Missão América Latina soma US$ 65,3 milhões

Circuito do Brazilian Furniture reforça região como um dos mercados prioritários para indústria de móveis brasileira

Publicado em 23 de outubro de 2026 | 08:00 |Por: Thiago Rodrigo

A Missão Comercial América Latina 2026 encerrou seu circuito pela Feira de Desenho de Medellín, na Colômbia e pelo Panamá com US$ 65,336 milhões em negócios imediatos e expectativas comerciais para os próximos 12 meses. Os resultados reforçam a posição da América Latina e do Caribe entre os principais mercados-alvo da indústria brasileira de móveis e oferecem caminhos para o aprofundamento da agenda regional em 2027.

Realizada pelo Projeto Setorial Brazilian Furniture, iniciativa desenvolvida pela Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), a ação reuniu 48 empresas brasileiras entre os dias 10 e 16 de setembro.

O circuito começou em Medellín, com Exposição de Produtos e rodadas de negócios durante a La Feria de Diseño, e seguiu para a Cidade do Panamá, onde uma agenda dedicada à aproximação comercial completou a missão. Ao todo, foram realizadas 932 rodadas de negócios, que resultaram em 793 contatos comerciais. Desse total, 690 foram novas conexões — o equivalente a 87% —, ampliando a base de compradores, distribuidores e potenciais parceiros acessada pelas empresas brasileiras na região. Os negócios imediatos alcançaram US$ 8,483 milhões. Outros US$ 56,853 milhões correspondem às expectativas de negociações para os 12 meses seguintes, levando o potencial comercial total da missão a US$ 65,336 milhões.

América Latina e Caribe ganham centralidade na estratégia comercial

A missão ocorreu em um momento de reorganização da geografia comercial do setor moveleiro, no qual a diversificação deixou de ser apenas uma medida de redução de riscos para se tornar uma estratégia de crescimento, escala e construção de presença em diferentes mercados. Dados da “Conjuntura de Móveis – Agosto 2026” (estudo da Abimóvel, desenvolvido pelo Iemi) mostram que oito mercados latino-americanos — Uruguai, Chile, Argentina, Peru, Paraguai, México, Colômbia e Bolívia — estiveram entre os dez principais destinos das exportações brasileiras de móveis e colchões no primeiro semestre de 2026. Juntos, responderam por cerca de 49% das vendas externas do segmento no período.

Além do peso já alcançado nas exportações, a região reúne condições comerciais compatíveis com a oferta brasileira. A proximidade geográfica pode reduzir prazos logísticos, facilitar a reposição de estoques e tornar mais frequente o relacionamento entre fornecedores, distribuidores e especificadores. Afinidades culturais, referências semelhantes de moradia e consumo e o conhecimento crescente sobre o produto brasileiro também favorecem a entrada e a expansão das marcas.

– Conhecimento e conexões para empresários do setor moveleiro gaúcho

Do lado da oferta, a indústria brasileira reúne diferenciais capazes de atender distintas estruturas de mercado: escala industrial associada à flexibilidade produtiva, diversidade de materiais e acabamentos, capacidade de personalização, design autoral e portfólios voltados aos segmentos residencial, corporativo, hoteleiro, comercial e de contract.

A estratégia, no entanto, salienta que América Latina e Caribe não formam um mercado homogêneo. Cada destino apresenta estruturas próprias de distribuição, formação de preços, logística, especificação e decisão de compra. Por isso, o trabalho combina inteligência comercial, promoção de imagem, contato direto com compradores e identificação de modelos adequados de entrada.

“Como maior produtor de móveis da América Latina, o Brasil tem uma indústria forte, diversificada e preparada para ampliar sua presença internacional. A América Latina e o Caribe são mercados estratégicos para essa expansão. A Abimóvel conduz essa agenda por meio da inteligência de mercado, da promoção comercial e da articulação institucional, aproximando a indústria brasileira de novos mercados e oportunidades. Em 2027, vamos avançar ainda mais na internacionalização do setor e na consolidação do móvel brasileiro na região”, afirma Cândida Cervieri, diretora-executiva da Abimóvel.

Medellín conecta produto, especificação e mercado

A primeira etapa ocorreu entre 10 e 12 de setembro, durante a La Feria de Diseño Medellín, na Colômbia. A presença brasileira foi estruturada em duas frentes complementares: Exposição de Produtos e Missão Comercial. No Espaço Brasil, 19 peças de 14 marcas apresentaram diferentes materiais, técnicas, linguagens e capacidades produtivas da movelaria nacional contemporânea. Orientada pelo conceito “Conexões”, a exposição aproximou produto, design, indústria, especificação e mercado.

A escolha da Colômbia encontra respaldo em uma relação comercial em expansão. No primeiro semestre de 2026, o país importou US$ 9,7 milhões em móveis e colchões brasileiros, crescimento de 37,6% em relação ao mesmo período de 2025. Paralelamente à exposição, as empresas participaram de rodadas com 25 compradores internacionais dos Estados Unidos, Bolívia, Chile, Curaçao, Equador, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

A etapa colombiana contabilizou 430 rodadas de negócios e 465 contatos comerciais, dos quais 84,9% foram inéditos. Os negócios imediatos chegaram a US$ 4,353 milhões, enquanto as expectativas para os 12 meses seguintes somaram US$ 26,638 milhões. Com isso, o potencial comercial da ação na Colômbia alcançou US$ 30,991 milhões.

A combinação entre exposição e encontros comerciais permitiu que a experiência direta com os produtos avançasse para conversas sobre posicionamento, adequação de portfólios, volumes, preços, logística, distribuição e aplicação em projetos. Dessa forma, o produto foi apresentado não apenas por seus atributos estéticos, mas também por sua viabilidade comercial e capacidade de responder às demandas dos mercados representados.

Circuito do Brazilian Furniture pela Colômbia e pelo Panamá reuniu 48 empresas brasileiras, realizou 932 rodadas de negócios e gerou 793 contatos comerciais; 87% deles foram conexões inéditas

Panamá amplia alcance comercial e acesso regional

Após Medellín, a missão seguiu para a Cidade do Panamá, onde as empresas participaram de uma nova agenda de rodadas de negócios nos dias 15 e 16 de setembro. A etapa panamenha concentrou 502 reuniões e gerou 328 contatos comerciais, dos quais 89,9% foram novas conexões. O índice foi o maior entre as duas etapas e demonstra o alcance da ação na abertura de novas interlocuções comerciais. Os negócios imediatos somaram US$ 4,130 milhões. Já as expectativas para os próximos 12 meses alcançaram US$ 30,215 milhões, levando o potencial total da etapa a US$ 34,345 milhões — 52,6% do valor consolidado durante a missão.

Nas reuniões, as empresas apresentaram portfólios e capacidades produtivas, avaliaram a aderência de produtos às demandas locais e mapearam possibilidades de atuação por meio de importadores, distribuidores e outros agentes comerciais. O Panamá ocupa uma posição relevante nessa estratégia por combinar mercado interno, conectividade logística e acesso a outros destinos. Sua atuação como plataforma regional favorece a circulação de produtos e a construção de rotas comerciais para a América Central e o Caribe, regiões nas quais distribuição, disponibilidade, prazo de entrega e capacidade de adaptação são fatores decisivos para a competitividade.

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