‘Apagão’ de mão de obra afeta as moveleiras de Arapongas

Indústria do setor moveleiro da cidade paranaense de Arapongas vive o drama da falta de mão de obra especializada

Publicado em 7 de março de 2022 | 18:49 |Por: Sandra Solda

A indústria do setor moveleiro de Arapongas vive o drama da falta de mão de obra especializada tanto no setor de estofados, quanto no setor da madeira. Profissionais qualificados em trabalhos artesanais como costura e outros de maior complexidade como operadores de maquinários, estão em falta no mercado. Cursos de capacitação oferecidos pelo município tem baixa procura, enquanto os profissionais com a experiência necessária para as tarefas já estão deixando o mercado de trabalho. Para representantes do setor, a situação que já afeta a produção em meses de alta demanda, é considerada preocupante.

Para o secretário municipal Nilson Carlos Stefani Violato, responsável pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Inovação, Trabalho e Renda (Semude) de Arapongas, muitas vagas de emprego no setor estão abertas, mas, o apagão de mão de obra ocorre principalmente pela falta de renovação de profissionais.

“Vemos este problema principalmente no setor de estofados, existe uma carência de mão de obra específica, tanto o estofador quanto a costureira. Antigamente tinha bastante, hoje são poucos, os jovens não querem trabalhar na área de manufatura. Não é por falta de incentivo na formação, é um critério de opção. Existe uma carência de cultura de capacitação, ou seja, os cursos estão sendo oferecidos, mas não há procura, não existe adesão”, explicou.

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Ainda segundo Violato, no setor de madeira o problema também ocorre, pois é um segmento que precisa de uma mão de obra mais estruturada. “As empresas precisam contratar um operador de máquinas treinado. O salário era mais estimulador, hoje nem tanto. Isso também afeta o interesse de novos profissionais”, ponderou.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Arapongas (STICMA), Carlos Roberto da Cunha, o problema já afeta a produção de muitas empresas, sobretudo do ramo de estofados, onde faltam tapeceiros, estofadores e costureiras. Para ele, um ‘apagão’ deste tipo de mão de obra já está próximo de acontecer.

“O que acontece é o pouco investimento de capacitação por parte das industrias e a falta de interesse da população também, os mais jovens não querem assumir este tipo de trabalho. Muitos trabalhadores estão se aposentando, então se isso não mudar, pode haver um apagão deste tipo de profissionais na indústria, já que é um trabalho braçal.

Antigamente muitas empresas investiam na formação destes profissionais, hoje isso diminuiu e os salários já não são tão atrativos. Temos um cenário preocupante neste sentido. Acredito que o próprio empresariado vai ter que voltar a formar o profissional na empresa para tentar reverter esse quadro”, observou o sindicalista.

Quem sente na pele este problema é o empresário José Carlos Moura. Proprietário de uma empresa de estofados, ele lamenta o fato de que muitos profissionais estão encerrando a vida profissional e poucos querem assumir o trabalho.

“Já está acontecendo um apagão de mão de obra no setor. Os trabalhadores mais jovens não querem participar de treinamentos para estes trabalhos, eles se interessam mais pela área de tecnologia. Essa falta de mão de obra acaba afetando muitas vezes a qualidade do produto e implica também em um volume menor de vendas. Creio que para mudar esse quadro será somente com o interesse de novos profissionais para formação nessa área, mas percebo que com os mais jovens, isso será difícil”, considerou o empresário.

Fonte: TN On-line

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