Selic mantida em 15% pressiona varejo em 2026

Taxa básica Selic segue em 15% ao ano. Decisão do Copom impacta consumo, margens e planejamento financeiro no varejo, alerta o Sindilojas-SP

Publicado em 8 de janeiro de 2026 | 08:44 |Por: Julia Magalhães

Na última reunião de 2025, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros em 15% ao ano. A medida confirma a estratégia do Banco Central de manter uma política monetária restritiva, apesar da desaceleração gradual da inflação, influenciada principalmente pela queda nos preços de alimentos e bebidas.

Segundo o Banco Central, o processo de convergência inflacionária ainda exige cautela. O mercado de trabalho segue aquecido, sustentando a demanda interna e mantendo pressão sobre os preços de serviços, que são mais sensíveis à atividade econômica e mais resistentes à desinflação. Nesse cenário, a autoridade monetária avalia que uma eventual redução da Selic só deve ocorrer de forma gradual a partir de 2026, dependendo da evolução da inflação.

A decisão também busca preservar a credibilidade do regime de metas, em um contexto de expectativas ainda desancoradas no médio prazo. Para o Banco Central, manter juros elevados é essencial para consolidar a queda da inflação, mesmo com reflexos negativos sobre o ritmo da atividade econômica.

Selic e o impacto direto no consumo e crédito

Indicadores recentes apontam estagnação econômica na segunda metade de 2025. O Produto Interno Bruto do terceiro trimestre mostrou estabilidade frente ao trimestre anterior, e a expectativa é que o quadro se mantenha em 2026. Um dos principais fatores é o custo elevado do crédito, que afeta diretamente o consumo das famílias.

A taxa básica serve de referência para as principais modalidades de crédito no País, com efeitos diretos sobre o capital de giro, antecipação de recebíveis e financiamentos. Também impacta o comportamento do consumidor, que tende a evitar compras dependentes de crédito mais caro.

“Manter a Selic em 15% significa prolongar um cenário de crédito caro, margens pressionadas e menor disposição de compra das famílias”, afirma o presidente do Sindilojas-SP, Aldo Nuñez Macri.

Segundo ele, o empresário do varejo precisa adaptar estratégias para atravessar esse período. “É preciso planejar estoques, negociar prazos e ajustar o financeiro até que o ciclo de cortes previsto para 2026 tenha início”.

Para o Sindilojas-SP, o acompanhamento das decisões do Banco Central torna-se ainda mais relevante para o planejamento das empresas. A permanência da Selic em patamar elevado exige maior foco em gestão, eficiência operacional e capacidade de adaptação do setor enquanto o mercado aguarda uma eventual flexibilização da política monetária.

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