Fala representante: coragem e resiliência à frente dos negócios
A representante comercial, Alyne Demartini, transformou desafios em força profissional e se destaca pela proximidade com lojistas no Sul Fluminense
Publicado em 29 de dezembro de 2025 | 08:19 |Por: Julia Magalhães

Com uma trajetória marcada por superação e persistência, Alyne Demartini encontrou na representação comercial não apenas uma profissão, mas uma forma de reconstruir sua vida. Tudo começou no início dos anos 2000, quando ela dava suporte ao então marido no escritório da empresa de representações.
A rotina compartilhada unia vida pessoal e profissional, até que, em 2025, a perda repentina do parceiro de negócios a colocou diante de um dos maiores desafios de sua história.
Determinada a manter vivo o trabalho que construíram juntos, Alyne assumiu integralmente a gestão do negócio e passou a visitar clientes pessoalmente – com coragem, disposição e uma visão de acolhimento no atendimento.
Entre as rotas de estrada e a administração do escritório, ela equilibra os papéis de mãe, empresária e representante, lidando com o dinamismo do mercado e com o olhar cada vez mais estratégico exigido pela profissão.
Na entrevista a seguir, a profissional compartilha os desafios enfrentados, os aprendizados construídos ao longo do tempo e sua visão sobre a área de representação comercial.
Móbile Lojista | Como foi sua trajetória até chegar à atuação como representante comercial no setor moveleiro?
Alyne Demartini | Há 20 anos, conheci meu marido, que já atuava na área de representação de móveis no Sul Fluminense do Rio de Janeiro. Em 2005, eu tinha 21 anos e comecei a faculdade de Administração de Empresas na UNIFAGOC (antiga Fagoc). Trabalhava no escritório de um posto de combustíveis e, nas horas vagas, dava suporte para ele no escritório de representação.
Em 2011, fui trabalhar no financeiro de uma fábrica de móveis, onde fiquei por dois anos, até me dedicar integralmente à representação ao lado dele. Ele ficava na estrada e eu no suporte, como acontece em muitas representações. Em setembro de 2025, infelizmente, ele faleceu por complicações de saúde.
Mesmo com todas as dificuldades, segui com a empresa, que era nossa, e passei a ir para campo. Encarei a estrada com coragem, enfrentando desafios, preconceitos e dificuldades, mas de cabeça erguida.
Lojista | Quais marcas você representa atualmente e em quais regiões?
Alyne | Hoje represento as empresas Móveis Teixeira, Estofados Teixeira, Incobel, Móveis Vila Rica, Ellegance Móveis e JSilva Móveis. Atuo na região Sul Fluminense do Rio de Janeiro, até Angra dos Reis.
Lojista | O que te move no dia a dia dessa profissão?
Alyne | O reconhecimento pelo que faço. Ver que consegui fidelizar um cliente e que ele ficou satisfeito com o meu trabalho é o que me impulsiona.
Lojista | Tem alguma história marcante, desafio superado ou aprendizado que considera inesquecível na sua vivência como representante?
Alyne | O maior desafio foi a perda do meu marido. Éramos parceiros de vida e de trabalho. Me vi sozinha com um filho para criar e uma empresa para tocar. Uma semana depois, arregacei as mangas e fui à luta, pois não podia perder tudo que construímos.
Conciliar a rotina do meu filho com as viagens não foi fácil, precisei acionar minha rede de apoio, ajustar horários e seguir em frente. Todas essas dificuldades me fizeram crescer e me fortalecer.
Lojista | O setor vem passando por muitas transformações. Quais mudanças mais impactaram a sua forma de trabalhar?
Alyne | O comércio on-line tem sido um desafio. A tecnologia avançou muito e mudou a dinâmica das vendas. Mas me adaptei, criei recursos online para estar mais próxima dos clientes. Afinal, quem não é visto, não é lembrado.
Lojista | A maneira de comprar e vender também mudou bastante. Como essas mudanças influenciaram sua rotina ou a relação com os lojistas?
Alyne | A concorrência aumentou muito, e a quantidade de informação também. Hoje, muitos clientes preferem comprar por telefone, e-mail ou WhatsApp. São poucos os que ainda fazem questão da visita quinzenal. Mas continuo me adaptando para atender bem em todos os formatos.
Lojista | Com a digitalização consolidada, como você enxerga hoje o equilíbrio entre o atendimento presencial e o digital?
Alyne | Como já trabalhava no on-line antes, essa mudança não foi tão impactante para mim. O que mudou foi a necessidade de viajar mais. Mas acredito que há espaço para todos. Tenho clientes que preferem o on-line e outros que gostam do contato pessoal.
Lojista | Quais são os aspectos do seu atendimento que mais geram valor para os lojistas atualmente?
Alyne | O pós-venda. Representar uma fábrica não é só vender o produto. É acompanhar, dar suporte e acolher o cliente. Isso faz toda a diferença.
Lojista | Em um mercado mais competitivo, o que você acredita que diferencia seu trabalho?
Alyne | Também o pós-venda. O cuidado com o cliente, estar presente mesmo depois da venda, resolver pendências e prestar assistência. Isso gera confiança.
Lojista | Como você constrói relações duradouras e de confiança com os lojistas da sua base?
Alyne | Com um bom atendimento, sabendo ouvir, tendo um bom papo – que não seja só de vendas – e resolvendo as pendências o mais rápido possível. Isso faz com que o cliente acredite em mim.
Lojista | Participar de feiras e eventos ainda faz parte da sua rotina? Qual a importância desses encontros na sua estratégia comercial?
Alyne | Antes, como eu ficava mais no escritório, participava pouco. Mas agora procuro estar mais presente, interagir no meio, conhecer as novidades e levar mais conhecimento aos meus clientes.
Lojista | Quais as suas expectativas para fechamento de 2025 e para o início de 2026?
Alyne | Com a economia do jeito que está, o cenário mudou. Há escassez de mão de obra, e os lojistas estão mais cautelosos. Mas não acredito que será tão ruim assim. Para 2026, espero superar ainda mais o que conquistei este ano.
Lojista | Olhando adiante, como você acredita que o papel do representante comercial deve evoluir nos próximos anos?
Alyne | O representante comercial sempre terá seu lugar. A tecnologia ajuda, mas nada substitui o contato humano, o aperto de mão, o papo olho no olho. A chave é se adaptar e buscar um diferencial. No meu caso, ainda ouço muito que “mulher nessa área é raro”, mas sigo firme. Desistir não está nos meus planos.
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