Diagnóstico emocional entra no planejamento estratégico
Mapeamento de riscos psicossociais entra no planejamento estratégico e antecipa decisões para reduzir conflitos afastamentos e perdas de produtividade
Publicado em 23 de janeiro de 2026 | 08:09 |Por: Julia Magalhães

O diagnóstico emocional ganhou espaço definitivo no planejamento estratégico das empresas brasileiras que encerram 2025 pressionadas por desafios de produtividade e clima organizacional. A estimativa da Organização Mundial da Saúde aponta que transtornos como depressão e ansiedade resultam na perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano em todo o mundo, com impacto de até US$ 1 trilhão na produtividade global.
No Brasil, a resposta do setor corporativo tem sido clara: é preciso antecipar decisões com base em dados emocionais concretos. Segundo a psicóloga e advogada especializada em saúde emocional no trabalho, a fundadora da IntegraMente, Jéssica Palin Martins, o diagnóstico deixou de ser apenas um recurso complementar. “Não faz sentido começar o ano apenas revisando metas e processos sem entender como as pessoas estão emocionalmente. O diagnóstico emocional se tornou um ponto de partida para decisões mais consistentes”, afirma.
Nova norma amplia exigências
A movimentação também responde a mudanças legais. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1, publicada em agosto de 2024 pelo Ministério do Trabalho e Emprego, exige que o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais inclua os fatores psicossociais relacionados ao trabalho. O prazo de adaptação termina em 2026, ano em que a exigência entra em vigor.
Mesmo no varejo, empresas com estrutura de pessoal e operações organizadas precisam se adequar. O movimento reforça a responsabilidade legal das lideranças e incentiva medidas preventivas no ambiente de trabalho.
Pressão emocional no varejo
No setor moveleiro, onde o atendimento direto ao público exige atenção constante, metas agressivas e flexibilidade, o desgaste emocional pode ser silencioso, mas com efeitos diretos sobre o desempenho da equipe de vendas. O relatório Gen Z and Millennial Survey 2024, da Deloitte, mostra que cerca de 40% dos profissionais da geração Z relatam níveis elevados de estresse ou ansiedade frequentes, associando esses quadros ao trabalho.
Para Jéssica, o diagnóstico emocional é uma forma estruturada de interpretar o clima organizacional e os sinais de desgaste. “Quando a empresa transforma percepções em dados, ela consegue sair do improviso e entender onde estão os principais riscos emocionais. Isso permite agir antes que o problema se traduza em conflitos, afastamentos ou perda de desempenho”, afirma.
Custo da rotatividade pesa no caixa
Em um cenário de alta competitividade, a rotatividade no varejo representa não só perda de conhecimento, mas também impacto financeiro direto. A consultoria Gallup estima que substituir um profissional pode custar entre 40% e 200% do salário anual, a depender da função e do grau de especialização.
Segundo a especialista, realizar o mapeamento emocional ainda no fim do ano permite iniciar o novo ciclo com mais previsibilidade. “Janeiro costuma revelar o que ficou mal resolvido no segundo semestre. Quem começa o ano com diagnóstico feito, devolutiva clara e plano de ação ganha tempo e reduz desgaste”, afirma.
Ela avalia que o diagnóstico emocional deve se tornar parte da rotina de gestão. “Clima organizacional não se sustenta com uma pesquisa anual. É acompanhamento contínuo, com decisões práticas para a liderança. Quando isso acontece, o emocional deixa de ser tratado apenas quando a crise já está instalada”, conclui.
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