Arábia Saudita: novas oportunidades para o mobiliário no Oriente Médio

Com economia em expansão e forte investimento em habitação e urbanização, Arábia Saudita desponta como mercado promissor para o mobiliário brasileiro

Publicado em 17 de dezembro de 2025 | 08:00 |Por: Thiago Rodrigo

A Arábia Saudita, maior economia do Oriente Médio e 19ª do mundo, vive um momento de diversificação e modernização acelerada. Com um Produto Interno Bruto de US$ 1,2 trilhão e renda per capita de US$ 35 mil em 2024, o país avança no plano Visão 2030, que busca reduzir a dependência do petróleo, impulsionar a construção civil e criar novas bases de consumo interno no país ao longo dos próximos anos.

O crescimento do setor imobiliário, impulsionado por ações como o Saudi Housing Program — que prevê elevar a taxa de propriedade familiar para 70% até o fim da década —, e a rápida urbanização vêm estimulando a demanda por móveis residenciais e corporativos de maior qualidade e valor agregado.

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Nesse contexto, o mercado moveleiro saudita desponta como uma das frentes mais dinâmicas de expansão, sendo foco do “Estudo de Oportunidades para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões – País-Alvo: Arábia Saudita | Edição 2025”, desenvolvido pelo Iemi com exclusividade para o Projeto Setorial Brazilian Furniture, iniciativa organizada pela Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

A presença digital também ganha força: o e-commerce de móveis já representa 7% das vendas do setor no país, com grandes redes investindo em plataformas on-line e estratégias de personalização. Ao mesmo tempo, o consumidor saudita tem se mostrado cada vez mais exigente, buscando peças com estilo moderno e acabamento sofisticado. Um perfil de consumo que abre espaço para produtos brasileiros que aliam design autoral, matérias-primas nobres, conforto e sustentabilidade.

Importações em alta e espaço aberto para novos fornecedores

Apesar de a produção local ter crescido +46,4% entre 2020 e 2024, o país ainda depende fortemente das importações. No último ano, 68,4% do consumo aparente foi suprido por produtos importados, totalizando US$ 1,8 bilhão, um aumento de +38,6% em relação a 2020 e +14,4% frente a 2023.

A China domina o fornecimento no setor, com 47,7% de participação, seguida pela Itália (9,3%) e Turquia (6,0%). O Brasil, por sua vez, ainda tem participação modesta — 0,1% do total —, ocupando a 43ª posição entre os países exportadores.

Desempenho brasileiro e oportunidades à vista

Entre 2008 e 2024, o Brasil exportou US$ 27,3 milhões em móveis e colchões para a Arábia Saudita. Após o pico de US$ 5,2 milhões em 2021, o fluxo comercial caiu, chegando para US$ 1,28 milhão em 2024, refletindo ajustes conjunturais e a concorrência acirrada.

Em termos de volume, foram 956 toneladas exportadas em 2024, uma queda de 39% em relação ao ano anterior, mas ainda 8% acima da média histórica. Os móveis de madeira representaram 94,3% do total exportado, enquanto os assentos responderam por 4,4%, evidenciando o predomínio da linha residencial tradicional brasileira.

Potencial de crescimento e posicionamento competitivo

Frente a todos os pontos observados, o IEMI projeta que o Brasil pode impulsionar — e muito! — suas exportações para a Arábia Saudita no médio e longo prazo, alcançando US$ 4,4 milhões — um crescimento potencial de 344% —, especialmente com o fortalecimento da oferta de produtos de maior valor agregado, design autoral e sustentabilidade.

O desafio está no posicionamento de preços. Em 2024, a Arábia Saudita pagou em média US$ 1,34/kg pelos produtos brasileiros, valor 53% inferior ao preço médio geral das importações do país (US$ 2,89/kg). Isso revela um espaço estratégico para o Brasil ascender às faixas premium, diversificando sua oferta e ganhando competitividade frente a fornecedores europeus e asiáticos.

Relações comerciais e integração entre Brasil e Arábia Saudita

A consolidação do comércio bilateral avança em um contexto de aproximação política e econômica entre os dois países. Com tarifas médias entre 5% e 15%, a Arábia Saudita mantém uma política comercial aberta e tem buscado estreitar laços com o Brasil, sobretudo após sua adesão ao BRICS em 2024, ao lado de outras potências emergentes.

Essa convergência favorece novos acordos, investimentos cruzados e iniciativas de cooperação setorial, como as promovidas pela Abimóvel e pela ApexBrasil no âmbito do Projeto Brazilian Furniture. A presença brasileira em eventos internacionais na região, como a Index 2025, realizada em setembro passado em Riade, ilustra esse esforço de aproximação.

Na ocasião, 28 indústrias brasileiras participaram da feira — seis como expositoras e mais 22 integrando a Missão Comercial organizada pelo projeto —, promovendo o design, a sustentabilidade e a capacidade produtiva nacional junto a compradores de toda a região.

Mais do que uma participação pontual, a ação reflete uma estratégia contínua de inserção internacional, com foco em fortalecer o relacionamento entre empresas brasileiras e compradores sauditas, construir parcerias de longo prazo e consolidar o Brasil como um fornecedor competitivo e confiável de móveis e colchões no Oriente Médio.

Dessa forma, em um país que alia alto poder de consumo, investimentos em infraestrutura e valorização do design, há amplo espaço para o mobiliário brasileiro se firmar com identidade, inovação e competitividade.

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