Entrevista: Ana Luisa Pamplona da Schattdecor
Schattdecor antecipa tendências globais e investe em inovação tecnológica, com nova linha de impressão, para se impulsionar no mercado moveleiro
Publicado em 20 de maio de 2026 | 08:00 |Por: Thiago Rodrigo
Antecipar movimentos, traduzir comportamentos e transformar tudo isso em superfícies decorativas. Esse é o desafio da Schattdecor, que apresenta ao mercado o conceito The Art of Tomorrow como guia para suas criações. A proposta reúne três universos de tendências – Hipstoric, Clarity e Neo Aesthetic – que refletem não apenas estética, mas também mudanças culturais, produtivas e sustentáveis. Segundo a profissional de comunicação e marketing da empresa, Ana Luisa Pamplona, o conceito parte de uma premissa essencial: a indústria precisa pensar no futuro. “O que lançamos hoje será utilizado pelos clientes daqui a algum tempo. Por isso, é necessário olhar sempre adiante”, explica. Ela fala sobre isso e muito mais nesta entrevista exclusiva ao Portal eMóbile, o site de notícias da Revista Móbile.
eMóbile | Como se diferenciam os três universos de tendências do The Art of Tomorrow da Schattdecor?
Ana Luisa | Trouxemos o conceito “The Art of Tomorrow” porque, no fim das contas, o que fazemos é arte voltada para o futuro. Aquilo que lançamos hoje será utilizado pelos clientes daqui a algum tempo, então precisamos pensar sempre à frente. O primeiro universo, Hipstoric, propõe resgatar do passado aquilo que permanece relevante, dando uma nova roupagem. Trata-se de valorizar materiais duráveis e clássicos, que continuam atuais independentemente da época. São elementos atemporais que podem ganhar novas interpretações, cores ou aplicações, mantendo sua essência.
eMóbile | É possível reinterpretar padrões antigos com novas aplicações ou características?
Ana Luisa | Sim, é totalmente possível. Inclusive, temos discutido bastante essa abordagem com nossos clientes. Podemos trabalhar uma nova paginação de uma madeira, alterar cores ou até combinar uma cor consolidada com uma estrutura mais atual, ou o contrário. Esse movimento faz sentido no contexto atual, em que as empresas buscam produtos que tenham bom desempenho comercial e sustentabilidade no longo prazo. Trata-se de revisitar referências já existentes para otimizar e entregar algo renovado ao mercado.
eMóbile | O Hipstoric também se conecta com o comportamento nostálgico observado atualmente?
Ana Luisa | Sim, existe uma conexão clara com a nostalgia. As tendências dialogam diretamente com o comportamento das pessoas, e hoje vemos um resgate do que é antigo, durável e significativo. Esse retorno ao passado, aliado a novas interpretações, tem gerado grande identificação, inclusive em diferentes faixas etárias.
eMóbile | E o que caracteriza o universo Clarity?
Ana Luisa | O Clarity surge como resposta ao excesso de estímulos do mundo atual. Ele propõe um olhar mais consciente para os espaços, focando no que realmente importa. Mas aqui a gente não vê o minimalismo só pelo minimalismo. Não se trata apenas de minimalismo estético, mas de entender o propósito de cada elemento no ambiente. A ideia é criar composições que tragam sensações positivas e facilitem o cotidiano, reduzindo estímulos desnecessários e promovendo bem-estar.
eMóbile | Como o Clarity pode ser aplicado em espaços comerciais?
Ana Luisa | Nos espaços comerciais, o Clarity funciona como uma base que permite que outros elementos se destaquem. Ele traz uma sensação de tranquilidade e organização, contribuindo para uma experiência mais agradável. É uma abordagem que valoriza a funcionalidade e o equilíbrio, especialmente em ambientes que recebem grande fluxo de pessoas.
eMóbile | O que define o universo Neo Aesthetic?
Ana Luisa | O Neo Aesthetic propõe uma nova forma de enxergar a estética, valorizando o material e sua origem. A ideia é aceitar imperfeições quando elas fazem parte de um processo mais sustentável. Um exemplo é o uso de substratos alternativos, como materiais de origem vegetal, que podem não oferecer acabamento perfeito, mas carregam um significado importante. Essa nova estética valoriza o propósito e o impacto do material, acima da perfeição visual. Então, está tudo bem ele não ser perfeito desde que seja feito com materiais que impactem menos.
eMóbile | Existem outros exemplos dessa abordagem além do uso de substratos alternativos?
Ana Luisa | Sim. O próprio MDF já representa um caminho nesse sentido. É uma representação do material original, é de alguma forma, um caminho de não explorar a madeira nativa, por exemplo.
eMóbile | Como a Schattdecor adapta essas tendências ao mercado local?
Ana Luisa | Nosso principal objetivo no Brasil é traduzir essas tendências globais para a realidade local. Trabalhamos de forma personalizada com cada cliente, considerando suas características, mercado de atuação e região. Por exemplo, no Hipstoric, podemos reinterpretar madeiras brasileiras que tiveram relevância no passado. Como o Brasil é um país de dimensões continentais, é essencial adotar uma abordagem individualizada para atender às diferentes demandas.
eMóbile | Existem exemplos práticos de adaptação as tendências observadas ao mercado brasileiro?
