Liderar, verbo intransitivo!

Liderar pode ser um verbo intransitivo, quando apresenta sentido completo e não precisa de complementos, sendo suficiente para expressar uma ação. Mas para liderar é preciso ter certos predicados que envolvem preparo e esforço pessoal

Publicado em 6 de julho de 2020 | 15:26

“Se está atravessando o inferno, não pare”
Winston Churchill – Primeiro Ministro Britânico – 1874 a 1965

Muitos talvez não conheçam, mas na Segunda Grande Guerra, a “Blitz” foi uma campanha de bombardeios da poderosa Luftwaffe (força aérea alemã) contra o Reino Unido, e ela durou 9 meses, de 7 setembro de 1940 a 10 de maio de 1941.

Isso mesmo, nove intermináveis meses, vitimando mais de 50 mil pessoas, sem considerar as que morreram de fome e doenças. A Infraestrutura, as comunicações, os suprimentos de comida foram interrompidos e comprometidos. Enfim, a economia britânica estava destruída.

Tinham todos os elementos para entrar em um acordo de paz e negociar a rendição, afinal lutavam contra uma força superior. A Europa havia sido tomada rapidamente, sendo que a França, em apenas 46 dias.

E Winston Churchill dizia, “O sucesso é ir de fracasso em fracasso, sem perder o entusiasmo”, e tiveram muitos fracassos. Seria de se esperar que os ânimos e o apoio da população diminuíssem ou esmorecessem frente a tamanhas dificuldades e desafios, mas como nação permaneceram unidos e inspirados por seu líder.

Liderar pode ser um verbo intransitivo, quando apresenta sentido completo e não precisa de complementos, sendo suficiente para expressar uma ação. Mas para liderar é preciso ter certos predicados que envolvem preparo e esforço pessoal.

Churchill liderou seu povo e suas forças armadas, utilizando todas as suas habilidades para superar um momento tão difícil. Algumas delas, listadas abaixo com o objetivo de refletirmos sobre a liderança e dar luz à nossa realidade:

-Comunicação: a capacidade de se comunicar de forma clara, concisa e precisa uma mensagem. Em um mundo de desinformação é mandatório tornar-se uma referência para as pessoas, alguém que valha a pena ser ouvido ou que se deseja ouvir. Churchill era reconhecido pelos seus belos discursos, em que cada palavra era pensada para um objetivo, e sua oratória demostrava segurança e firmeza.

-Inspiração: a capacidade de mostrar o futuro, para onde podemos e devemos seguir. Espera-se do líder que mostre os caminhos, e estimule todos a seguir uma mesma direção. Como um farol em uma tempestade, é um guia que evita o caos. Churchill, em muitos momentos, teve dúvida sobre suas decisões. Mas em uma guerra com muitas variáveis incontroláveis, nunca transpareceu esses momentos de fraqueza. Os fracos não inspiram e não lideram.

-Relações Humanas: saber coordenar com pessoas, conversar e extrair o melhor das pessoas, é talvez, uma das facetas mais importantes de um líder. Ele precisa convencer, ouvir, ser convencido e muitas vezes impor uma posição, sem criar objeção. A humanidade na formação de uma civilização deu um nome para isso, e a chamou de “política”. Com essas habilidades, Churchill uniu a Câmara dos Comuns (Congresso) e a Grã-Bretanha, convenceu seu próprio partido e o Rei George VI sobre suas posições, e, de forma sutil, costurou um acordo com o Estados Unidos no apoio à guerra.

-Conhecimento: é a coletânea de informações sobre um tema, conectados ao cérebro de uma pessoa. Essas conexões se formam com muito estudo e com muita experiência prática. Churchill teve carreira militar e política e atuou em comércio exterior, foi Lord do Almirantado na Primeira Guerra Mundial, conheceu o funcionamento de todas a colônias inglesas e foi secretário do interior. Enfim, experiências e informações importantes que viriam a apoiar suas decisões como Primeiro Ministro.

-Persistência: jamais desistir frente as dificuldades e tentar novamente. A persistência em uma ideia deve ser apoiada pelo conhecimento, pelas relações humanas e pela comunicação. Afinal, é preciso ter consciência da viabilidade de uma ideia pelo conhecimento adquirido, convencer os times de trabalho pelas habilidades políticas e comunicar claramente o que está fazendo a todos. Sem isso, a persistência pode ser confundida com teimosia.

-Coragem: a coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. E em momentos difíceis, como uma guerra, as decisões se tornam mais complexas, o caminho mais incerto e o futuro mais obscuro. Um líder precisa ter coragem para liderar.

Uma breve reflexão sobre a guerra em que vivemos e sobre os “líderes” que temos, concluímos que fracassamos como nação e como povo.

Propositalmente, de uma guerra de mais de 5 anos com 70 milhões de mortos, fiz um recorte temporal de um período de 9 meses com 50 mil mortos.

Após 5 meses de pandemia do SARS-Cov2, não consigo apontar nenhum líder de expressão, e já estamos com milhares de mortos e com a economia arrasada.

Em um mundo em que a imprensa não mais se preocupa em informar, mas em contornar os fatos, há inúmeras oportunidades para um líder conquistar uma posição de destaque utilizando uma comunicação clara, concisa e correta.

Vimos, no entanto, decisões serem tomadas sem critérios, mal explicadas e mal divulgadas, gerando dúvidas, medo e insegurança. Tudo menos inspiração.

Percebemos que não vivemos uma sociedade política, em que relações humanas são discutidas e debatidas com maturidade, mas em uma sociedade apolítica, em que os cidadãos apenas aceitam seu papel com “massa de manobra” de poucos. Como diria Platão “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam.”

Se isso não bastasse, vimos a falta de união para enfrentarmos essa guerra, com grupos políticos se digladiando, poderes da República se enfrentando e decisões sendo postergadas e questionadas em batalhas intermináveis nos tribunais, em uma completa falta de senso cívico, patriótico e de nação.

Vimos vidas serem perdidas e negócios ruírem…

Como empresários, devemos assumir nosso papel e influência neste panorama e refletir sobre nós mesmos em cada um dos temas colocados acima. Pois, se desejamos lideranças responsáveis, elogiáveis e respeitáveis, podemos começar com o mundo a nossa volta.

Sei que muitos empresários perderam seus negócios e muitos outros enfrentam grandes dificuldades. Em tempos de guerra, com a economia destruída e com os ânimos abatidos é que a persistência e a coragem exercem seu valor.
Como Churchill dizia “…se está atravessando o inferno, não pare”.

Não pare, e não vamos parar. Vamos ter forças para erguer nossas empresas, vamos juntos transformar nossas formas de gestão, estudar e aprofundar conceitos de administração e inovação. Vamos comunicar nosso propósito e inspirar nossas equipes. Vamos unir forças para defender nossos interesses, de nossas empresas e de nosso país.

Em tempos de guerra, vemos nascer líderes!
Vamos liderar…como verbo intransitivo!

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Marco Kumura

Empreendedor, CEO da Marketscape (empresa de referência em Inteligência de Mercado), mestre em Gestão de Negócios e professor na Fundação Dom Cabral, PUC/PR e UEL. Atua também como palestrante, colunista da CBN Londrina, diretor da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ABDV) e diretor de Inovação da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL). Tem se dedicado a estudos avançados em Estratégia, Vendas, Marketing e Inovação. Desenvolveu projetos empresariais no Brasil, em países da América Latina, Oriente Médio, África e Leste Europeu.

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