A Escrivaninha Mia, de Felipe Zorzeto, conquistou o prêmio profissional da categoria Trabalhar. O projeto incorpora canaletas ocultas no tampo para organizar a passagem de fios. Além disso, gavetas laterais suspensas reduzem o peso visual do conjunto.
A Cadeira Duna Office recebeu menção honrosa profissional. Criada por Alexandre Kasper para a CGS Móveis, em Medianeira (PR), a cadeira aproxima o mobiliário corporativo da linguagem residencial. Para isso, utiliza madeira, material ainda menos frequente nesse tipo de produto.
Na modalidade estudante, a menção honrosa ficou com a Mesa da Arquiteta, de Flávia Néspoli Almeida, da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá (MT). O projeto oferece áreas de armazenamento abaixo do tampo e superfícies curvas que também podem apoiar livros e outros materiais. Não houve prêmio principal estudantil na categoria.
Industrializar
A categoria Industrializar concedeu menção honrosa profissional ao Dock, desenvolvido pelo Grupo Criativo para a Flexform, em Porto Alegre (RS).
O projeto foi assinado por Juliano Conte Gheno, Rodrigo Leme, Ricardo Hafner, Lucca Marinho, Monique Pereira, Lara Rei, Liliane Gheno, Bruna Chiesa, Carolina Yamamoto e André Solis.
Quando fechado, o produto apresenta a aparência de um buffet. Ao ser aberto, transforma-se em uma estação de trabalho com nichos destinados à organização de papéis, pastas e outros materiais. Dessa forma, pode ser incorporado a ambientes residenciais sem manter a aparência típica de um móvel de escritório.
O júri não concedeu prêmios principais nas modalidades profissional e estudante nessa categoria.
Reutilizar
Na categoria Reutilizar, a Mesa Sobrepor conquistou o prêmio profissional. O projeto de Gabriel De La Cruz Mota e Domingos Tótora combina uma base escultórica feita com massa de papelão reciclado e terra a um tampo de madeira reaproveitada.
O Biombo Orbital, de Thiago José Lopes de Barros, do Estúdio Thiago José Barros, recebeu menção honrosa profissional. O sistema modular permite formar diferentes composições. Além disso, utiliza resíduos circulares gerados durante a fabricação de pisos de madeira maciça.
Entre os estudantes, o prêmio ficou com o Banco Converso, de Brenda Kariny Almeida Caldas Silva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A estrutura emprega pinho-de-riga de demolição, enquanto o assento utiliza um material composto por resina e resíduos têxteis. A proposta reintegra descartes ao ciclo produtivo e explora novas possibilidades de acabamento.
Reconhecer
A Cadeira Axé Ponta de Lança recebeu o prêmio profissional da categoria Reconhecer. Criada por Elisabete Fernandes Said e Naná Oliveira, da Casa de Marimbondo, em Ribeirão Preto (SP), a peça utiliza fibra natural de taboa trançada.
O projeto também faz referência a Oxóssi, orixá associado às matas. Dessa maneira, relaciona o uso de um material ainda pouco explorado pelo mobiliário à valorização da cultura afrodescendente.
Os Bancos Guará-Guaçu e Guará-Mirim, de Marcos de Oliveira Carvalho, de Niterói (RJ), receberam menção honrosa profissional. As formas representam uma fêmea e um filhote de lobo-guará. A madeira de vinhático aparece em acabamento natural e carbonizado, reproduzindo tonalidades dos animais.
A menção honrosa estudantil foi concedida ao Banco Canga, de Thalis César Machado Araújo, da Universidade Federal de Uberlândia. A construção reinterpreta a lógica estrutural do carro de boi em um móvel compacto. Não houve prêmio principal estudantil na categoria.
Complementar
A Estante TEM, de Vinicius Siega, recebeu o prêmio profissional da categoria Complementar. A peça tem desenho escultórico e pode ser usada isoladamente ou repetida em composições maiores. Seu formato também favorece a instalação em espaços compactos.
