ForMóbile 2026 focada na capacitação da marcenaria
Pesquisa revela desafios da marcenaria brasileira com gargalos em gestão, qualificação e planejamento; ForMóbile 2026 foca na capacitação da marcenaria
Publicado em 26 de junho de 2026 | 08:00 | Por: Thiago Rodrigo

Enquanto tenta vender, produzir, atender clientes e administrar o caixa da empresa, o marceneiro brasileiro também precisa lidar com a falta de mão de obra qualificada, a pressão por preços e a transformação tecnológica do setor. Pesquisa realizada pela ForMóbile 2026 revela que quase 88% dos profissionais acumulam múltiplas funções dentro do negócio, retrato de um mercado formado majoritariamente por pequenas e médias empresas.
A marcenaria brasileira vive um momento de transformação. Ao mesmo tempo em que cresce a demanda por personalização, design e soluções sob medida, profissionais do setor enfrentam desafios cada vez mais complexos relacionados à gestão dos negócios, qualificação de mão de obra, modernização tecnológica e competitividade. A pesquisa realizada pela ForMóbile 2026, principal feira de fornecedores para a indústria moveleira da América Latina, com 263 profissionais do segmento, sendo 60% dos respondentes do estado de São Paulo e 96% pertencentes a micro e pequenas empresas.
Os dados mostram um retrato bastante representativo da realidade do mercado nacional. Entre os principais resultados, destaca-se a figura do chamado “marceneiro Bombril”: profissionais que acumulam múltiplas funções dentro da empresa. Segundo o levantamento, 88% dos entrevistados atuam simultaneamente em áreas como produção, vendas, atendimento ao cliente, desenvolvimento de projetos e gestão financeira. Nas microempresas, esse índice chega a 84%.
– Feira foca em arquitetos e integração com marcenaria
A centralização das atividades evidencia uma das principais fragilidades do setor: a falta de estrutura administrativa e de capacitação empresarial. Soma-se a isso a dificuldade crescente para encontrar e reter mão de obra qualificada, apontada como o principal desafio pelos entrevistados. Muitos profissionais entram na atividade por influência familiar ou aprendizado prático, sem formação em gestão ou planejamento estratégico, enquanto funcionários capacitados frequentemente deixam as empresas para abrir seus próprios negócios.
Outro dado que chama atenção está relacionado aos investimentos em tecnologia. Embora 76% dos profissionais tenham intenção de adquirir novos equipamentos nos próximos 12 meses, mais da metade não sabe exatamente quanto pretende investir ou preferiu não informar o valor. O cenário revela uma lacuna importante no planejamento financeiro e reforça a necessidade de orientação técnica para que decisões de compra sejam tomadas de forma mais assertiva.
“Os resultados mostram um setor extremamente resiliente e criativo, mas que ainda enfrenta desafios estruturais importantes. O conhecimento técnico, a troca de experiências e o acesso a novas tecnologias são fundamentais para que essas empresas consigam crescer de forma sustentável. A ForMóbile foi criada justamente para conectar esses profissionais às soluções, conteúdos e fornecedores que podem acelerar essa evolução”, afirma Tatiano Segalin, Business Manager da ForMóbile.
O levantamento também mostrou que cursos práticos, workshops e treinamentos estão entre as principais demandas dos profissionais quando participam de eventos do setor, evidenciando a busca por atualizações constante e aprendizado aplicado ao dia a dia das marcenarias.
Transformação tecnológica exige adaptação
A pesquisa também aponta uma preocupação crescente com os impactos da automação no mercado. O avanço de centros de produção altamente automatizados, operados por grandes redes e indústrias, tem alterado o papel de muitos marceneiros tradicionais, que passam a atuar apenas na montagem final dos projetos.
Esse movimento levanta discussões sobre novos modelos produtivos, especialização profissional e competitividade das pequenas marcenarias. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de diferenciação, qualificação e busca por nichos de maior valor agregado, especialmente ligados à criatividade, personalização e produção sob medida.
