Deitado eternamente em berço esplêndido!

Publicado em 27 de janeiro de 2020 | 16:07 |Por: Guilherme Bonissate

É impossível avaliar uma nação, sua trajetória, sem levar em conta sua formação étnica cultural e também seu comportamento social.

O Brasil, por ocasião da chegada dos portugueses em 1500, foi “fatiado” (lembra do tratado de Tordesilhas?) com os Espanhóis em algo como leste (Portugal) lado oeste (Espanha). Notadamente, o isolacionismo ficou latente, pois o Brasil com outro idioma nunca de fato se integrou a América latina como deveria.

Na sequência dos fatos tivemos os ciclos (do ouro, do açúcar, do café…) e nenhum deles tinha um foco de desenvolvimento, todos eram exploratórios.

Eis que a oportunidade bateu à nossa porta quando Napoleão Bonaparte aterrorizava a Europa (e o mundo) e a família real portuguesa decidiu se instalar no Brasil, lamentavelmente não por ter um projeto para o Brasil, mas sim para preservar sua sobrevivência.

Não tenho espaço para discorrer sobre toda a construção equivocada (a partir de uma premissa de desenvolvimento econômico), por isso vou direto ao século XX e inevitavelmente sou forçado a estabelecer uma comparação com a China.

Ainda sobre o Brasil, parto do período Vargas porque o Estado Novo foi um marco divisor na história do país. Antes dele não aconteceu nada de relevante e depois apenas de Juscelino Kubitschek  em diante.

Bem, o período Vargas inaugurou uma proposta de ruptura com um modelo esgotado de sustentação econômica baseado nos tais ciclos. Houve um estímulo à industrialização, criaram-se proteções trabalhistas e de produção, o que entre outros fatores pareciam apontar para um futuro melhor estruturado. Em 1950 este ciclo se interrompeu com o suicídio de Vargas e até o Governo JK perdemos 06 anos. Juscelino buscou imprimir um modelo dinâmico ao desenvolvimento do país. De 1961 a 1964 houve mais um hiato. De 1964 até 1979 foi o período conhecido como “milagre econômico”, mas de 1979 até 1995 apenas um esboço de intensões (governo Collor) que nunca saberemos se tinha de fato consistência.

De 1995 até 2002, Fernando Henrique Cardoso imprimiu um modelo que combinava social-democracia com neoliberalismo com qualquer coisa que permitisse a governabilidade. Serviu para interromper o perverso ciclo inflacionário.

De 2002 até 2016 tivemos finalmente a ascensão da classe trabalhadora ao poder. Entre políticas sociais bem sucedidas e desconstruções de modelos funcionais chegamos à maior crise econômica e política da história do país.

Na sequência (em mandato tampão), tivemos um governo com boas intenções mas comprometido com o pior que existe na política.

Eis que finalmente numa guinada radical, a direita conservadora nos costumes e liberal na economia, chegou ao poder através do voto.

Percebem quantas guinadas houve em um período único de 70 anos ou um pouco mais?

Voltando à China: neste período eles tiveram apenas um formato de poderio econômico e político. Pode-se até admitir que são dois os ciclos para eles: Antes de Mao Tse-tung (1949-1976) e depois dele. Quem conhece mais de perto a China como eu (nos últimos 12 anos estive lá pelo menos uma vez por ano), sabe que nada lá acontece por acaso. É plenamente plausível supor que até esta mudança foi planejada. O fato é que, o investimento em infraestrutura e planejamento, com continuidade de políticas econômicas e sociais, levou a China da miséria absoluta à condição de no mínimo segunda maior economia do mundo, no mesmo período em que fiz este breve resumo da história recente do Brasil.

E nós do setor moveleiro, como nos inserimos nisso tudo?

Bem, somos resultado de tudo isto que vimos até aqui. No entanto, não somos obrigados a nos submeter a nada que nos impeça de crescer e evoluir. Muito pelo contrário, se soubermos tirar as lições possíveis sobre a nossa história podemos sim construir um futuro melhor a partir das nossas práticas de futuro. Temos cases positivos no setor, observem o caso mais recente, a DJ Móveis deu sequência ao seu projeto de profissionalização da gestão levando seus jovens diretores para o conselho de administração, e ao que se supõe, confiar-lhes a expectativa de desenvolvimento de novos negócios e oportunidades. Observe o quanto o movimento é positivo na medida em que foi realizado enquanto a empresa vai muito bem, obrigado!

O momento para o setor moveleiro é de mudanças. Mudanças na gestão, no planejamento, nas estratégias, no posicionamento. É o caso da Móbile, que, entrando no seu ano 40 está reformulando não apenas a sua apresentação visual mas também sua forma de se relacionar com o mercado.

E lembre-se:  quando você precisa tomar uma decisão e não toma, está tomando a decisão de não fazer nada e isso também vai trazer resultados, positivos ou não.

Mudar é preciso, e o mercado vem mostrando isso diariamente. Como você e sua empresa tem entendido esse movimento, aproveitado as oportunidades e aceitado esse desafio?


Carlos Bessa

Atuo há 25 anos no setor moveleiro de forma direta em todos os polos de produção moveleira do Brasil, tanto com indústrias como com fornecedores e lojistas. Tenho participação internacional nas principais feiras internacionais do mundo divulgando o móvel brasileiro. Uma das publicações foi premiada como o Top de Marketing da ADVB. Tenho atuação intensa na International Alliance of Furnishing Publications (IAFP, em português Associação Internacional das Revistas Moveleiras Especializadas) em que atuei como secretário-geral no período de 2014 a 2016, atualmente, sou Diretor Superintendente da Revista Móbile.

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