Design sensorial guia tendências vistas em Milão
Design sensorial marcou debates da Casa Dexco ao analisar oito movimentos vistos em Milão e Paris para 2026
Publicado em 15 de maio de 2026 | 08:01 |Por: Julia Magalhães

O design sensorial esteve no centro das discussões apresentadas pelo jornalista e crítico de design Marcelo Lima durante talk realizado na terça-feira (12), na Casa Dexco, em São Paulo (SP). A partir de referências observadas nas semanas de design de Milão e Paris, o especialista analisou oito movimentos que vêm influenciando a arquitetura, o mobiliário e os ambientes contemporâneos em 2026.
Ao longo da apresentação, Lima apontou uma mudança de percepção sobre o papel do design. Segundo ele, os projetos deixam de priorizar exclusivamente forma e funcionalidade para explorar memória, materialidade, contemplação e experiência sensorial. Nesse contexto, o design sensorial aparece como eixo central de uma produção voltada à permanência, à emoção e à relação afetiva entre pessoas e espaços.
Entre os principais pontos abordados, o jornalista destacou a valorização das matérias-primas naturais. Madeira, pedra e fibras orgânicas ganharam protagonismo em lançamentos internacionais, reforçando uma busca por autenticidade e origem dos materiais.
Como exemplo, Lima citou a exposição Stone Supermarket, desenvolvida pelo estúdio OMA/AMO. A instalação reproduziu itens cotidianos de supermercado em pedra natural para provocar reflexões sobre consumo, descarte e permanência dos materiais. A proposta colocou objetos efêmeros em contraste com matérias-primas que levam milhões de anos para serem formadas.
No mercado brasileiro, essa valorização da materialidade apareceu em soluções como o painel Timborana Silvestre, da Duratex, e nas Cubas Etrusco, da Deca, produzidas em concreto arquitetônico. Segundo Lima, o movimento reforça a busca por superfícies com identidade cultural, textura e presença estética.
Outro ponto abordado foi a circularidade. Para o crítico, a sustentabilidade deixou de estar associada apenas ao reaproveitamento de resíduos e passou a envolver processos regenerativos, técnicas ancestrais e reinterpretação de referências históricas.
Nesse cenário, Lima mencionou o trabalho da ICMA, fabricante que desenvolve mobiliário a partir da prensagem de papéis descartados, além da atuação da designer Paula Lenti, que reutiliza resíduos da própria produção como enchimento de estofados.
A discussão também dialogou com soluções brasileiras, como a Linha Matéria, da Castelatto, produzida com resíduos de louças sanitárias da Deca. O produto utiliza sobras industriais para criar superfícies de aparência híbrida e natural.
Design sensorial
Ao analisar as tendências vistas em Milão e Paris, Marcelo Lima afirmou que o design contemporâneo vem ampliando sua relação com os sentidos e com a experiência dos usuários. Para ele, os ambientes passaram a ser concebidos como espaços de acolhimento, permanência e percepção.
Dentro desse movimento, a modularidade apareceu como resposta à necessidade de adaptação dos espaços domésticos. Lima observou uma retomada da independência da mesa de jantar nos projetos residenciais, rompendo com a lógica dos layouts integrados às ilhas e penínsulas.
A aproximação entre arte e design também ganhou destaque na apresentação. Segundo o jornalista, o setor busca criar ambientes mais contemplativos e menos focados exclusivamente na funcionalidade prática.
Outro conceito discutido foi o “Indústriariato”, termo utilizado para definir a aproximação entre produção industrial e acabamento artesanal. Para Lima, o movimento reflete uma valorização crescente de peças autorais, pequenas séries e objetos que carregam marcas humanas no processo produtivo.
O setor Raritas, no Salão do Móvel de Milão, foi citado como exemplo desse comportamento. O espaço reuniu peças de perfil colecionável e destacou o mobiliário moderno brasileiro de Jorge Zalszupin entre os itens de maior relevância da mostra.
A relação entre memória e contemporaneidade também apareceu em coleções como Petra Sedimentum, da Portinari, e Ruína Etrusco, da Castelatto. Segundo Lima, os projetos dialogam com permanência, temporalidade e resgate histórico.
Ao encerrar o encontro, o jornalista destacou o avanço de uma produção voltada à introspecção e à desaceleração cotidiana. “O design não é mais sobre projetar o que existe, mas sobre adentrar o que se pode sentir. Saímos do real para o intangível, buscando um refúgio de introspecção e acolhimento”, afirmou Marcelo Lima.
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