Como não cometer erros nos projetos de móveis planejados

Sete erros na marcenaria de móveis planejados que podem comprometer o resultado de um ambiente

Publicado em 7 de outubro de 2026 | 08:00 | Por: Thiago Rodrigo

Um projeto de móveis planejados começa muito antes da fabricação ou da instalação. Ele envolve decisões sobre materiais, ferragens, circulação, infraestrutura elétrica e hidráulica, medidas, acabamentos e, principalmente, sobre a forma como aquele ambiente será utilizado no dia a dia.

A dimensão da indústria ajuda a mostrar a importância dessas escolhas. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), o Brasil produziu 434,7 milhões de peças de móveis e colchões em 2025, em um setor formado por mais de 22,8 mil empresas e que movimentou R$ 92,1 bilhões no período.

Os painéis de madeira, amplamente utilizados na fabricação de móveis, também ocupam espaço relevante nessa cadeia. Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) mostram que a produção brasileira de painéis de madeira atingiu 9,7 milhões de metros cúbicos em 2024, maior volume da série histórica apresentada pela entidade. No mercado interno, foram comercializados 5,3 milhões de metros cúbicos de MDF e 2,9 milhões de metros cúbicos de MDP.

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A disponibilidade de materiais, padrões, acabamentos e sistemas amplia as possibilidades de personalização, mas também torna o planejamento técnico mais importante. “Ao longo de mais de 20 anos trabalhando com móveis planejados, observo que muitos problemas percebidos depois da instalação começaram bem antes dela”, assinala Laercio Carlos Marchioni Filho é empresário e especialista em móveis planejados de alto padrão. Ele atua em todas as etapas da marcenaria, do desenvolvimento à fabricação e instalação, com conhecimento técnico em materiais, ferragens, acabamentos e soluções personalizadas para projetos residenciais e comerciais.

Segundo ele, uma escolha inadequada pode resultar em portas que interferem na circulação, tomadas escondidas, materiais expostos a condições para as quais não foram especificados ou móveis bonitos que simplesmente não funcionam bem na rotina. Entre os erros que mais podem comprometer um projeto, sete merecem atenção especial, de acordo com o profissional.

móveis planejados

Laercio Carlos Marchioni Filho é empresário e especialista em móveis planejados de alto padrão

Escolher o material apenas pela aparência

Cor, textura e padrão visual são importantes, mas desempenho e finalidade também precisam orientar a escolha. MDF e MDP, por exemplo, possuem características que devem ser avaliadas de acordo com a estrutura do móvel e as condições de uso. Especificar corretamente significa pensar não apenas em como o móvel ficará pronto, mas em como aquele material responderá ao uso ao longo dos anos.

Usar materiais inadequados em áreas úmidas

Cozinhas, banheiros e lavanderias exigem atenção especial à umidade. Painéis, bordas, vedações, recortes e pontos próximos a pias, pisos e instalações hidráulicas precisam ser especificados considerando essa exposição. “Quando isso não acontece, problemas como alterações dimensionais, deterioração das bordas e perda de acabamento podem aparecer com o tempo”, diz.

Economizar justamente nas ferragens

Dobradiças e corrediças são pouco visíveis, mas estão entre os componentes mais exigidos de um móvel. “Uma referência dessa intensidade está nos testes da fabricante Blum, que submete suas dobradiças a 200 mil ciclos de abertura e fechamento”, aponta. Por isso, a escolha deve considerar peso, dimensão, frequência de uso e carga prevista. De acordo com ele, não é necessário optar sempre pela ferragem mais cara, mas pela tecnicamente adequada.

Não planejar elétrica e hidráulica junto com a marcenaria

Tomadas, iluminação, registros, pontos hidráulicos e eletrodomésticos interferem diretamente no desenho dos móveis. “Quando essas etapas são planejadas separadamente, podem surgir tomadas escondidas, recortes improvisados ou tubulações ocupando espaços internos. Na experiência, boa parte dessas adaptações poderia ser evitada se a marcenaria fosse considerada antes da execução das instalações”, comenta.

Priorizar estética em detrimento da funcionalidade

Um ambiente pode funcionar muito bem em uma imagem e muito mal na rotina. Altura e profundidade dos móveis, abertura de portas e gavetas, circulação e acesso aos objetos precisam considerar quem utilizará o espaço. “Para mim, o melhor projeto não é apenas aquele que fica bonito quando fotografado, mas o que continua fazendo sentido depois de anos de uso”, destaca.

Não avaliar acabamento e junções

Alinhamento de portas e gavetas, encontros entre painéis, bordas, recortes e folgas têm impacto direto no resultado. Pequenas diferenças podem comprometer a percepção de qualidade de todo o ambiente. É também nesse ponto que projeto, fabricação e instalação precisam trabalhar de forma integrada. Um bom desenho depende de uma execução capaz de reproduzi-lo com precisão.

Deixar os móveis planejados para o final da obra

Esperar piso, revestimentos, iluminação, elétrica e hidráulica ficarem prontos para pensar na marcenaria reduz as possibilidades do projeto e pode exigir adaptações.
Quando os móveis entram no planejamento desde o início, é possível prever instalações, iluminação, equipamentos e interferências. “Móveis planejados não são apenas peças acrescentadas ao final da obra, mas parte da arquitetura funcional do espaço”, pontua.

Materiais, ferragens e tecnologias ampliaram as possibilidades da marcenaria, mas não substituem um projeto bem pensado. “Depois de mais de duas décadas acompanhando desenvolvimento, fabricação e instalação, considero que a diferença entre um móvel que apenas ocupa um espaço e aquele que realmente melhora o ambiente está, muitas vezes, nas decisões tomadas antes da produção. Na marcenaria planejada, corrigir no projeto quase sempre é mais simples do que corrigir depois da instalação”.

 

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