Sustentabilidade ambiental: Arauco conta como se tornou Carbono Neutro
Em série de reportagens especiais sobre sustentabilidade ambiental na produção de painéis de madeira, Arauco conta como se tornou Carbono Neutro
Publicado em 7 de janeiro de 2026 | 08:00 |Por: Thiago Rodrigo

Para uma companhia praticar a sustentabilidade ambiental e ter o certificado de Carbono Neutro, é preciso que o dióxido de carbono capturado supere as emissões globais. Em 2020, a Arauco, fabricante de painéis de madeira de origem chilena, tornou-se a primeira companhia florestal do mundo a receber este certificado após alcançar esta meta. Assim, contribui para a preservação do planeta com um importante passo para enfrentar a crise climática. Para isso ser possível, a Arauco desenvolveu um protocolo próprio de carbono neutralidade em conjunto com a Deloitte e com auditoria da Aenor e da Price Waterhouse.
“Essa metodologia a tornou a primeira empresa florestal do mundo a obter a certificação, servindo como referência para o setor. O protocolo envolve a quantificação de emissões e remoções, sendo inclusive disponibilizado ao público interessado em certificar sua própria neutralidade de carbono”, explica Maíra Gonçalves Pereira, coordenadora de ESG da Arauco.
No processo, são consideradas tanto as emissões sob controle direto (como a queima de combustíveis em fontes estacionárias e móveis, o uso de fertilizantes, o tratamento de efluentes e as operações de compostagem) quanto as emissões de energia elétrica adquirida. Além disso, são incorporadas as emissões indiretas, fundamentais para o ciclo produtivo, como transporte de matéria-prima e produtos, viagens aéreas, deslocamentos de colaboradores, destinação de resíduos e emissões relacionadas à produção de insumos.
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A estratégia combina a diminuição de emissões com o aumento da captura de CO₂, por meio do uso de energia renovável e da gestão de florestas, reforçando o compromisso com a sustentabilidade e inspirando o setor industrial. Também são contabilizadas as emissões biogênicas, como as de queimadas, e, no cálculo das remoções, a captura realizada pelas florestas comerciais, o carbono retido nos produtos e o armazenado nas florestas nativas.
Conforme conta Maíra, o processo foi estruturado com base em dados de 2018. “De lá até o final de 2022, a empresa alcançou uma remoção líquida de mais de 22 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO₂e)”, aponta. Todos os certificados estão disponíveis em: arauco.com.br/certificacoes.
Para ser Carbono Neutro a empresa realizou uma estratégia integrada, estruturando seu trabalho em dois pilares: redução de emissões com metas baseadas na ciência e aumento da captura de carbono. Na prática, isso se traduziu no uso de matéria-prima renovável, proveniente de florestas plantadas, e em ações contínuas para reduzir emissões nas unidades de produção de painéis de madeira. Entre elas:
– Substituição de combustíveis fósseis por biomassa, que em 2024 representou 70% da energia consumida nas fábricas;
– Contrato para garantir que, a partir de 2027, toda a energia elétrica adquirida terá origem renovável.
– Operação de uma usina-piloto de geração solar em Jaguariaíva (PR).
Na gestão de resíduos, os resultados também são expressivos: em 2024, houve redução de 36% na geração em relação ao ano anterior e um índice de 99,7% de valorização — com apenas 0,3% destinado a aterros. O destaque foi o reaproveitamento de subprodutos do processo produtivo como biomassa para geração de energia, agregando benefícios ambientais, redução de custos e diminuição da pegada de carbono. “Os demais resíduos têm destinação ambientalmente correta, como coprocessamento em fornos cimenteiros, compostagem ou reciclagem, reforçando a lógica da economia circular”, diz Maíra.
Além das medidas técnicas, a Arauco também investiu no empoderamento da liderança com programas de capacitação, monitoramento de indicadores e rodas de descarbonização, que mapeiam projetos atuais e potenciais. Todo esse avanço é acompanhado por inventários regulares de GEE (Gases de Efeito Estufa).
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O aumento das capturas de CO₂ foi feito por meio de bosques nativos e das plantações da Arauco. A Arauco atua com responsabilidade florestal, mantendo e ampliando áreas de bosques nativos e florestas plantadas que funcionam como verdadeiros sumidouros de carbono. Essas áreas retiram CO₂ da atmosfera e o armazenam na biomassa e no solo, gerando impactos positivos no equilíbrio climático. As ações incluem:
– Monitoramento constante do crescimento das florestas para calcular o potencial de captura de carbono;
– Prevenção de desmatamento e restauração de áreas degradadas;
– Certificação das práticas florestais por selos como FSC e PEFC, assegurando manejo sustentável;
– Inclusão do carbono florestal no inventário corporativo, reconhecendo seu papel na neutralização das emissões.
Mais do que a função ambiental, essas áreas também reforçam a conexão entre pessoas e natureza. “Ao preservar e ampliar florestas, a Arauco contribui não apenas para o equilíbrio climático, mas também para o bem-estar das comunidades vizinhas e de seus colaboradores – uma expressão concreta da biofilia, em que ambientes naturais bem cuidados não apenas armazenam carbono, mas também proporcionam saúde, bem-estar e conexão emocional para todos que convivem próximos a eles”, define a coordenadora de ESG da Arauco.







