Dia Mundial do Design Industrial

Quem projeta o que o lojista vende: em celebração ao Dia Mundial do Design Industrial, profissionais da indústria moveleira revelam como esse trabalho vai da fábrica ao ponto de venda

Publicado em 29 de junho de 2026 | 08:16 |Por: Julia Magalhães

Há uma decisão tomada muito antes de o móvel chegar ao showroom que vai determinar se ele vai ou não sair da loja. Ela não está na política comercial nem na negociação com o representante. Está na prancheta do designer industrial. É ele quem define se o produto vai ter apelo visual na vitrine, se a montagem vai gerar chamado técnico ou não, se o acabamento vai se sustentar no tempo e se o lojista vai conseguir explicar o valor daquele móvel para o consumidor com facilidade.

O Dia Mundial do Design Industrial, celebrado anualmente em 29 de junho, foi criado em 2008 pelo Icsid (International Council of Societies of Industrial Design) para reconhecer o impacto econômico, social e cultural da profissão. No mercado moveleiro brasileiro, esse profissional ocupa hoje um lugar diferente do que ocupava há dez ou quinze anos: saiu da área de criação e entrou na mesa de decisão.

A mudança tem razão de ser. Fabricar um móvel bonito nunca foi o problema. O desafio sempre foi fabricar um móvel que seja bonito, viável de produzir em escala, com custo controlado, montagem sem surpresas e apelo suficiente para justificar o preço no PDV. Esse conjunto de variáveis é exatamente o território do designer industrial – e é o que explica por que fabricantes de diferentes segmentos vêm investindo cada vez mais nesse profissional como parte da estratégia de produto.

Para o lojista, o resultado aparece de formas concretas: produtos mais fáceis de apresentar, argumentos comerciais além do preço e menos ruído no pós-venda. Um móvel bem resolvido em termos de design reduz a dependência da promoção porque carrega em si mesmo os motivos para ser comprado. Ergonomia, proporção, escolha de materiais, solução de montagem e padronização de acabamentos são decisões de design que têm impacto direto na experiência do consumidor e, por consequência, na reputação da loja.

Quem trabalha nessa fronteira entre indústria e varejo sabe que o design também funciona como linguagem. Isso tem valor no showroom, onde o consumidor decide em minutos e onde a exposição precisa trabalhar sozinha boa parte do tempo.

A voz do designer

Designers industriais de fabricantes do setor moveleiro contam, com suas próprias palavras, o que significa exercer essa função hoje e qual decisão de design faz mais diferença para quem vende móveis.

Victor Rios – designer da Móveis Albatroz

“A atuação do designer industrial vai além da definição estética dos produtos. Hoje, atua de forma cada vez mais estratégica, direcionando o desenvolvimento, monitorando e ajustando o mix, buscando informações relevantes, além de tendências, sobre mercado e também sobre o consumidor.”

Wellington Bernardes – gerente de comunicação, marketing e produto da Móveis Lopas

“Ser designer industrial hoje dentro de uma fábrica de móveis vai muito além de desenhar produtos bonitos. É um profissional estratégico, que conecta mercado, consumidor, indústria e marca. O designer precisa entender tendências, comportamento de compra, processos produtivos, custos, ergonomia e percepção de valor. O objetivo não é apenas criar um móvel bonito, mas desenvolver produtos competitivos, funcionais, viáveis para produção e desejados pelo mercado. Para o lojista, significa produtos com mais apelo no showroom e maior potencial de venda. Para o representante, gera argumentos comerciais além do preço. E para o consumidor, entrega uma experiência melhor através de móveis mais funcionais, confortáveis e conectados ao estilo de vida atual.”

Alexandre Teixeira – gerente de pesquisa e desenvolvimento de produtos da DJ Móveis

“O designer industrial tem um papel fundamental porque é ele quem traduz estratégia em produto. Ele busca equilibrar três pilares essenciais: funcionalidade, estética e qualidade. Quando esses elementos trabalham juntos, o resultado é um móvel com maior valor agregado, identidade e competitividade. Para a indústria, isso representa diferenciação e fortalecimento de marca. Para o lojista e o representante, significa ter um produto mais atrativo e assertivo comercialmente. E, para o consumidor final, significa receber uma solução que realmente faça sentido para sua rotina, que una beleza e praticidade e entregue uma experiência de uso mais completa. O que muitas vezes não aparece para quem está de fora é justamente essa capacidade de integrar todas essas perspectivas em um produto coerente.”

Jamylle Duarte – gerente de P&D da Kits Paraná

“Ser designer industrial dentro da indústria moveleira hoje é muito mais do que criar produtos bonitos. É conectar estratégia, mercado, indústria e consumidor em um único processo. O designer é quem transforma necessidades em soluções reais, equilibrando criatividade, viabilidade produtiva e competitividade. O grande desafio – e ao mesmo tempo a grande importância – é justamente equilibrar criatividade com realidade industrial, criando produtos que sejam desejáveis para o consumidor, rentáveis para a indústria e competitivos para toda a cadeia do móvel. Em um mercado tão competitivo, o design deixou de ser apenas diferencial estético e passou a ser um fator de posicionamento e sobrevivência.”

Jaqueline Marques – designer da Nicioli

“Atuo há 17 anos no mercado e percebo que o design vem se tornando cada vez mais emocional e estratégico ao mesmo tempo. Não se trata apenas de desenhar um móvel bonito, mas de criar peças que transmitam identidade, acolhimento, funcionalidade e conexão com o morar. O consumidor busca hoje produtos mais autênticos, atemporais e emocionalmente conectados ao estilo de vida dele – há uma valorização muito forte de materiais naturais, texturas e soluções que tragam praticidade sem perder sofisticação. Para a indústria, o designer ajuda a criar produtos mais alinhados ao mercado e com mais valor percebido. Para o lojista e o representante, um produto bem pensado desperta desejo e conta uma história antes mesmo da venda acontecer.”

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