CASACOR Minas começa neste sábado (15)

Com 40 ambientes, a 31ª edição da CASACOR Minas reúne 54 profissionais até 6 de outubro, com projetos de arquitetura, interiores e paisagismo em um edifício de 1941

Publicado em 13 de agosto de 2026 | 08:23 |Por: Julia Magalhães

A CASACOR Minas inicia sua 31ª edição neste sábado (15), em Belo Horizonte (MG), reunindo 40 ambientes assinados por 54 profissionais de arquitetura, design e paisagismo. A mostra permanece aberta até 6 de outubro na sede da PUC Minas Lourdes, edifício de 1941 que recebe o evento pelo segundo ano consecutivo.

Sob o tema ‘Mente Coração’, a edição propõe uma reflexão sobre razão e emoção a partir da casa. Embora mantenha o mesmo endereço do ano passado, o circuito foi reformulado, com novos espaços e outra dinâmica de visitação.

“Essa é uma edição completamente diferente da anterior, com novos espaços, uma dinâmica renovada, ambientes mais generosos e projetos realmente surpreendentes assinados por um elenco de peso”, destaca o diretor da CASACOR Minas, Eduardo Faleiro.

Além da exposição, a programação contempla palestras, encontros, bate-papos e experiências gastronômicas. “É um espaço incrível para network, conectando profissionais criativos, indústria e público. Além disso, a programação ainda reserva uma variedade inesgotável de eventos, como palestras, encontros e bate-papos, além da estrutura gastronômica criada para valorizar nossos talentos”, aponta a diretora do evento, Juliana Grillo.

CASACOR Minas

O percurso começa pela própria fachada do edifício. O projeto de iluminação e paisagismo da Atiaîa Lighting Design busca evidenciar a arquitetura Art Déco e a volumetria da construção.

Na entrada, o ambiente ‘Paralaxe’, da Greco Design, utiliza espelhos para abordar o excesso de imagens no cotidiano. Próximo dali está ‘Alento’, foyer da PUC Minas assinado por Bárbara Pazzini e Camila Vilela. O espaço permanecerá no imóvel após o encerramento da mostra.

Entre as propostas voltadas ao morar, o Estúdio Sala apresenta ‘Canvas’, inspirado nas salas de convivência dos anos 1970. Já o ‘Living Franccino Safra 25’, do escritório Silvia Carvalho Arquitetura, reúne hall, lounge, jantar e estar em uma composição integrada.

Myrna Porcaro, por sua vez, assina ‘Living e Jardim de Inverno’, com presença de arte e vegetação. No ‘Lounge Philco’, Bruna Raid trabalha a sala de TV a partir da relação entre conforto, arte e arquitetura.

A arquiteta Estela Netto participa com dois projetos. Em ‘Interlúdio’, materiais e objetos compõem um espaço de proporções equilibradas. No ‘Espaço Life Fitness’, a profissional leva a mesma linguagem para uma academia residencial que aproxima tecnologia, design e experiência de uso.

Materiais e sentidos

A relação entre os espaços e os sentidos aparece em diferentes pontos da mostra. Em ‘Raízes Sensoriais’, a arquiteta Holdlianh Beiró utiliza princípios do neurodesign em uma proposta que explora aromas e outros estímulos.

Já Eduarda Fernandes apresenta o living bar ‘A Última Hora da Casa’, concebido em torno da ideia de desaceleração. Em outra abordagem, Flávia Gamallo e Joana Veloso assinam a ‘Criatura Galeria’, dedicada ao design colecionável e à produção autoral contemporânea.

Na ‘Cozinha Brastemp’, a arquiteta Luisa Mano propõe um ambiente híbrido para diferentes usos. O ‘Loft do Criador’, da Gláucia Britto Arquitetura, busca referências nos haras contemporâneos, enquanto a ‘Saleta Entretempos’, de Jefferson Otávio, parte do perfil de um morador interessado em arte, música e encontros.

Texturas e materiais naturais aparecem no ‘Refúgio Entre Tempos’, de Bárbara Antunes. Já a ‘Casa para Durar – Loft Isofort’, do Studio 126, aposta em continuidade espacial e detalhamento arquitetônico.

O escritório CastelloCambraia assina ‘Maturidade Compartilhada’, living voltado à convivência. Em ‘Jantar Interlúdio’, Marcela Aquino trabalha referências de diferentes períodos em uma mesma composição.