O estudo também identificou que a relação com arquitetos cresce à medida que a marcenaria amadurece. Enquanto as microempresas dependem principalmente do consumidor final, empresas de maior porte desenvolvem conexões cada vez mais próximas com arquitetos e designers de interiores. Entre as marcenarias de médio porte, 71% já atuam em parceria com arquitetos. Nas grandes empresas, esse índice chega a 100%. O dado reforça a importância da integração entre design, especificação e produção como caminho para aumentar a competitividade e valor agregado.
Conteúdo técnico e experiências práticas ganham protagonismo
Os resultados da pesquisa ajudaram a orientar a construção da programação da ForMóbile 2026. Entre as iniciativas está o Espaço Maker, criado para oferecer demonstrações práticas, capacitação técnica e contato direto com novas tecnologias, demandas apontadas pelos próprios marceneiros durante o levantamento.
Ao longo da feira, visitantes poderão acompanhar aplicações reais, processos produtivos, técnicas de fabricação, tendências de personalização e soluções voltadas à otimização da produção, transformando o conhecimento em experiência prática.
“O Espaço Maker representa uma oportunidade única para que marceneiros, fabricantes e profissionais do setor possam conhecer novas tecnologias funcionando na prática. Mais do que apresentar equipamentos, queremos contribuir para a evolução técnica e produtiva desses profissionais, mostrando como a inovação pode gerar ganhos reais de eficiência, qualidade e competitividade”, destaca Segalin.
Para a Proadec, a iniciativa também fortalece a criatividade e a capacidade de diferenciação dos negócios. “O mercado busca cada vez mais personalização e identidade nos projetos. O Espaço Maker cria um ambiente inspirador para que os profissionais conheçam novas possibilidades de acabamento, design e aplicação de materiais, ampliando seu repertório e agregando valor aos projetos”, afirma Cláudia Furlan, coordenadora de marketing e produto da empresa.
Já Vitor Cardoso, da equipe de marketing Duratex, reforça a importância da capacitação contínua diante das transformações do mercado. “A evolução da marcenaria passa necessariamente pelo acesso à informação qualificada, à inovação e ao desenvolvimento profissional. Apoiar um espaço como este significa contribuir diretamente para a formação de um setor mais preparado para os desafios atuais e futuros”.
Consumo digital cresce, mas presença online ainda é desafio
A pesquisa também revelou um comportamento curioso entre os profissionais do setor. Mais da metade dos entrevistados (56%) acompanha influenciadores especializados, utilizando principalmente o YouTube como fonte de aprendizado e atualização profissional. Nomes como Adilson Pinheiro e Fernando Belchior aparecem entre as principais referências.
Apesar disso, a presença digital das marcenarias ainda é limitada. Grande parte dos profissionais utiliza as redes apenas como fonte de informação, sem explorar plenamente seu potencial como ferramenta de divulgação, posicionamento de marca e geração de negócios, mantendo forte dependência das indicações tradicionais e do boca a boca.
Sustentabilidade deixa de ser tendência e vira prática
A agenda ambiental também aparece com força no levantamento. Atualmente, 57% das empresas já adotam práticas sustentáveis em suas operações, enquanto outros 37% afirmam ter interesse em implementar iniciativas do tipo.
Nas pequenas empresas, as ações estão concentradas principalmente no reaproveitamento de materiais e na redução de desperdícios. Já nas organizações de maior porte, o foco está na gestão adequada de resíduos industriais e materiais potencialmente perigosos, impulsionada por exigências regulatórias e padrões cada vez mais rigorosos de mercado.
Mais do que apresentar lançamentos, a ForMóbile 2026 pretende atuar como uma plataforma de desenvolvimento profissional para o setor moveleiro, conectando profissionais a conhecimento, inovação, tecnologia e oportunidade de negócios em um momento de transformação da marcenaria brasileira.








