O selo do móvel pode garantir a qualidade desejada pelo consumidor?

Esse tema traz reflexões importantes sobre o atual cenário de móveis populares, já que pesquisas com consumidores reforçam que a qualidade é um atributo tão determinante na compra do móvel quanto o preço justo

Publicado em 21 de outubro de 2020 | 13:33

Esse tema traz reflexões importantes sobre o atual cenário de móveis populares, já que pesquisas com consumidores reforçam que a qualidade é um atributo tão determinante na compra do móvel quanto o preço justo.

No âmbito dessa complexa discussão, o fabricante e o varejo tem se mobilizado para ampliar o nível de informações técnicas sobre os móveis, expectativas ampliadas com o crescimento do canal digital e transparência exigidas pelo consumidor, agora mais exigente. Mas como medir a qualidade do móvel que acabei de comprar? Que atributos são valorizados? Como escolher entre tantos modelos similares? Como pontuar os critérios de qualidade? Como comunicar seu resultado para algo tangível no momento da compra e o preço justo? Falamos aqui de fazer boas escolhas, para que o consumidor possa escolher livre de pressões, de forma mais inteligente, satisfazendo positivamente as suas necessidades.

Trago algumas reflexões que fiz durante o mestrado, meu propósito foi dissertar sobre a qualidade do mobiliário popular, analisar a participação do designer no projeto, e as expectativas do consumidor de móveis no momento da compra. Devido à falta de parâmetros mínimos de qualidade, aprofundei minhas pesquisas sobre a contribuição da normaiização técnica e experiências de outros países, criando parâmetros que possibilitassem escolhas mais transparentes na relação qualidade x preço. Essa pesquisa já tem mais de 2 décadas e o tema ainda é polêmico e aguarda ações efetivas, mobilização do setor e valorização da cadeia.

Podemos começar a falar sobre quais os instrumentos estão disponíveis para a melhoria da qualidade do móvel popular, por exemplo o selo de qualidade e sua certificação, parâmetros importante para ganhar a confiança do consumidor, valorizando não só a conformidade com as normas técnicas mas o reconhecimento do mercado, pois fornece a qualidade do móvel e motiva a sua escolha.

Um bom exemplo que ilustro aqui e usei como case na minha pesquisa, é a Ikea, um dos maiores varejistas do mundo, cujos parâmetros são criteriosos e dentro da filosofia do design democrático, acessível, apoiado atualmente nos 5 pilares: forma, função, qualidade, sustentabilidade e preço justo.

Para parametrizar a qualidade, podemos analisar a performance do móvel de acordo com os ensaios de: durabilidade, resistência de superfície, qualidade do material e precisão de execução. Para cada um desses ensaios são determinados os níveis de exigência que o móvel deve atingir, e comunicados através de etiqueta fixada ao móvel , junto com a marca ou selo de conformidade:

  • Exigência de base – o móvel atende a demanda de utilização normal da casa
  • Exigência alta – o móvel atende a demanda de utilização superior da casa
  • Exigência muito alta – o móvel atende a demanda de utilização muito superior

Para esclarecer a importância do selo de conformidade do móvel, equipamentos de simulação de ensaios eram expostos nas lojas que pesquisei na França e Alemanha, simulando por exemplo abertura e fechamento de portas, resistências de prateleiras e outros tipos de ensaios, determinando a vida útil do móvel.

Talvez a indústria moveleira, entidades certificadoras e designers possam retomar o diálogo, para maior competitividade, diferenciação e agregação de valor. O designer tem na norma técnica um importante aliado para projetos resistentes e duráveis, ampliando a sua expertise e parâmetros de qualidade do móvel, ai sim será possível atender a real necessidade dos diferentes consumidores, a um justo preço e seus níveis de qualidade. Para quem se interessar pela pesquisa, a dissertação de Mestrado esta disponível na FAUUSP – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, e foi premiada na Categoria Menção Honrosa, no XI Prêmio Design Museu da Casa Brasileira pelos subsídios e informações para o desenvolvimento de projetos de moveis populares seriados produzidos em larga escala no Brasil.

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Andrea Krause

Designer e especialista em comportamento de consumo, formada em Desenho Industrial pela FAAP, com Mestrado pela FAUUSP. Com mais de duas décadas de experiência no desenvolvimento de materiais para o setor moveleiro e de construção civil. Atua como consultora de marketing, ministra cursos e palestras sobre Tendências. Estuda macrotendências do morar e formação de gosto, especialista do tema “Cor”.

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