E-commerce revê estratégias para melhorar conversão

Alta do custo de aquisição leva o e-commerce a buscar eficiência em SEO, dados, atendimento e retenção, segundo especialista

Publicado em 9 de outubro de 2026 | 09:19 |Por: Julia Magalhães

O e-commerce enfrenta o desafio de transformar a atração de consumidores em vendas mais eficientes, sobretudo diante do aumento do custo de aquisição. Na avaliação do CEO da Colina Tech e especialista em vendas e tecnologia, Lucas Trindade, a resposta passa por reduzir a dependência de anúncios genéricos e ampliar o uso de dados, SEO, inteligência artificial e atendimento consultivo.

Para o varejo, a discussão envolve uma questão central: gerar tráfego não significa, necessariamente, converter uma visita em venda. A capacidade de esclarecer dúvidas e oferecer informações durante a jornada passa a integrar essa equação, assim como o relacionamento mantido depois da compra.

Trindade avalia que a dependência da mídia paga representa um desafio principalmente para pequenas e médias empresas. Com maior concorrência nos espaços publicitários digitais, o investimento precisa ser acompanhado de estratégias capazes de construir audiência própria e melhorar a eficiência da conversão.

“Comprar tráfego pago da forma tradicional ficou caro e ineficiente para a maioria das PMEs. A popularização das redes fez até o mercado de luxo entrar na disputa pela atenção do usuário. Quem não incorporar Inteligência Artificial para personalizar campanhas e investir em SEO para construir audiência orgânica própria vai ver a margem de lucro ser engolida pelas plataformas de anúncios”, destaca Trindade.

E-commerce e pesquisa

A mudança apontada pelo especialista também alcança a maneira como o consumidor pesquisa antes de concluir uma compra. Além de anúncios, mecanismos de busca e redes sociais, ferramentas de inteligência artificial passam a fazer parte desse percurso.

Assistentes virtuais podem ser utilizados para levantar características de produtos, comparar informações e esclarecer dúvidas antes da visita a uma loja virtual. Na análise de Trindade, esse comportamento torna autoridade e reputação elementos relevantes na etapa de pesquisa.

“O consumidor parou de aceitar a passividade da propaganda tradicional. Antes, ele navegava por banners e links patrocinados até encontrar o produto. Hoje, ele conversa com o ChatGPT ou outras IAs para entender se aquele produto realmente atende à sua necessidade, compara fichas técnicas cruzadas e tira dúvidas complexas antes de pisar em um e-commerce”, analisa.

Nesse cenário, a qualidade das informações disponibilizadas pelas empresas ganha importância. A atração do consumidor continua fazendo parte da estratégia, porém divide espaço com a necessidade de fornecer elementos que ajudem na avaliação do produto e na tomada de decisão.

Atendimento ganha espaço

Outra frente destacada por Trindade é o atendimento direto. Canais como WhatsApp podem atuar na etapa em que o consumidor procura esclarecer questões antes de finalizar o pedido. Para o especialista, uma interação mais longa não deve ser interpretada necessariamente como falta de interesse. Perguntas podem indicar que o consumidor está avaliando barreiras relacionadas a preço, prazo ou características do produto antes da decisão.

“O cliente que pergunta muito está ativamente tentando eliminar barreiras antes de fechar negócio. Para a equipe comercial, isso não é um obstáculo, mas uma oportunidade de ouro para demonstrar valor e construir confiança. O segredo está em atender com agilidade e profundidade, respondendo com clareza sobre preços, prazos e diferenciais, sem transformar o diálogo em uma pressão artificial de fechamento”, aponta o especialista.

A abordagem defendida por Trindade se distancia de respostas padronizadas focadas somente no fechamento imediato. Nesse modelo, o atendimento assume caráter consultivo e procura oferecer as informações necessárias para que o cliente avance na jornada.

Automação exige cuidado

A adoção de inteligência artificial e automações, entretanto, também acrescenta preocupações relacionadas ao tratamento de informações dos consumidores. A conexão de ferramentas aos bancos de dados das empresas exige atenção à segurança e à privacidade.

O tema ganha relevância quando essas soluções têm acesso a dados pessoais ou informações relacionadas aos pagamentos. Nesse caso, a adoção tecnológica precisa considerar também os requisitos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

“A IA tornou-se indispensável para quem deseja escalar um e-commerce em um mercado com concorrência recorde. Porém, muitas empresas estão conectando ferramentas gratuitas ou sem validação de segurança aos seus bancos de dados de clientes. O vazamento de informações de pagamento ou dados pessoais pode destruir a reputação e a viabilidade financeira de uma marca em poucas horas”, alerta.

Embora o especialista considere a IA indispensável para operações que buscam escala, a própria análise do especialista chama atenção para a necessidade de avaliar as ferramentas adotadas. Assim, automação e governança de dados precisam avançar conjuntamente dentro da operação digital.

Retenção e rentabilidade

A busca por eficiência também modifica a leitura dos resultados do e-commerce. Na avaliação de Trindade, operações digitais precisam olhar além do volume de pessoas atraídas pelas campanhas e considerar a capacidade de transformar esse público em clientes.

A retenção entra nessa discussão porque conquistar novos consumidores representa um investimento para a empresa. Quanto maior o Custo de Aquisição de Clientes (CAC), maior tende a ser a importância de aproveitar melhor cada relacionamento construído.

“Conquistar um cliente hoje custa muito mais caro do que anos atrás. As marcas que vão prosperar não são as que mais investem em anúncios, mas as que usam dados para entender a dor exata do público e entregar uma experiência fluida do primeiro clique ao pós-venda. O foco mudou do volume de atração para a precisão da conversão”, conclui.

A análise coloca a eficiência do funil no centro da estratégia digital. Para o varejo que opera no e-commerce, a discussão passa pela combinação entre atração, informação, atendimento e pós-venda, enquanto tecnologias como a inteligência artificial entram como ferramentas para apoiar essas etapas – e não como substitutas de uma estratégia de relacionamento com o consumidor.

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