Ana Luisa | Um exemplo é a pedra Patagônia, utilizada no Clarity. Embora apresentada internacionalmente com tonalidades diferentes, adaptamos sua aplicação para refletir a aparência natural encontrada no Brasil, com tons mais esverdeados e suaves. Esse tipo de ajuste torna o produto mais alinhado ao gosto e à realidade do mercado local.
eMóbile | Como funciona o desenvolvimento de novos decors e a relação com clientes da cadeia moveleira?
Ana Luisa | Os decors apresentados nos trendbooks são desenvolvidos globalmente e ficam disponíveis para todos os clientes. No entanto, também realizamos projetos exclusivos sob demanda, muitas vezes a partir de solicitações de fabricantes de móveis. Embora não vendamos diretamente para esses fabricantes, trabalhamos em conjunto com eles e com nossos clientes diretos, como fabricantes de painéis, para desenvolver soluções específicas.
eMóbile | Qual é o objetivo da participação da Schattdecor em feiras como a ForMóbile?
Ana Luisa | O nosso grande objetivo da feira é sempre receber nossos clientes. É o relacionamento, a gente ter um espaço onde a gente consiga falar com os nossos clientes. Muitas vezes a gente não tem esse espaço no dia a dia. As conversas acontecem de formas rápidas, correndo às vezes no escritório do cliente, às vezes aqui, lá querendo ou não um espaço neutro, então isso é muito bom para todos os lados. Sempre saímos da feira com muita coisa frutífera, é sempre muito positivo os contatos e não só contatos entre comercial e desenvolvimento de produto do cliente, mas também entre área técnica e área técnica, entre compras e compras, enfim.
eMóbile | Qual é a proposta da nova linha de impressão da empresa?
Ana Luisa | A nova linha de impressão vem como uma resposta de preparação. Ela não está resolvendo um problema necessariamente atual, mas vem como uma preparação para o futuro. Apesar de termos nossas produções sempre cheias, ela traz uma capacidade produtiva muito maior, aumentando em até 50% a capacidade, considerando uma linha comparada às três atuais, também por ser uma tecnologia nova. A gente acredita no potencial do mercado brasileiro e latino-americano. É um processo longo, porque é um equipamento complexo, que precisa ser desenvolvido, montado, com equipe indo para a Alemanha, depois trazido em containers para o Brasil. Existe uma expectativa grande para começar a rodar e a previsão é que ela fique pronta por volta do meio do ano.
eMóbile | Quais são os principais diferenciais dessa nova linha de impressão?
Ana Luisa | O maior diferencial da máquina é a velocidade, que chega a cerca de 100 km/h a mais do que uma máquina comum. Isso favorece a capacidade de produzir mais, mas também de produzir outros tipos de produtos. Existe a possibilidade de realizar testes e trabalhar junto com o cliente no desenvolvimento de novos produtos. Além disso, ela possui um processo mais automatizado, como a primeira puxada do papel, o que melhora a velocidade e reduz a dependência de falhas humanas, mesmo sendo uma máquina ainda bastante operada manualmente. Ela também atende todas as normas reguladoras de segurança, sendo ainda mais segura dentro do processo produtivo.
eMóbile | Quais avanços recentes ocorreram na área de impregnação?
Ana Luisa | Na impregnação, a gente adquiriu recentemente um novo módulo que agrega o overlay líquido, algo que não tínhamos no Brasil. O overlay é uma camada adicional de resina aplicada dependendo do tipo de produto, e o overlay líquido é mais voltado para o mercado de pisos. Esse é um segmento que não estava tão aquecido nos últimos anos, mas vem crescendo novamente. Com isso, temos tido mais demanda de décor para pisos, e o overlay líquido permite atender essa indústria de forma mais eficiente, já que são especificações técnicas diferentes em relação ao painel, principalmente em termos de resistência.
eMóbile | O que é o termoplástico utilizado nos Estados Unidos?
Ana Luisa | O termoplástico é um polímero. Nos Estados Unidos existe um mercado muito grande de vinílico, então a fábrica passou a imprimir também nesse material. Ele é termomoldável, ou seja, pode ser moldado com calor. Foi um investimento recente em maquinário para atender esse mercado, principalmente na América do Norte. Por enquanto, essa tecnologia está focada lá, mas existe a possibilidade de expansão no futuro. Nesse caso, o desenho é impresso no polímero, e não no papel, para aplicação em pisos vinílicos.
eMóbile | Qual é o papel da impressão digital na Schattdecor?
Ana Luisa | A impressão digital continua concentrada na Alemanha, onde foi instalada uma nova máquina no ano passado. Ela ainda é cara para o Brasil, porque o material é importado, mas tem um grande potencial. Com ela se consegue com uma impressão digital produzir uma quantidade menor de papel porque o acerto de máquina não é tão demorado. Isso abre possibilidades, especialmente quando comparado a concorrentes, como os chineses. No entanto, para o mercado brasileiro, ainda é uma tecnologia cara. Mesmo assim, o grupo vê bastante potencial. Existem aplicações específicas, como decors com imagens fotográficas, que não podem ser feitos na rotogravura e nesses casos a impressão digital é utilizada.








