34º Congresso Movergs uniu discussões sobre caminhos para o futuro

Palestrantes do Congresso Movergs deixaram mensagem em comum: o futuro será desafiador para os negócios, exigindo ainda mais resiliência e estratégia dos empresários

Publicado em 28 de outubro de 2026 | 09:15 |Por: Thiago Rodrigo

As atuais discussões em relação ao futuro econômico do Brasil foram tópicos recorrentes no 34º Congresso Movergs. Realizado em Bento Gonçalves (RS) na terça-feira, 27/10, o evento reuniu empresários e gestores da cadeia moveleira, lideranças e imprensa para uma série de palestras com temas como conjuntura econômica, gestão empresarial, sucessão familiar e inovação.

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Durante sua fala de boas-vindas, o presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), Vitor Agostini, destacou o desempenho da indústria moveleira gaúcha. “Ano após ano, mais de 2,6 mil empresas enfrentam desafios, buscam oportunidades, investem e seguem em frente. Essa força também está na capacidade de inovar, adaptar e acreditar no potencial do nosso setor. Cada um que organizou a rotina para estar aqui, investindo em conhecimento e se preparando para o que está por vir, já deu o primeiro passo”, disse. Agostini também reforçou a importância do segmento para a economia do Rio Grande do Sul, que de janeiro a agosto de 2026 faturou R$ 9,43 bilhões e exportou para mais de 100 países.

Congresso Movergs

Vitor Agostini, presidente da Movergs

O início da programação foi com o economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Giovani Baggio, que trouxe um dos temas mais aguardados pelos empresários: conjuntura econômica e dados do setor moveleiro. Ele apresentou as principais análises e projeções do mercado financeiro, como juros, inflação, bolsa de valores e geração de empregos. “É preciso acompanhar com atenção os passos do governo eleito, especialmente diante do desafio imenso de ajuste fiscal das contas públicas, que impacta diretamente a taxa de juros, o câmbio e a carga tributária. Há uma necessidade clara de encaminhar medidas para resolver essa questão”, resumiu.

Conforme Baggio, há três desafios nítidos para o governo federal no curto prazo: desequilíbrio fiscal, endividamento das famílias e empresas e insegurança institucional. Olhando para o Rio Grande do Sul, o economista apontou restrição fiscal, baixa capacidade de investimento, gargalos de logística e infraestrutura, eventos climáticos extremos, envelhecimento populacional e escassez de mão de obra como obstáculos para a gestão do Estado. “Mesmo diante desse contexto desafiador, o empresariado brasileiro, e em especial o gaúcho, destaca-se pela resiliência e capacidade de superar crises, utilizando informações de qualidade para orientar o planejamento de suas empresas”, concluiu.

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Giovani Baggio, economista-chefe da Fiergs

Além do panorama econômico, o Congresso Movergs apostou em relatos reais de gestão empresarial para inspirar o público. Nesta edição, os participantes conheceram a história de Neco Argenta – empresário, presidente e fundador do Grupo Argenta, que registra dois dígitos de crescimento anual. Com uma mensagem de motivação, Neco reforçou que, independentemente do governo vigente, os empresários precisam continuar trabalhando, inovando e revendo seus planejamentos para crescer. O outro case foi apresentado por Bárbara Quercetti, CEO da Husk Group, empresa familiar de São Paulo. Ela assumiu a empresa do pai com o desafio de saldar uma dívida de R$ 10 milhões e ampliar o faturamento anual, que ficava na casa dos R$ 3 milhões. Após rever o planejamento e desenvolver novos projetos, Bárbara elevou o faturamento da companhia para R$ 40 milhões. “A gente herda o patrimônio, o resultado, não o aprendizado. Eu tive que aprender. Um sucessor que não tem resultado não é validado pelo mercado”, comentou.

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Neco Argenta

Engenheiro, mestre em Gestão, comentarista e escritor, Roberto Motta apresentou um painel sobre os desafios de empreender no Brasil, incluindo paralelos com a realidade de países como Estados Unidos e França. “Talvez um dos fatores mais importantes para empreender seja energia. Medo, preguiça e estado são os maiores inimigos do empreendedor”, frisou. Para Motta, a centralização no governo federal, a insegurança jurídica e a intervenção na vida privada são grandes problemas da sociedade brasileira. Sobre o cenário político nacional, o especialista apontou aumento de impostos, dívidas e inflação como elementos com alta probabilidade de desdobramento no curto prazo.

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Bárbara Quercetti

A última palestra do dia foi com o futurista, empreendedor e educador Tiago Mattos. Entre os destaques de sua fala esteve a economia da expectativa. “Economia da expectativa é um termo que nos ajuda a entender que a melhor experiência do consumidor passa a ser sua experiência em qualquer mercado. E a IA faz com que as pessoas queiram criar experiências ainda mais personalizadas”, explicou. Sobre inovação, Mattos disse que “o erro das lideranças é achar que não inova por lei, dinheiro ou mindset. O que não permite inovar é falta de senso de permissão, e isso vem com repertório de futuros”. Após a programação de palestras, um happy hour com música ao vivo e espumantes Salton integrou os participantes do Congresso. Essa novidade foi uma das apostas para reforçar o evento como momento de integração entre empresários e gestores da cadeia moveleira.

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Tiago Mattos

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O 34º Congresso Movergs contou com patrocínio de Sicredi, Favo Brasil, DCA, Gráfica Bento e Sankhya, além do apoio de Affemaq, CIC-BG, Fiergs, Sebrae, Simecs, Simmme, Simplavi e Sindmóveis. A próxima edição do principal encontro voltado aos empresários e gestores do setor moveleiro gaúcho será no dia 5 de outubro de 2027.

 

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