Escada vira escultura e desafia gravidade na Casacor São Paulo 2026

Com curvas improváveis e execução milimétrica em MDF, escada da Casa da Marcenaria Brasileira | Duratex revela como engenharia de produto e trabalho artesanal expandem as possibilidades da arquitetura contemporânea na Casacor São Paulo 2026

Publicado em 20 de julho de 2026 | 12:00 |Por: Thiago Rodrigo

Em meio aos ambientes da Casacor São Paulo 2026, um elemento em especial tem despertado a atenção do público – e provocado dúvidas genuínas entre os visitantes. Assinada por João Panaggio, a escada que conecta o térreo ao mezanino da Casa da Marcenaria Brasileira | Duratex frequentemente é confundida com uma obra de arte. Com curvas contínuas e proporções incomuns, muitos chegam a questionar se sua estrutura é de fato funcional ou se apenas se trata de uma instalação escultórica.

A resposta está justamente na potência do projeto: a peça reúne expressão estética e rigor técnico em igual medida. Mais do que um elemento cenográfico, a escada foi concebida para ser plenamente funcional e segura, tornando-se um exemplo de como a arquitetura contemporânea tem explorado formas cada vez mais orgânicas, fluidas e personalizadas.

Seu desenho sinuoso exigiu uma execução de alta complexidade, transformando a peça em um dos projetos mais desafiadores já desenvolvidos pela equipe de engenharia de produto da Celmar, marcenaria parceira responsável pela produção. Ao todo, cerca de 20 profissionais estiveram envolvidos entre desenvolvimento, testes e execução.

Todo o revestimento externo da escada foi realizado com MDF Duratex no padrão Carvalho Brun, em chapas de 6 mm — com exceção dos degraus, executados em piso Etrusco Fendi, da Castelatto. Para tornar possível a curvatura extrema sem comprometer a integridade do material, a equipe recorreu à técnica conhecida no setor como “sangrar a peça”, que consiste em realizar frisos milimétricos na parte posterior da chapa até próximo à camada de revestimento. Esse processo reduz a rigidez do MDF, permitindo que ele seja moldado sobre uma base flexível e acompanhe curvas complexas com precisão.

A complexidade da obra foi além da curvatura principal. O guarda-corpo exigiu usinagem manual com tupia para acompanhar o desenho contínuo idealizado pelo arquiteto, enquanto a parte inferior da escada — marcada por uma curva extremamente fechada — demandou o uso de fita de borda em PVC moldada manualmente com soprador térmico, evitando emendas visíveis e preservando a fluidez visual da peça.

“Foi um dos projetos mais desafiadores que já recebemos no setor de projetos especiais. O maior desafio era transformar um desenho de curvas muito fechadas em algo executável sem perder a fluidez visual imaginada pelo arquiteto. Cada etapa exigiu testes, prototipagem e ajustes finos na obra. É o tipo de projeto que mostra como técnica, experiência e trabalho artesanal precisam atuar juntos para alcançar esse resultado”, explica Caio Uekita, analista de projetos da Celmar.

Antes da instalação final, o projeto passou por cerca de 20 dias de estudos e testes em fábrica, localizada em Salto de Pirapora (SP), incluindo a construção de um protótipo em estrutura metálica. Para garantir total aderência à estrutura instalada na mostra, a equipe optou por realizar toda a moldagem e o revestimento diretamente no ambiente da Casacor. A construção da escada levou quase dois meses e mobilizou uma equipe especializada dedicada exclusivamente à peça.

O resultado materializa uma demanda cada vez mais presente no mercado de arquitetura e interiores: a busca por soluções personalizadas, capazes de romper com geometrias rígidas e traduzir identidade por meio da forma. Se antes predominavam módulos ortogonais e composições padronizadas, hoje cresce o interesse por superfícies curvas, peças usinadas e projetos desenhados sob medida.

“Hoje, vemos arquitetos cada vez menos interessados em soluções padronizadas e cada vez mais orientados pela originalidade. Quando design, tecnologia e materialidade trabalham em conjunto, surgem projetos que extrapolam a função e passam a ocupar também um lugar de expressão artística”, afirma Patrícia Cisternas, gerente de Marketing da Duratex.

Nesse contexto, a escada criada para a Casacor surge como um case emblemático de como inovação em engenharia de produto, domínio técnico da marcenaria e qualidade do material podem expandir significativamente as possibilidades do MDF — transformando um revestimento tradicional em matéria-prima para estruturas que transitam entre arquitetura, design e arte.

Casacor São Paulo 2026

Data: Até 09 de agosto
Local: Parque da Água Branca – Rua Dona Ana Pimentel, 37
Mais informações: https://casacor.abril.com.br/pt-BR/mostras/sao-paulo-2026

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