Novas formas de morar

Mudanças nos hábitos domésticos também aparecem entre os projetos da CASACOR Minas. Na ‘Suíte Alma’, Flaví Pereira parte do trabalho remoto para projetar uma suíte destinada a estadias prolongadas em hotel.

O home office também ganha outra interpretação no projeto ‘Entre Performance e Pertencimento’, do Castro Maakaroun Design. A proposta procura ultrapassar a configuração tradicional dos ambientes de trabalho e aproximá-los da linguagem residencial.

No circuito, espaços funcionais recebem tratamento semelhante. A Framo Arquitetura assina ‘Pausa e Permanência’, formado por lounge e banheiro público, com diferentes materialidades e foco no acolhimento.

A sustentabilidade orienta o ‘Cria Café e Galeria’, da Esc Arquitetura. Com atmosfera de praça, o projeto se estende para uma galeria externa, prevista para receber uma nova exposição a cada semana. A conexão entre arquitetura, arte e design brasileiro também aparece na ‘Galeria Auá’, de Fernando Godoy, com obras de Marcos Coelho Benjamin.

Áreas externas

Do lado de fora do edifício, arquitetura e paisagismo ampliam o circuito. Em ‘Raízes da Terra’, Cynthia Silva e Kat Rosa colocam madeira e vegetação no centro da proposta.

O escritório L-ARA apresenta ‘Refúgio’, construção que dialoga com referências da arquitetura mineira por meio de texturas, escalas e irregularidades. A Play Arquitetura, por sua vez, ressignifica uma banca de revista no ‘Rivino Bar Banca’.

Outro projeto que explora técnicas construtivas é o ‘Pavilhão Oca’, da BCMF Arquitetos. A estrutura combina uma base de concreto impresso em 3D com uma grande abóbada formada por vergalhões trançados.

Na sequência, o jardim ‘Entretempos’, de Flávia D’urso, foi pensado como área de encontro e permanência. A ‘Cabana Wellness’, de Fabíola Constantino, explora elementos associados à rotina de cuidados físicos e mentais, incluindo aromas e rituais.

O paisagismo segue presente no jardim ‘Bem-Estar’, de Nãna Guimarães, com espécies aromáticas, e na ‘Varanda de Convivência’, de Ana Mendes, que integra arquitetura, vegetação e tecnologia.

Design e convivência

Na etapa final do circuito, o ‘Listening Bar – Bar Rivo’, do escritório Moretzsohn Arquitetura, combina áreas aberta e fechada, mobiliário de diferentes épocas e obras de arte valorizadas pela iluminação.

Pedro Félix assina o ‘Living Guararapes’, concebido como um lounge sensorial. Já o restaurante ‘Agnes’, da Balsa Arquitetura, tem entre seus elementos uma extensa mesa comunitária que percorre o salão. O espaço é comandado pela chef Agnes Farkasvolgyi.

O percurso termina na ‘Varanda Gourmet Aura’, do Studio Arquitetônico. Alinhado ao tema da edição, o ambiente trabalha percepção e emoção por meio de textura, temperatura e contato com os materiais.

Assim, os projetos apresentados nesta edição percorrem temas que vão do bem-estar e da convivência às mudanças na relação com o trabalho, além de explorar materiais, tecnologia, arte e novas interpretações dos espaços domésticos.

Edifício histórico

A sede da CASACOR Minas também integra a experiência da mostra. Construído originalmente para receber o Instituto Metodista Izabela Hendrix, o imóvel hoje pertence à PUC Minas e abriga a unidade Lourdes da instituição.

Projetado pelo arquiteto italiano Raffaello Berti, responsável por mais de 200 obras em Belo Horizonte, o edifício apresenta predominância do estilo Art Déco e influência de traços modernistas. Entre suas características estão a planta simétrica, as janelas altas e estreitas e a fachada em pó de pedra.

O prédio integra o Circuito Liberdade e é tombado pelos órgãos de proteção do patrimônio. Adquirido pela PUC Minas no fim de 2023, atualmente recebe cursos como Arquitetura e Urbanismo, Jogos Digitais, Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas.

Em 31 anos, a mostra já passou por 26 imóveis da região metropolitana de Belo Horizonte. Arquivo Público Mineiro, Casa do Conde, Casa Niemeyer, Casarão da Sapucaí, Palácio das Mangabeiras, atual Parque do Palácio, e imóveis da região da Pampulha estão entre os endereços que fizeram parte dessa trajetória.

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