Atualizações do tarifaço são avanço sem beneficiar indústria de móveis

Abimóvel emite posicionamento sobre atualizações do tarifaço que não beneficiam indústria de móveis

Publicado em 24 de novembro de 2025 | 09:45 |Por: Thiago Rodrigo

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar a sobretaxa de 40% sobre mais de 200 produtos agrícolas brasileiros, anunciada na quinta-feira, 20 de novembro de 2025, representa um avanço importante nas negociações bilaterais e reforça o ambiente de diálogo técnico entre os dois países. A medida, que beneficia principalmente itens do agronegócio, como carne, café, frutas, cacau e alguns fertilizantes, vem na sequência da redução da tarifa adicional de 10% anunciada na semana passada e responde, sobretudo, à pressão da inflação de alimentos no mercado americano. Para a indústria de móveis e demais bens manufaturados, porém, o quadro permanece essencialmente inalterado.

Móveis, madeira processada, calçados, alumínio e outros insumos industriais continuam sujeitos às sobretaxas e às medidas já em vigor, o que mantém elevado o custo de acesso ao mercado norte-americano e reduz a competitividade do produto brasileiro em relação a concorrentes de outros países. Na prática, o setor moveleiro segue enfrentando revisão de pedidos, renegociação de contratos e a busca pelo redirecionamento de exportações para outros destinos. É o que avalia a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel).

Brasil Móveis 2025 é lançado

Como reitera Welber Barral, sócio-fundador da BMJ e ex-secretário de Comércio Exterior, que coordena a defesa da Abimóvel nas negociações em Washington (EUA), o alívio tarifário anunciado está concentrado em commodities agrícolas e não alcança a maior parte dos bens industriais, até mesmo como o café solúvel, entre outros itens.

Ele alerta também para a continuidade da investigação da Seção 301, que pode servir de base para novas medidas restritivas caso não haja uma solução negociada. Nesse contexto, a agenda prioritária para o Brasil segue sendo a retirada das sobretaxas sobre produtos manufaturados, entre eles o mobiliário e sua cadeia de suprimentos.

Em nota, o Itamaraty diz que “o Brasil seguirá mantendo negociações com os EUA com vistas à retirada das tarifas adicionais sobre o restante da pauta de comércio bilateral”, reforçando a importância do setor industrial.

Abimóvel em defesa da indústria de móveis

A Abimóvel tem atuado em estreita cooperação com as autoridades brasileiras e americanas, fornecendo informações técnicas sobre o setor de móveis, seus encadeamentos produtivos, geração de emprego e esforço exportador, além de evidenciar o compromisso da indústria com critérios de sustentabilidade e conformidade regulatória. O objetivo é demonstrar que a manutenção das tarifas sobre móveis e insumos do segmento não contribui para a segurança econômica dos Estados Unidos e, ao contrário, encarece produtos para o consumidor final americano.

Do ponto de vista da indústria moveleira, a decisão é interpretada, portanto, como um sinal importante de que o diálogo funciona, mas ainda insuficiente para recompor o ambiente de previsibilidade e equilíbrio concorrencial de que o setor e a indústria brasileira necessitam.

A expectativa agora é que a mesma lógica aplicada aos alimentos – de combate à inflação e de garantia de oferta – seja estendida aos bens industriais, com a construção de um cronograma claro para a remoção das sobretaxas sobre móveis, madeira e demais produtos industriais brasileiros. A Abimóvel declara que seguirá acompanhando de perto as negociações, apoiando as empresas no processo de adaptação e defendendo, em todas as instâncias, a normalização do comércio bilateral no interesse mútuo dos dois países.

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