Móveis e eletrodomésticos resistem à queda do varejo

O segmento de móveis e eletrodomésticos registra alta moderada, enquanto varejo ampliado recua 1,59% no segundo trimestre de 2026

Publicado em 20 de abril de 2026 | 08:08 |Por: Julia Magalhães

O segmento de móveis e eletrodomésticos deve apresentar desempenho relativamente mais estável no segundo trimestre de 2026, em meio a um cenário de retração no consumo das famílias brasileiras. Levantamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar), em parceria com a FIA Business School, aponta que juros elevados, crédito restrito e aumento da inadimplência têm reduzido o poder de compra e levado o consumidor a adotar uma postura mais cautelosa.

De acordo com o estudo, o varejo ampliado – que inclui veículos e materiais de construção – deve registrar queda de 1,59% em relação ao trimestre anterior. Na comparação anual, a retração estimada é de 0,09%. Já o varejo restrito também apresenta recuo no curto prazo, refletindo a pressão sobre a renda disponível das famílias e o encarecimento do crédito.

Dentro desse contexto, o setor de móveis e eletrodomésticos aparece entre as exceções, com crescimento moderado. O desempenho, no entanto, não indica expansão consistente, mas sim uma resistência relativa diante do ambiente macroeconômico adverso. A leitura do estudo mostra que o consumidor tem priorizado gastos essenciais, adiando compras de maior valor sempre que possível.

Esse movimento afeta diretamente segmentos considerados discricionários. Enquanto áreas como artigos farmacêuticos também mantêm resultados positivos, outros setores ligados a bens não essenciais registram quedas mais intensas, evidenciando uma mudança no padrão de consumo.

Consumo defensivo

O levantamento caracteriza o momento atual como de “consumo defensivo”. Na prática, isso significa escolhas mais seletivas e adiamento de compras, especialmente aquelas que dependem de financiamento. As taxas de juros, que superam 60% ao ano nas operações de crédito para pessoas físicas, ampliam essa restrição.

Para o segmento de móveis e eletrodomésticos, o impacto ocorre principalmente pela dependência do crédito para viabilizar vendas. Com condições menos favoráveis, o volume tende a ser limitado, mesmo diante de alguma demanda reprimida. Ainda assim, o setor consegue sustentar leve crescimento, o que o diferencia de outras categorias do varejo.

No setor de serviços, o cenário também é de desaceleração. Apesar de uma variação média positiva de 0,2% frente ao trimestre anterior, a maioria dos segmentos apresenta retração. Dos 32 analisados, 22 devem registrar queda, indicando enfraquecimento disseminado da demanda.

Desafios no cenário

A combinação de inadimplência em alta e crédito restrito impõe desafios adicionais às empresas. Segundo o presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, Claudio Felisoni, o período exige maior precisão estratégica por parte das companhias.

“O segundo trimestre de 2026 deve impor desafios relevantes às empresas, que precisarão competir por uma parcela menor da renda disponível dos consumidores. O ambiente exige maior eficiência, estratégias mais assertivas e capacidade de adaptação a um mercado marcado por menor apetite ao consumo e maior sensibilidade a preço”.

Diante desse cenário, o segmento de móveis e eletrodomésticos tende a manter desempenho condicionado à oferta de crédito e à adaptação das empresas ao novo comportamento do consumidor. O avanço moderado, portanto, ocorre em um ambiente de retração mais ampla do varejo, marcado por maior seletividade e restrições financeiras.

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