Eletromóveis somam R$ 91,6 bilhões no ranking das maiores varejistas
Setor de eletromóveis reúne 23 empresas no Ranking IRTT 2026 e responde por 6,9% das vendas das 300 maiores varejistas brasileira
Publicado em 9 de setembro de 2026 | 08:44 |Por: Julia Magalhães

O Ranking IRTT das 300 maiores empresas do varejo brasileiro mostra um avanço entre as grandes redes de eletromóveis em 2025, apesar de um ambiente ainda pressionado pelos juros e pelas restrições ao crédito. As 23 empresas do segmento presentes no levantamento somaram R$ 91,6 bilhões em vendas e responderam por 6,9% das vendas das Top 300.
O levantamento foi produzido e divulgado pelo Instituto Retail Think Tank (IRTT), entidade que dá continuidade aos estudos sobre o varejo brasileiro realizados anteriormente pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). Em sua segunda edição, o Ranking Top 300 Empresas do Varejo Brasileiro utiliza metodologia que permite comparações com a série histórica publicada pela SBVC entre 2015 e 2024.
Entre as empresas de eletromóveis que divulgaram dados comparáveis de 2024 e 2025, as vendas cresceram 8,2%, segundo a análise específica do segmento apresentada pelo estudo. O resultado acompanha o movimento de expansão observado entre as maiores varejistas do País, embora existam diferenças importantes no desempenho das categorias que compõem o mercado de bens duráveis.
No conjunto do varejo, as 300 maiores empresas movimentaram R$ 1,3 trilhão em 2025. Considerando as 227 companhias que divulgaram números nos dois últimos anos, a expansão das vendas foi de 8,6%. Desse grupo, 77,1% aumentaram as vendas acima da inflação, enquanto 21 empresas apresentaram retração.
Ranking de eletromóveis
O Grupo Casas Bahia permanece na liderança entre as empresas classificadas no segmento de eletromóveis. Com R$ 33,8 bilhões em vendas em 2025, a companhia também ocupa a sétima posição no ranking geral das 300 maiores varejistas brasileiras. Na comparação anual, as vendas avançaram 7,1%.
A Gazin aparece na sequência do segmento, com R$ 13,75 bilhões em vendas e 378 lojas. No ranking geral, a empresa ocupa a 19ª posição. Em seguida está a Lojas Cem, com vendas de R$ 8,33 bilhões e uma rede de 312 unidades.
Entre as demais empresas de eletromóveis aparecem a Fast Shop, com R$ 4,8 bilhões em vendas; a Bemol, com R$ 4,34 bilhões; e a Ortobom, com R$ 4 bilhões. A rede de colchões ocupa a 63ª colocação geral e contabiliza 2,4 mil pontos de venda no levantamento.
Outras companhias diretamente relacionadas ao mercado de móveis também integram o ranking. O Mercado Móveis aparece na décima posição entre os eletromóveis, com R$ 2,07 bilhões em vendas e 230 lojas. A Marabraz ocupa o 15º lugar no segmento, com R$ 1,15 bilhão e 126 unidades, enquanto a Zenir Móveis e Eletros está na 17ª posição, com R$ 769 milhões e 61 lojas.
Ao todo, as 23 companhias classificadas como eletromóveis representam 7,7% das empresas presentes entre as 300 maiores varejistas brasileiras.
Móveis recuam em 2025
Apesar do crescimento observado entre as grandes empresas de eletromóveis, o desempenho específico do comércio de móveis foi negativo em 2025. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentados pelo relatório mostram queda de 4,2% no volume de vendas de móveis e retração de 1,2% na receita nominal.
O resultado contrasta com o desempenho dos eletrodomésticos, que avançaram 7,6% em volume e 5,9% em receita nominal. Quando móveis e eletrodomésticos são considerados conjuntamente pelo IBGE, o grupo apresentou crescimento de 4,6% no volume de vendas e de 4,1% na receita nominal em 2025.
O próprio relatório chama atenção para os efeitos do cenário econômico sobre os bens duráveis. O segmento de móveis e eletrodomésticos encerrou 2025 com crescimento conjunto mesmo diante do impacto dos juros elevados sobre o consumo. No caso específico dos móveis, entretanto, os indicadores permaneceram no campo negativo.
Entre as grandes redes, o cenário foi marcado também por movimentos de reestruturação e busca por eficiência. O Grupo Casas Bahia, por exemplo, voltou a registrar crescimento das vendas em 2025, mesmo em um ambiente de juros altos e menor disponibilidade de crédito. A companhia manteve seu reposicionamento com maior concentração das operações em eletroeletrônicos.
Digitalização do setor
A presença digital é outra característica das principais empresas de eletromóveis reunidas pelo Ranking IRTT. Das 23 companhias do segmento presentes no levantamento, 21 contam com e-commerce.
O Grupo Casas Bahia se destaca nesse recorte. A companhia registrou R$ 11 bilhões em vendas próprias pelo comércio eletrônico em 2025, ante R$ 10 bilhões no ano anterior. Com crescimento de 10%, aparece entre os maiores e-commerces próprios das empresas analisadas pelo IRTT.
Outras companhias relacionadas ao segmento também apresentaram avanço nas vendas digitais. A Leveros alcançou R$ 1,14 bilhão em vendas pelo e-commerce próprio, alta de 11,2%. Já a Ortobom chegou a R$ 200 milhões, com crescimento de 17,6%, enquanto o Grupo Toky registrou R$ 428 milhões, avanço de 43,9%.
Os resultados mostram, portanto, trajetórias distintas dentro do mercado de bens duráveis em 2025. Enquanto as grandes redes de eletromóveis presentes no ranking avançaram, o comércio de móveis encerrou o período com retração em volume e receita nominal. Ao mesmo tempo, a presença digital e os investimentos em eficiência permanecem entre os movimentos observados nas empresas de maior porte do segmento.







