Importação vira estratégia de sobrevivência em máquinas e equipamentos
Com importação de máquinas e equipamentos perto de metade do consumo e produção local em ritmo lento, empresas reconfiguram operação e pressionam preços ao consumidor
Publicado em 19 de junho de 2026 | 08:00 |Por: Thiago Rodrigo

Os produtos importados já representam cerca de 49,7% do consumo no setor de máquinas e equipamentos no Brasil, enquanto a indústria nacional avançou apenas 0,6% em 2025, segundo dados da Abimaq e do IBGE. A combinação de baixa expansão, juros elevados e crédito restrito tem pressionado margens e forçado empresas a rever rapidamente suas estratégias operacionais.
Gustavo Braz, CEO do Grupo PMD, afirma que a discussão deixou de ser sobre se importar faz sentido e passou a ser sobre como estruturar essa operação. “A indústria brasileira não discute mais se deve importar, mas como fazer isso sem perder margem e competitividade. Quem não se adapta, perde espaço”, diz.
O avanço das importações acompanha um movimento mais amplo de ajuste econômico. Em um ambiente de custo elevado e demanda instável, estruturas industriais rígidas se tornam menos viáveis. Dados da Confederação Nacional da Indústria mostram que 94,2% das empresas do setor são de pequeno porte e enfrentaram deterioração nas condições financeiras ao longo de 2025, o que reforça a necessidade de modelos mais flexíveis.
Na prática, o setor passa por uma transição. Empresas deixam de operar de forma totalmente verticalizada e adotam estruturas híbridas, combinando importação direta, montagem local e desenvolvimento de marcas próprias. “Competitividade hoje não está só na produção. Está na inteligência da cadeia, na negociação internacional e na velocidade de resposta ao mercado”, afirma.
Máquinas e equipamentos
Esse movimento altera o papel da indústria nacional. Linhas de menor valor agregado tendem a ser substituídas por produtos importados, enquanto a produção local se concentra em itens mais técnicos, personalizados ou com maior necessidade de suporte. O foco deixa de ser volume e passa a ser eficiência e posicionamento.
Do ponto de vista financeiro, a mudança também redesenha a estrutura das empresas. A importação permite reduzir capital imobilizado, ajustar estoques com mais agilidade e melhorar a gestão de caixa em um cenário de crédito caro. Ao mesmo tempo, exige maior capacidade de planejamento e controle de riscos.
Para o consumidor final, o impacto é direto. O aumento da concorrência amplia a oferta e pressiona preços, reduzindo distorções e melhorando o acesso a produtos com melhor relação custo-benefício. “Quando a empresa compra melhor, ela consegue repassar essa eficiência. Isso chega ao consumidor em forma de preço mais competitivo e mais opções”, afirma Braz.
– Exportações de móveis fecham 1º trimestre abaixo
Outro efeito relevante é o acesso mais rápido à inovação. Com cadeias globais mais integradas, empresas conseguem trazer tecnologias e soluções que ainda não são produzidas localmente. “O consumidor passa a ter contato com produtos mais atualizados, muitas vezes com mais qualidade e melhor custo”, diz.
Ao mesmo tempo, o avanço das importações levanta um alerta. A maior dependência de fornecedores externos pode reduzir a densidade industrial do país e aumentar a exposição a fatores como câmbio, logística e instabilidade internacional. “Importar resolve eficiência no curto prazo, mas precisa ser feito com estratégia. Caso contrário, a empresa troca um problema por outro”, afirma.
No atual cenário, a decisão deixou de ser operacional e passou a ser estratégica. Importar não é mais uma alternativa tática, mas um dos principais fatores que definem quais empresas conseguem sustentar competitividade e quais ficam pelo caminho.
Gustavo Braz
Gustavo Braz é empresário e CEO do Grupo PMD, uma das principais importadoras de ferramentas diamantadas do Brasil. À frente da companhia, lidera a expansão comercial e o posicionamento de mercado, tendo conduzido um crescimento de quase 600% nos últimos anos. Sua atuação é focada na estruturação de operações escaláveis, com ênfase em canais de distribuição, marcas próprias e eficiência comercial.
Com trajetória construída dentro do setor, a partir de uma base familiar com mais de cinco décadas de atuação, acumulou experiência em negociação internacional e cadeia de suprimentos. Também mantém conexão com fornecedores asiáticos e iniciativas voltadas à aproximação entre empresas brasileiras e o mercado chinês, reforçando sua atuação em estratégias comerciais com visão internacional.








