Relatório do Brazilian Furniture analisa comércio global de móveis

Estudo reúne dados de 2020 a 2024 do comércio global de móveis e aponta tendências, desafios e oportunidades para ampliar a presença internacional da cadeia de móveis brasileira

Publicado em 22 de setembro de 2025 | 08:00 |Por: Thiago Rodrigo

O comércio global de móveis passa por um momento de ajustes. O cenário é marcado por instabilidades geopolíticas, novas barreiras tarifárias, aumento da concorrência internacional no mercado interno e mudanças no perfil do consumidor, que afetam também o setor de móveis. Esse ambiente impõe desafios, mas também abre novas oportunidades que dependem não só de políticas públicas voltadas à defesa comercial e à promoção internacional da indústria brasileira, mas também exige inteligência de mercado e planejamento estratégico para fortalecer a competitividade das empresas nacionais.

É nesse contexto que a Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), lança a nova edição do relatório “Do Brasil para o Mundo”, elaborado pelo Iemi com exclusividade para empresas participantes do Projeto Setorial Brazilian Furniture.

O estudo, publicado anualmente, apresenta indicadores, estatísticas, análises e projeções entre 2020 e 2024, funcionando como instrumento estratégico para o planejamento internacional da cadeia de móveis brasileira, desde fornecedores de insumos, matérias-primas, máquinas e demais suprimentos até fabricantes de móveis e colchões acabados.

Panorama do comércio global de móveis

Segundo o estudo, o Brasil é hoje o sétimo maior produtor de móveis e colchões do mundo, com 439,9 milhões de peças fabricadas em 2024. Apesar dessa escala, responde por apenas 0,5% das exportações globais do segmento, o que demonstra o grande potencial ainda a ser explorado. O País conta com matérias-primas únicas, design original, práticas de gestão sustentável e adesão crescente a normas técnicas internacionais, fatores que não só garantem qualidade e segurança como reforçam a capacidade da indústria nacional de conquistar novos mercados.

Em 2024, as exportações brasileiras de móveis e colchões acabados somaram US$ 763,1 milhões — alta de 3,8% frente ao ano anterior e de 21,5% ao longo do período de cinco anos, entre 2020 e 2024; contra US$ 298,3 milhões em importações, assegurando superávit para a balança comercial do setor. O potencial dessas exportações, contudo, pode chegar a US$ 930 milhões ao ano, segundo metodologia do ITC (International trade Center) aplicada pelo Iemi, se diversificar destinos e ampliar o valor agregado. Do total exportado, 83,4% corresponderam a móveis prontos, com destaque para móveis de madeira para dormitório (39,2%) e outros móveis de madeira (28,1%).

Os Estados Unidos permaneceram como principal destino, absorvendo 29,6% das vendas externas. Na sequência, destacaram-se o Uruguai (10,9%), o Chile (6,9%), o Reino Unido (5,9%) e o Peru (5,3%). Neste ano, contudo, os EUA impuseram tarifas adicionais de 50% sobre o mobiliário de madeira brasileiro, medida que acende um sinal vermelho para as empresas exportadoras do setor.

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Com foco nesse tema, o setor moveleiro esteve representando na comitiva brasileira em Washington, na primeira semana de setembro, em agenda oficial junto à CNI (Confederação Nacional da Indústria), representantes de Ministérios e outros membros do Governo Federal, para discutir alternativas junto às autoridades norte-americanas, reforçando a defesa dos interesses da indústria brasileira.

Internamente, os polos exportadores do Rio Grande do Sul (32,8%) e de Santa Catarina (32,6%) lideraram o comércio exterior em 2024, seguidos por Paraná (17,1%), São Paulo (13,6%) e Minas Gerais (1,9%), que juntos representam cerca de 98% das exportações nacionais de móveis e colchões. No lado das importações, a China respondeu por 73,8% do valor total, o que reforça a concentração da origem dos móveis adquiridos pelo Brasil e a necessidade de medidas de defesa e estímulo à produção nacional.

Componentes, insumos, máquinas e demais fornecedores

Além dos móveis acabados, o relatório também dedica uma seção à cadeia de componentes, insumos, máquinas e demais fornecedores, que desempenham papel estratégico para a competitividade do setor. Em 2024, as exportações dessa vertical totalizaram US$3,58 bilhões, representando um aumento de 3,5% em relação a 2023. Em comparação com 2020, observou-se crescimento de 59,6%.

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Quando feita a análise por país de destino, os EUA foram os principais compradores dos produtos da pauta, representando 40,0% do total, a Argentina e o Chile complementam o pódio com participações de 11,1% e 5,7%, respectivamente. Segmentando a análise para as unidades federativas, Paraná foi o principal estado exportador com uma participação de 29,8%, seguido por São Paulo com 29,1%. Dentre os cinco estados que mais exportam produtos desta pauta, apenas o estado do Pará registrou queda na comparação entre os anos de 2024 e 2020, ou seja, uma retração de 6,5%.

Desafios e oportunidades apontados pelo estudo

– Diversificação de mercados: de um lado forte concentração em destinos como EUA; de outro, aumento da participação em mercados da América Latina, Europa e Oriente Médio.

– Pressão competitiva: a liderança da China no comércio global desafia preços e margens.

– Potencial de crescimento: o Brasil tem escala, capacidade e diferenciais competitivos para alavancar às exportações e o posicionamento internacional no setor.

Do Brasil para o Mundo

O relatório organiza dados de produção, exportação e consumo entre 2020 e 2024, com análises sobre conjuntura, mercados estratégicos e tendências globais em segmentos como móveis de madeira (dormitório, cozinha, escritório e outros), móveis de metal, móveis de plástico, assentos (estofados, giratórios, transformáveis em camas, rattan e bambu) e colchões e suportes. A edição de 2025 também inclui recortes específicos sobre componentes, insumos e máquinas, contemplando toda a cadeia moveleira e acompanhando a expansão do Projeto Brazilian Furniture no ciclo 2025–2026.

“Olhar para os números dos últimos anos é mais do que um exercício de retrospectiva, trata-se de subsídio para compreender a posição da cadeia de móveis brasileira no comércio global e planejar o futuro com base em fatos”, afirma Irineu Munhoz, presidente da Abimóvel“Produzimos em escala mundial, mas nossa participação nas exportações ainda está aquém do potencial que temos. Isso mostra que há um caminho a ser percorrido e o relatório ‘Do Brasil para o Mundo’ oferece essa leitura: aponta tendências, riscos e oportunidades. Esse é também o papel da Abimóvel, ou seja, articular dados, ações, diálogos e políticas públicas que ajudem a indústria a transformar capacidade produtiva em presença efetiva no mercado interno e externo”.

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