13º Congresso Nacional Moveleiro trata de inovação e gerações de trabalho
Inovação aplicada no setor moveleiro é mostrada por supervisor do Senai-PR no 13º Congresso Nacional Moveleiro, enquanto Dado Schneider fala sobre as atuais e futuras gerações de trabalho
Publicado em 4 de novembro de 2026 | 21:00 |Por: Thiago Rodrigo

A proposta do 13º Congresso Nacional Moveleiro é de aproximar questões que, embora muitas vezes discutidas separadamente, chegam juntas à mesa de decisão das indústrias. Isso pode ser visto nas palestras sobre inovação no setor moveleiro, de Diogo Tosto, e as mudanças culturais e mercado de trabalho, do publicitário e doutor em comunicação, Dado Schneider.
Diogo Tosto seguiu as palestras do primeiro dia do congresso tratando da inovação aplicada ao setor moveleiro. Ele, que é supervisor de tecnologia e inovação do Senai-PR, contou o que o Senai tenta levar na prática para as indústrias. “Quando falamos de inovação da indústria moveleira, o que vem primeiro à nossa mente? Design, produto, é um dos temas, inteligência artificial e robotização, tudo isso faz parte. Mas precisamos ter o tema inovação na nossa agenda porque a inovação acontece dentro da indústria”, levantou.
O primeiro desafio para isso está na gestão da empresa do que em questões técnicas. Segundo Tosto, tendências não são respostas exatas, são sinais que apontam um sinal para um negócio e entre as tendências atuais e futuras, estão a reengenharia, uma forma de repensar seus produtos para ter soluções diferentes com padronizações, redução de custos e agregação de valor. “Estamos começando a estar a simulação computacional de produtos para simular o esforço daquele produto, sem precisar fazer o protótipo, sendo uma tendência que nos próximos anos vai se desenvolver”, considera.
Novos materiais também possibilitam a inovação, de forma aliada ao fornecedor, como exemplo, Sosto mostrou conexões de fixação rápidas do mobiliário, mas no futuro também há biocompósitos (polímeros e fibras naturais) e superfícies de alta performance, como uma superfície super hidrofóbica, que repele totalmente a água. “Falando de materiais de madeira isso é uma solução interessante, sendo desenvolvida aqui na Fiep aguardando uma empresa apoiar e desenvolver esse projeto”, destacou o supervisor do Senai, ele também destacou o RFID para rastreamento inteligente e redução de custos no setor produtivo. “O que determina a inovação na indústria moveleira é a capacidade de identificar os problemas, testar alternativas, transformar as ideias em resultado”, finalizou.
Mudanças culturais e mercado de trabalho
Doutor em comunicação, escritor e palestrante, pesquisador de comportamento das gerações, Dado Schneider falou de várias coisas das novas gerações em sua palestra sobre mudança. “Lá na virada do século, lembram da bolha.com? Estamos na bolha da IA que não é bolha. Lá naquela época eu dizia que não estávamos em uma era de mudança, mas que mudança é a nossa era”, começou. Dado está pesquisando a longevidade das gerações: “se a gente se cuidar minimamente, vamos passar de 100 anos de idade. Seremos expostos com essa idade a um volume, velocidade e complexidade de mudanças para os quais não fomos preparados. Definitivamente não somos parecidos com os velhos dos passados”.
Com isso, o especialista apontou que a terceira idade vai ter de se adaptar às mudanças e mostrou que no século XX a estrutura era vertical: “a autoridade estava lá em cima, dentro de casa, na sala de aula e no ambiente profissional. Antes da internet, a gente aprendia tudo com os mais velos, fomos criados a subir na vida, crescer na profissão e galgar postos. Não há época melhor que outra, mas não dá para repetir o modelo de quando éramos pequenos”, apontou.
Hoje, no século XXI, a estrutura é horizontal, com a internet trazendo infinitas novas fontes de informação. Enquanto o poder do século XX estava concentrado na mão de pessoas mais velhas, o simples fato de estar disponível já começa a mudar o eixo de poder. No século XXI tem jovem, jovem e tem jovem velho. “Agora tem jovem de menos de 30 anos que diz: já mudou o sistema, mudou a chefia, mudaram minha mesa de lugar…”, frisou, por fim dizendo que há velho jovem, que não depende digitalmente de alguém.

Dado Schneider
Se não há diferença mais por idade, a diferença é por mentalidade e o futuro é de quem resolve acompanhar as mudanças sem reclamar. “Acham que é fácil para mim? Não é, mas não tem saída”, pontuou e questionou a plateia quem faz uso de agente de IA diariamente, do qual metade o público levantou a mão. “Aprendizado à base de erros é comigo. Os meus prompts vão ter melhor vocabulário, mais riqueza de concordância verbal, vai ter vírgula, ou seja, vou escrever prompt até morrer”, disse desafiando as novas gerações: “Se cuida comigo, porque estou prompt”.
O terceiro slide da apresentação de Dado Schneider estava escrito: “O mundo mudou… bem na minha vez”, do qual começou dizendo que o melhor bife na mesa começou a ficar com as crianças: “Ou seja, nunca comi o melhor bife”. “Quando eu era jovem no século XX, eu tinha de me adaptar a eles e agora “tibloft”, estou velho no século XXI, para ter espaço eu tenho de me adaptar aos jovens”, levantou. Além do mundo mudar, o futuro mudou e por isso somos adultos inéditos. “Nunca ouvi adultos iguais a nós”.
Nessa era de mudança, a Geração Z pode respeitar ou não a autoridade e tudo muda o tempo todo. Se antes a terceira idade reclamava diante de mudança, hoje é preciso fazer esforço para tentar entender o que está acontecendo. “A gente não precisa gostar das mudanças, mas aceitar, por um simples motivo: a gente vai durar”.
O palestrante contou ter um momento de ruptura, em 2013/2014, que é quando o Instagram tomou um volume brutal e os negócios de influencers – embora ele não tenha dito influencer e finalizou dizendo que temos de fazer uma revolução de carinho, do qual é preciso servir. “A geração Z e a Alfa não vão ter realização pessoal através de trabalho. Eles vão viver 140 anos, acham que vão fazer carreira em um lugar?”, disse e acrescentou: “Treinando e ensinando, precisamos fazer alguém da geração nova a vontade de servir e, ainda mais, ter prazer em servir”.
No passado, Dado contou que se dizia: “Contrate caráter e treine habilidades”, e que hoje se deve contratar simpatia e ensinar o resto, “porque é insuportável trabalhar do lado de uma pessoa que não serve o colega”. Para finalizar, faz 20 anos que ele criou a palavra “digiriatria” do qual é a junção de digital com geriatria e trouxe ela para mostrar a todos a revolução que a inteligência artificial está fazendo. “Está tudo complicado porque estamos vivendo duas eras simultaneamente. Estamos na adolescência do futuro do trabalho. E tudo vai passar: daqui 15 anos, estaremos em outra era”.







