Florianópolis é a capital com menos famílias endividadas

Ampla oferta de crédito e mais renda familiar favorecem cenário de endividamento das famílias no Sul do país; Porto Alegre registra queda de 33% em dívida média

Publicado em 12 de dezembro de 2020 | 07:00 |Por: Cleide de Paula

Florianópolis (SC) é a capital com a menor taxa de famílias endividadas do País, mostra levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Até o fim do primeiro semestre deste ano, metade (53%) das famílias da cidade tinha alguma dívida. A média das capitais brasileiras, no mesmo período, foi de 67%.

Entre junho de 2019 e o mesmo mês deste ano, Florianópolis teve uma queda de 16% no número de residências endividadas – a segunda maior redução no período entre as capitais, atrás apenas do Distrito Federal (-25%).

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A cidade não foi a única a registrar reduções significativas em variáveis de endividamento entre as capitais da Região Sul do País. Segundo a Radiografia do Endividamento da FecomercioSP, foi em Porto Alegre (RS) onde houve a maior queda na dívida média mensal familiar: de R$ 2.681, em junho de 2019, para R$ 1,8 mil neste ano – uma redução expressiva de 33%.

Isso significa que, se em 2019 as famílias porto-alegrenses destinavam 29% dos seus rendimentos mensais para pagar dívidas, este porcentual caiu para 21% agora. Com menos peso no mês para esse tipo de conta, caiu por consequência o total de dívidas na cidade, de R$ 1,06 bilhão para R$ 618,5 milhões (-45%).

Por fim, Porto Alegre também viu uma retração de 14% no número de famílias endividadas: hoje, na capital gaúcha, 63% dos lares têm dívidas a pagar.

Para a FecomercioSP, os dados mostram dois aspectos relevantes da economia brasileira em 2020: em primeiro lugar, a forte assimetria existente na oferta de crédito formal entre as regiões – fenômeno que se relaciona com as desigualdades geográficas de renda. Muitas cidades do Sul, neste caso, são mais privilegiadas, já que tem maior renda média em relação a outras metrópoles nacionais e grande variedade de crédito formal disponível. A região recebe 20% de todo o crédito do País, contando com 14,3% da população.

Em segundo lugar, os números podem ser lidos também pelo impacto da chegada do auxílio emergencial aos lares brasileiros, a partir de abril. No entendimento da Federação, enquanto este dinheiro extra acabou gerando novas dívidas entre famílias do Norte e do Nordeste, por exemplo, pode ter significado a compensação deste tipo de conta para lares do Sudeste e do Sul – onde foram registradas quedas nas taxas de endividamento.

No entanto, há mais disparidade em relação às contas em atraso: enquanto, em Florianópolis, apenas 18% das famílias estavam nesta condição ao fim do primeiro semestre, o fenômeno atingia 28% delas em Porto Alegre (RS) e 30% em Curitiba (PR) – a média das capitais é 26%.

Cresce mais dívidas do que famílias no Brasil
Em meio à pandemia de covid-19, o número de famílias endividadas nas capitais brasileiras subiu, no primeiro semestre do ano, a uma velocidade seis vezes maior do que o crescimento do próprio volume de novas famílias: de 10,6 milhões para 11,2 milhões de núcleos familiares com alguma dívida.

Enquanto o número de famílias subiu 0,8% (pouco mais de 126 mil novas famílias) em junho de 2020, em comparação a junho de 2019, o endividamento familiar teve alta de 6% (quase 638 mil a mais de lares) no mesmo intervalo de tempo. Sendo assim, não é exagero afirmar que uma família pode obter dívidas antes mesmo de se formar.

Segundo os dados, 67,4% das famílias brasileiras vivendo em capitais estavam endividadas ao fim do primeiro semestre – número que era de 64,1% em 2019.

Nota metodológica
O estudo avalia as dimensões e efeitos sobre as famílias da política de crédito no Brasil entre as primeiras metades dos anos de 2019 e 2020. Para as análises relativas às capitais brasileiras, foram usadas as seguintes bases de dados primários: IPCA, Contagem da População, PNAD Contínua e Pesquisa de Orçamento Familiar, todas do IBGE, e as taxas mensais de endividamento, comprometimento da renda e taxa de famílias com contas em atraso constantes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência dos Consumidores (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

A PEIC, realizada pela CNC em todas as capitais brasileiras, entrevista mensalmente mais de 17 mil pessoas nestas cidades, produzindo, de forma direta, mais de 100 mil questionários em cada semestre analisado, com dados informados de maneira direta pelos consumidores sobre a sua realidade de endividamento, a capacidade de pagamento e o perfil e a situação de suas dívidas. Por meio dos valores totais das 27 capitais, tem-se uma margem de erro de apenas 0,73 ponto porcentual (p.p.). Todos os valores foram atualizados para julho de 2020, a fim de viabilizar a comparação entre eles.

FecomercioSP
Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo, mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre as questões que impactam a vida do empreendedor. Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do PIB brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos.


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