A Mesa Tereza conquistou menção honrosa profissional. O projeto de Mônica Silva de Carvalho e Raphael Nogueira Batista Strauss, do Maria Madeira Ateliê, no Distrito Federal, utiliza peças finas de cedro-rosa em uma trama tridimensional.
A solução reduz o consumo de madeira e pode aproveitar sobras do material. Apesar da delicadeza dos componentes, a estrutura mantém resistência e estabilidade.
Na modalidade estudante, a Estante Vagão, de Nicolas Macedo Malucelli, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, recebeu menção honrosa. O projeto adapta ao mobiliário o sistema da viga-vagão, comum em coberturas arquitetônicas. A técnica permite vencer um vão de 2,20 m com compensado naval e madeiras de menor resistência.
A categoria não teve prêmio principal estudantil.
Voto popular
O Banco Anônimo venceu o Voto Popular na modalidade profissional. Criado por Antonio Luis de Oliveira Filho, de Moreno (PE), o projeto recebeu 2.019 votos, equivalentes a 14,58% dos 13.849 registros válidos.
A votação ocorreu remotamente entre 20 de maio e 8 de julho. O mesmo projeto também conquistou o Prêmio Especial Manufatura Artesanal.
Produzido com madeiras de reuso, o banco revisita modelos populares. A avaliação considerou o acabamento, as proporções e as soluções aplicadas aos detalhes construtivos.
Na modalidade estudante, o vencedor do Voto Popular foi o Banco Canga. O projeto recebeu 840 votos, ou 17,58% dos 4.778 votos válidos contabilizados pela organização.
Outros reconhecimentos
O Prêmio Especial Família de Produtos foi entregue ao Conjunto de Mesas Café, de Giácomo Tomazzi, do Giácomo Tomazzi Studio, para a Lider Interiores. Os tampos bipartidos remetem ao formato do grão de café e facilitam o transporte. Já uma base padronizada atende às diferentes tipologias da coleção.
A Cadeira Castanha com Braço recebeu o Prêmio Especial Madeiras Alternativas. Criada por Tiago Datti e Fernanda Maleski, do Estúdio Carmine, a peça é produzida em madeira tauari. O processo combina fabricação automatizada de precisão com texturas entalhadas manualmente.
O prêmio de Professor Orientador foi concedido a Alexandre Salles pelo acompanhamento do projeto Tríade. A distinção reconhece o estímulo à experimentação e ao desenvolvimento de soluções fora dos padrões convencionais no ambiente acadêmico.
Design gaúcho
A Mesa Névoa recebeu o Prêmio Especial Design RS. O projeto foi desenvolvido por Alexandre Rögelin Prass, Filipe Saur Santos e Thomas Alberto Weirich, do NAE, para a Mezas Mobiliário Contemporâneo, em Porto Alegre.
O móvel utiliza concreto pigmentado em duas tonalidades minerais, mescladas manualmente. Como resultado, cada unidade apresenta variações próprias de cor. A solução permite o uso da mesa em ambientes internos ou externos.
A análise técnica também destacou a combinação de processos manuais e tecnológicos, além do uso estrutural e expressivo do concreto. O reconhecimento garantirá aos autores uma missão ao Salão do Móvel de Milão de 2027, na Itália.
Destaque estudantil
O Banco Converso também recebeu o Prêmio Especial Estudante Destaque. A escolha considerou a articulação entre consciência material, funcionalidade e expressão estética.
Ao reunir madeira de demolição, resina e resíduos têxteis, o projeto apresenta uma alternativa para a reinserção de materiais descartados na produção de mobiliário.
Já a Menção Especial do Júri na categoria Conscientizar foi concedida ao Ordna, de Matías Andre Oliva Gerik, de Córdoba, na Argentina. A proposta aborda o compromisso social do design e direciona a discussão a públicos historicamente pouco atendidos.
Segundo o parecer, o reconhecimento busca reforçar a importância de projetos acessíveis e ambientalmente responsáveis, sem restringir essas soluções aos segmentos de maior poder aquisitivo.
Confira todos os móveis finalistas no site do Prêmio Salão Design.
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