Rehau conta sua história entre 1986 e 1996
Rehau se instalou no Brasil para atender mercado automotivo, mas enxergou relevância e crescimento de tecnologia no mercado moveleiro na época
Publicado em 28 de setembro de 2026 | 08:00 |Por: Thiago Rodrigo

Entre 1986 e 1996, o Brasil passou por sucessivas transformações econômicas, incluindo períodos de alta inflação, abertura comercial e maior competitividade da indústria nacional. Para empresas industriais, o desafio era combinar qualidade, inovação e eficiência produtiva em um cenário muitas vezes instável. Nesse cenário, a fabricante de fitas de bordas, superfícies e soluções para móveis, Rehau, enfrentou o mercado apostando em tecnologia, conhecimento técnico e desenvolvimento de soluções com padrão internacional.
A empresa trouxe ao mercado brasileiro conceitos já consolidados na Europa, contribuindo para elevar o nível dos acabamentos e da industrialização do mobiliário nacional. Essa visão de longo prazo permitiu construir relações duradouras com fabricantes de móveis e consolidar a credibilidade da marca. “Também foi nesse período que, apesar das incertezas, vimos o potencial do País, e tomamos a decisão de mudar o local da nossa sede, na época em Diadema (SP), para um espaço mais amplo, a fim de expandir as atividades”, conta Alexandre Novoselecki, vice-presidente da Rehau na América Latina.
Foi a partir dos anos 1980 que a indústria moveleira brasileira começou a incorporar processos mais modernos e materiais industrializados, como compensados revestidos com laminados, painéis aglomerados e, posteriormente, o MDF. Nesse cenário de transformação, a Rehau introduziu no mercado brasileiro uma solução inovadora: as fitas de borda, que passaram a agregar acabamento, proteção e durabilidade aos móveis produzidos com esses novos materiais. Embora amplamente utilizadas em outros mercados, essa tecnologia ainda era pouco difundida no Brasil e representava um importante avanço para a modernização do setor de móveis.
Com o crescimento do uso de painéis MDF e MDP nos anos 1990, o mercado começou a demandar acabamentos mais sofisticados, padronização de processos e soluções que agregassem valor ao móvel. “Foi nesse contexto que a Rehau fortaleceu sua atuação, trazendo para o Brasil sua expertise global em polímeros e extrusão e adaptando tecnologias consagradas internacionalmente às necessidades específicas dos fabricantes locais”, diz Novoselecki.
– Texto 1: Rehau destaca início da presença no Brasil
O objetivo era oferecer soluções capazes de proporcionar maior consistência de qualidade, durabilidade e desempenho, agregando valor aos móveis e contribuindo para a evolução da indústria nacional. “Mais do que atender a uma demanda existente, a Rehau identificou o potencial de crescimento do setor e investiu continuamente em inovação, desenvolvimento de produtos e suporte técnico aos seus parceiros”, acrescenta o vice-presidente.
Segundo ele, essa visão de longo prazo, aliada à capacidade de antecipar tendências e criar soluções alinhadas às necessidades do mercado, ajudou a elevar os padrões de qualidade, design e produtividade da indústria moveleira brasileira. “É um compromisso que permanece até hoje e que continua guiando a atuação da Rehau como referência em inovação e desenvolvimento para o setor”.
A Rehau já produzia fitas de borda em suas operações na Alemanha desde 1976, consolidando-se como uma das pioneiras no desenvolvimento dessa tecnologia. Foi, então, entre o final dos anos 1980 e a década de 1990 que a empresa expandiu sua atuação no setor moveleiro brasileiro, acompanhando um período de forte transformação e crescimento da indústria nacional.
Nesse contexto, fortaleceu sua presença no mercado por meio de soluções inovadoras de acabamento, com destaque para as fitas de borda, que se tornariam uma de suas principais áreas de atuação. “Ao longo dos anos, a combinação entre tecnologia, qualidade e proximidade com o setor moveleiro contribuiu para consolidar a marca como uma referência no segmento”, pontua Novoselecki. Hoje, a empresa acumula mais de 50 anos de experiência global no desenvolvimento e aperfeiçoamento dessa tecnologia.
Além das fitas de borda, a Rehau também desenvolveu e forneceu outras soluções baseadas em polímeros para o setor moveleiro, incluindo perfis de acabamento, perfis técnicos, portas de enrolar Rauvolet, principalmente para móveis de escritório, e componentes utilizados para aumentar a funcionalidade, proteção e estética dos móveis. “Essa ampliação do portfólio permitiu atender diferentes segmentos da cadeia moveleira, da indústria seriada à produção sob medida”, conta o VP.
Soluções de evolução
Algumas soluções inteligentes e sustentáveis contribuíram para a evolução da indústria moveleira naquele período em que a sustentabilidade ainda não era um tema tão amplamente discutido quanto é hoje. No entanto, esse princípio sempre esteve presente nas soluções da Rehau, de acordo com o vice-presidente da empresa na América Latina, e faz parte da filosofia da empresa.
“A utilização de componentes poliméricos duráveis, resistentes à umidade e com longa vida útil contribuiu para aumentar a durabilidade dos móveis e reduzir o desperdício ao longo de todo o seu ciclo de uso. Além disso, a Rehau já adotava diretrizes voltadas à preservação ambiental, priorizando materiais que não causassem impactos nocivos ao meio ambiente, como a eliminação completa de metais pesados de suas formulações”, destaca.
Outro avanço importante foi a substituição gradual de acabamentos menos resistentes por soluções industrializadas de maior desempenho. As fitas de borda em polímeros proporcionaram melhor proteção dos painéis contra impactos e umidade, além de elevar significativamente o padrão estético dos móveis produzidos no Brasil.
Foi também nesse período que a indústria moveleira avançou significativamente na padronização dos processos produtivos. “O mercado acompanhou um forte crescimento na oferta de máquinas para aplicação de fitas de borda, impulsionado pela busca por processos mais ágeis, eficientes e com acabamento superior. Nesse contexto, a Rehau desempenhou um papel importante ao disponibilizar materiais com qualidade consistente e desempenho confiável, capazes de atender às crescentes demandas de produção em escala sem comprometer o padrão de acabamento. Essa combinação entre tecnologia, produtividade e qualidade tornou-se um dos pilares da evolução da indústria moveleira nacional nas décadas seguintes”, adianta o profissional – leia a próxima reportagem sobre a terceira década de atuação da Rehau no Brasil no mês de outubro.







