Sindusmobil fala sobre as turbulências de 2021 no polo de São Bento do Sul (SC)

Um ano para ficar para a história: Fernando Hilgenstieler, presidente do Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Bento do Sul (Sindusmobil)

Publicado em 30 de dezembro de 2021 | 10:00 |Por: Thiago Rodrigo

Após passar por períodos de turbulência desde o início da pandemia, inicialmente com o fechamento do comércio e logo em seguida com um forte crescimento nas vendas para o mercado interno, o ano de 2021 trouxe grandes desafios a serem superados pelas indústrias moveleiras de São Bento do Sul. Falta de matérias-primas, aumentos excepcionais dos preços dos insumos e, em nossa região, a falta de mão de obra afetaram as empresas do polo. No comércio internacional, a alta demanda gerou uma crise logística, com falta de contêineres, atrasos portuários e aumentos exponenciais no custo do frete

“Como empresários brasileiros, já estamos acostumados a trabalhar sob pressão e em cenários econômicos de incertezas e constantes mudanças. No entanto, essa situação exigiu esforços extras, pois tínhamos uma alta demanda a atender e aproveitar e, ao mesmo tempo, dificuldades de conseguir matérias-primas e até trabalhadores”, explica Fernando Hilgenstieler, presidente do Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Bento do Sul (Sindusmobil).

A falta de matéria-prima e a consequente alta nos preços da madeira realmente é um dos principais problemas que o setor moveleiro da região vem enfrentando. As exportações de pinus, mas também de outras espécies, inclusive madeiras nobres do Norte do Brasil, estão ocasionando o desabastecimento nacional e uma inflação descontrolada das matérias-primas. “É óbvio, mas necessário lembrar, que a venda de madeira in natura causa perda irreparável de valor agregado, desestabilizando a indústria nacional e provocando desequilíbrio no desenvolvimento econômico e social”, diz Hilgenstieler.

Para fazer frente ao desafio, o presidente do Sindusmobil articulou contatos permanentes com a Abimóvel para que interceda pela busca de soluções urgentes e viáveis. “Acreditamos ser necessária uma regulamentação que crie barreiras para a exportação de madeira in natura, uma das grandes riquezas de nosso país, para viabilizar a continuidade da indústria brasileira, a manutenção de milhares de empregos e a geração de riquezas para o nosso País”.

Leia a última edição da Móbile Fornecedores de 2022

Em Santa Catarina, o Sindusmobil apoia o trabalho que vem sendo realizado pela Federação das Indústrias (Fiesc), por meio das Câmaras de Desenvolvimento da Indústria Florestal e do Mobiliário. A entidade defende tratamento tributário diferenciado para comercialização de madeira e medidas de estímulo ao plantio, principalmente aos pequenos produtores, entre outras medidas, para minimizar os impactos e manter o equilíbrio entre oferta e demanda futura de madeira.

Em outras frentes, o Sindusmobil reuniu informações, debateu ideias e buscou caminhos para contornar e melhorar a situação enfrentada pelas empresas. Encontros com representantes políticos para mantê-los informados sobre as dificuldades e auxiliarem na busca por soluções, contato com entidades como Abimóvel e Federação das Indústrias para que intervissem em determinadas situações foram algumas ações realizadas.

O sindicato também aproveitou a comemoração dos 60 anos do Sindusmobil, completados em 2021, para mostrar a relevância do trabalho associativo. Também foi lançado uma campanha de valorização do setor moveleiro na comunidade, com o objetivo de tornar o segmento atrativo aos trabalhadores e jovens estudantes.

Em meio a isso, a entidade também planeja a Móvel Brasil que seria realizado este ano. “Mesmo em um momento ainda instável pelas questões sanitárias, mas acreditando firmemente na superação da pandemia, definimos por marcar a 13ª edição da feira para acontecer entre 17 e 20 de maio de 2022. Com a pandemia em ritmo decrescente no país e o retorno dos eventos, acreditamos que a Móvel Brasil será realizada com pleno êxito. O planejamento do evento prevê todos os cuidados necessários, relacionados à saúde e segurança, para que o público profissional envolvido possa participar de forma tranquila e produtiva”, aponta o presidente do sindicato.

Hilgenstieler percebe que o mercado está carente de eventos que possam retomar o relacionamento pessoal, negociar frente a frente e conhecer presencialmente as novidades. Como uma das primeiras feiras moveleiras do país em 2022, a Móvel Brasil quer cumprir esse papel oferecendo como atrativos os lançamentos de produtos para todos os ambientes, fornecedores confiáveis, práticas comerciais competitivas e uma acolhedora recepção que caracteriza a região catarinense.

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