Entrevista com Patrick Afornali, premiado no Prêmio Salão Design 2025
Patrick Afornali, premiado no Madeiras Alternativas 2025, conta sua história e motivação para criar peça vencedora do Prêmio Salão Design 2025
Publicado em 17 de junho de 2026 | 08:00 | Por: Thiago Rodrigo

Na 26ª edição do Prêmio Salão Design, realizado em 2025, um dos projetos contemplados nas diversas categorias foi o Banco Gruta, produzido com angelim amargoso, que venceu no prêmio especial Madeiras Alternativas. Essa premiação, promovida em parceria com o Laboratório de Produtos Florestais (LPF) do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), convidou designers e indústrias a olharem para espécies menos utilizadas no setor moveleiro, além de reforçar a importância do manejo sustentável. A peça vencedora, é assinada por Patrick Afornali, que conta sua trajetória e a experiência de desenvolver a peça. Leia abaixo como foi o relato da viagem que fez com o Serviço Florestal Brasileiro – na edição 356 da Móbile Fornecedores, veja a trajetória e criação do banco.
Fornecedores | Por favor, compartilhe um relato sobre suas experiências na viagem que fez como prêmio por vencer na categoria do Prêmio Salão Design.
A primeira parada foi em Brasília, uma parte mais científica. Foram dois dias de vivência nos laboratórios do Serviço Florestal Brasileiro. Eles têm serviços lá que descrevem as madeiras, desde a densidade, padronização de como verificar aquela espécie, coloração, uso. Eventualmente podem até fazer uma queima da madeira, transformá-la em carvão para poderem fazer uma verificação de como que é esse aspecto para poderem identificar fornecedores clandestinos de carvão.
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É um trabalho muito sério que eles têm lá com a madeira e envolve oferecer madeiras alternativas para parte da indústria, como o uso na construção civil no modo geral, para a gente não ficar refém de uma espécie só. Porque quando o Brasil inteiro fica refém de uma ou duas espécies de madeira, a tendência é que a matéria-prima acabe. A gente tem essas “fases de madeira”. Já teve a fase da imbuia, no Sul tem muito a questão da araucária. A gente dizimou essas espécies de tanto que usou. Agora estamos na tendência do freijó. Qual madeira pode substituir na questão de durabilidade para construção civil? Você não tem mais o freijó, mas tem dez espécies com a mesma densidade, a mesma característica, a mesma questão de tração.
O Serviço Florestal Brasileiro faz testes físicos de quanto a madeira aguenta. Testes com cola, com verniz, sem verniz, para poderem trazer opções para as outras pessoas. Esses dois dias em Brasília foram enriquecedores no sentido de a profundidade que os laboratórios do SFB trabalham com essas madeiras. Eles trazem essas informações para a gente e fazem disso, realmente, algo ao nível comercial, que a gente precisa. Realmente um viés mais econômico, para mudarmos um pouco nosso pensamento em relação às madeiras alternativas.
Fornecedores | A viagem também teve uma parada em Rondônia. Como foi por lá?
Foram dois a três dias bem intensos, muito legal mesmo. Chegando a Porto Velho, com um calor de 30ºC na madrugada, o curitibano não está tão habituado, então já estava fora da minha zona de conforto e isso foi muito legal. No outro dia a gente foi para a floresta de Jacundá, que é uma concessão. Uma floresta nacional, uma flona (Floresta Nacional) de Jacundá, onde tem a Madeflona que tem direito de concessão para fazer a exploração dessa área. Naquele momento que eu fui, eles estavam fazendo realmente a extração de madeira, o corte, o arraste, todo o processo. O pessoal foi excepcional ali do Serviço Florestal Brasileiro de Rondônia.
Eles me levaram na Jacundá e depois na Jamari, que é uma que eles já tinham feito a extração e vão voltar a fazer agora no final do ano. Nessa de Jacundá, eu observei como que é feita a seleção das madeiras. Tem um trabalho anterior a todo esse processo de corte, que é com o pessoal de Engenharia Florestal. Eles fazem um inventário florístico de toda a área de concessão, então sabem, geograficamente, onde está cada espécie de árvore, qual delas pode ser cortada, qual não pode, quais são as imunes a corte, quais são as árvores que podem ser cortadas, quais estão próximas a essa imune à corte (que tem um risco de queda em cima da outra árvore, daí às vezes nem cortam por causa do risco de queda).

Floresta do Jamari
É um trabalho bem sério também de escolher, dentro desses hectares que eles têm a concessão, quais unidades e quais árvores vão sair. Eles têm um cuidado também de para qual lado derrubar, para poder agredir o mínimo possível, porque uma das partes da concessão florestal é você não tirar uma cobertura vegetal tão grande. Se você chega a um ponto próximo de 18% de você remover a massa verde, dentro dessa área, há algumas penalizações, então tem que estar sempre abaixo desses 18%.
A Madeflona realmente fica na faixa de uns 12% a 13%, que é muito bom. Eles têm um corte bem preciso, sem devastar muito. O pessoal da engenharia está sempre “em cima” e tem o Serviço Florestal Brasileiro, vendo todas as unidades que eles tiram, fazendo um mapeamento. Acho que esse tipo de concessão que eu vi lá é o único jeito de deixar a floresta em pé quando você faz esse manejo.
Você ganha esse dinheiro com a madeira, a pessoa que é dona explora isso de uma maneira comercial e benéfica para ela, mas também consegue ser meio que uma biópsia na floresta. Eu gosto desse termo para poder entender. Eles fazem alguns manejos de algumas unidades que depois, só daqui a 20, 25 anos vão explorar aquela área de novo. Em questão de metro cúbico de madeira, nesse período aquela unidade fica quietinha, se recuperando dessa exploração, e volta ao estado original da floresta. Isso é tudo com base em estudos científicos.
Fornecedores | O fim do roteiro foi na sede do Serviço Florestal Brasileiro em Porto Velho. O que chamou sua atenção nessa imersão?
Lá eles também têm essa questão de ficar mapeando, fazendo essas verificações nas áreas de concessão, então eles usam drones para fazer esse monitoramento das espécies que são cortadas, fazem o monitoramento da flora que está sendo explorada nas concessões. Eles têm todos esses parâmetros para poder analisar se a Madeflona está realmente cumprindo o contrato, fazendo o que deve ser feito, se está protegendo e conservando a floresta. O Serviço Florestal Brasileiro de Rondônia também vai sempre fazendo observações de desenvolvimento de garimpo, aí eles passam essas informações para a polícia, sobre áreas novas que estão acabando, por exemplo, então tem esse serviço de trazer essas informações para o poder público de segurança para poder fazer uma intervenção e tudo mais. O SFB também mantém conversas com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), então tem todo um parâmetro por trás para eles fazerem esse desenvolvimento, inclusive com laboratórios bem técnicos e responsáveis para poder sempre fazer a conservação da flora local.

Setor de Biodegradação do LPF








