Confiança em baixa desafia o varejo moveleiro
Índices de confiança do consumidor e do comércio caem no começo do ano, afetando demanda por bens duráveis
Publicado em 12 de março de 2025 | 08:32 |Por: Júlia Magalhães

Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), a economia iniciou 2025 em um cenário desafiador, com a confiança do consumidor e do comércio em queda. Esse movimento impacta diretamente o varejo e a indústria, que operam com maior cautela diante da incerteza econômica.
O otimismo entre consumidores e empresários segue em declínio, influenciado por fatores como inflação persistente, juros elevados e perda do poder de compra. No setor moveleiro, essa conjuntura impõe desafios imediatos, especialmente na demanda por bens duráveis, mais sensíveis às oscilações econômicas.
Consumidor registra terceira baixa consecutiva
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 2,6 pontos em fevereiro, chegando a 83,6 – o menor nível desde agosto de 2022. Em médias móveis trimestrais, o indicador caiu 3,6 pontos, para 87,0. Segundo a economista do FGV IBRE, Anna Carolina Gouveia, o recuo reflete um maior pessimismo entre os consumidores, especialmente entre aqueles de menor renda.
Um dos pontos de maior impacto para o varejo moveleiro é a queda na intenção de compra de bens duráveis, que atingiu 75,2 pontos, o menor nível desde agosto de 2022. O indicador teve uma retração expressiva de 9,9 pontos, indicando que os consumidores estão mais cautelosos ao planejar compras de maior valor.
A queda também foi observada no indicador que mede as perspectivas para situação financeira futura da família que cedeu 3,0 pontos, para 89,5 pontos, e do indicador que mede a percepção sobre as finanças das famílias que caiu 0,9 ponto, para 68,8 pontos. Na contramão, avançaram os indicadores que avaliam a situação econômica local atual e situação econômica local futura, com 0,9 e 0,3 ponto, para 90,4 e 98,6 pontos.
Comércio segue tendência de desaceleração
Também pelo terceiro mês consecutivo, o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) registrou baixa, recuando 3,8 pontos em fevereiro e fechando o mês em 85,5 pontos – o menor nível desde dezembro de 2023. Segundo o economista do FGV IBRE, Rodolpho Tobler, a piora disseminada entre os segmentos do comércio reflete um início de ano mais desafiador para o setor.
“A percepção dos empresários indica que o volume da demanda tem perdido força e que não enxergam cenário de reversão dessa tendência no curto prazo. O ambiente macroeconômico, de inflação e juros em alta, atinge tanto os segmentos mais sensíveis à renda quanto os mais sensíveis ao crédito”, afirma Tobler.
O Índice de Situação Atual do Comércio (ISA-COM) caiu 2,3 pontos, atingindo 88,5, com destaque para a retração no quesito que avalia a situação atual dos negócios, que variou negativamente em 3,8 pontos. Já o Índice de Expectativas do Comércio (IE-COM) teve uma queda ainda mais acentuada, de 5,1 pontos, chegando a 83,2 pontos, demonstrando a preocupação com as perspectivas futuras de vendas.
Confiança Empresarial também apresenta recuo
Da mesma forma, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) caiu 0,3 ponto em fevereiro, chegando a 94,7 pontos. Apesar da leve retração, esse foi o quarto mês consecutivo de queda, evidenciando um enfraquecimento no ambiente de negócios, especialmente nos setores de serviços e comércio. De acordo com o pesquisador do FGV IBRE, Aloisio Campelo Jr., as empresas já projetam um cenário de desaceleração econômica para 2025.
“Destaca-se a perda acumulada de 5,6 pontos nos últimos quatro meses do indicador que mede o otimismo sobre a evolução da situação dos negócios nos seis meses seguintes, um sinal claro de que as empresas já preveem dificuldades à frente”, analisa Campelo Jr.
O Índice de Expectativas Empresariais (IE-E) recuou 0,3 ponto, atingindo 93,5 pontos, refletindo o quarto mês seguido de queda. O índice que mede a expectativa sobre os negócios nos próximos seis meses caiu 1,1 ponto, para 93,0 pontos, evidenciando maior cautela entre os empresários. Já o Índice da Situação Atual Empresarial (ISA-E) teve leve retração de 0,3 ponto, para 95,8 pontos, acumulando perda de 2,7 pontos nos dois primeiros meses do ano.
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